“Os sauditas precisam de compreender que um acordo no papel com a Turquia e o Paquistão não lhes trará segurança, tal como anos de apoio unilateral americano não lhes trouxeram segurança”, declarou Rezaei nas redes sociais.
O parlamentar iraniano e porta-voz da Comissão de Segurança Nacional aconselhou Riade a distanciar-se dos Estados Unidos e implementar reformas internas.
“Reformem as vossas políticas para que não tenham de depender da segurança dos outros”, recomendou em relação ao acordo tripartido hoje alcançado em Meca.
A Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia concluíram um entendimento de defesa, unindo os três países, em pleno conflito alargado no Médio Oriente.
Riade pretende reforçar as suas alianças de segurança depois de ter sido alvo do Irão, em retaliação da ofensiva israelo-americana, desde 28 de fevereiro, contra a República Islâmica, e do bloqueio dos rebeldes Huthis do Iémen, aliados de Teerão, aos navios sauditas no mar Vermelho.
O anúncio destes três aliados de Washington envia uma mensagem a Teerão, mas também aos Estados Unidos, que os especialistas consideram um parceiro cada vez mais instável.
“O acordo visa reforçar a dissuasão coletiva contra qualquer ato de agressão e estipula que qualquer ataque armado contra um dos três Estados será considerado um ataque contra todos”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, país que tem atuado como mediador entre Washington e Teerão.
O acordo foi assinado em Meca pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.
Os três países muçulmanos sunitas partilham o objetivo comum de participar nos esforços para resolver o conflito entre o Irão e os Estados Unidos, que inflamou a região e abalou a economia global.
A Arábia Saudita e o Paquistão, que detém armamento nuclear, também já estão vinculados por um acordo de defesa mútua concluído em setembro de 2025, resultado de uma longa tradição de cooperação militar.
Riade negou hoje qualquer ligação a “ambições nucleares” e, tal como Ancara, afirmou que o acordo não se destina a nenhum país da região.
O anúncio desta aliança surge depois de o Irão ter chegado a acordo com Omã, na quarta-feira, sobre uma nova rota marítima no estreito de Ormuz.
O diálogo entre as autoridades de Teerão e Mascate ocorre após o colapso do memorando de entendimento assinado pelos Estados Unidos e a República Islâmica em 17 de junho, que previa um cessar-fogo imediato e a abertura de negociações durante 60 dias com vista a um acordo de paz definitivo.
As partes voltaram porém à confrontação militar, com Teerão a repor as restrições no estreito de Ormuz, por onde passavam 20% dos bens petrolíferos antes da guerra, e Washington a aplicar novamente um bloqueio naval aos portos iranianos.
Ao mesmo tempo, os Huthis desencadearam uma série de ataques contra infraestruturas energéticas e petroleiros da Arábia Saudita, que respondeu com ações militares contra posições rebeldes no Iémen.
O reino árabe, principal exportador de petróleo da região, enfrenta não só interrupções no tráfego marítimo no estreito de Ormuz, como também no mar Vermelho, a principal via de escoamento das suas remessas de crude.
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