Israel recusa plano para Gaza apoiado pelos EUA


Num vídeo publicado durante a noite nas redes sociais, Benjamin Netanyahu disse que a equipa de Donald Trump “acreditava que podia alcançar o desarmamento do Hamas e a desmilitarização de Gaza” e que Israel está “a analisar essa possibilidade”.

“Trump pensa, e a sua equipa pensa, que o Hamas pode ser totalmente desarmado e Gaza desmilitarizada — estamos a analisar a situação”, observou Netanyahu, confirmando as divergências com a Casa Branca, onde se encontrou há uma semana com o líder norte-americano.

Na semana passada, o presidente norte-americano anunciou que o Hamas tinha aceitado o desarmamento das milícias palestinianas na Faixa de Gaza, num processo que implicaria a retirada gradual das forças israelitas do território.

“Enviaram-nos uma proposta, que não aceitámos: não é a nossa proposta. Já demos o nosso feedback”, declarou.

Antes desta declaração, um porta-voz do gabinete de Netanyahu disse na segunda-feira à agência Associated Press (AP) que Israel partilhou “graves preocupações de segurança” com os Estados Unidos relativamente à proposta de acordo para a Faixa de Gaza. Segundo Doron Spielman, a avaliação dos serviços de informação israelitas indica que o Hamas continua empenhado em reconstruir a sua capacidade militar em vez de se desmilitarizar genuinamente.

Na segunda-feira, Netanyahu reuniu-se com o “Conselho de Paz” de Trump, comissão responsável por implementar a segunda fase do plano de paz para Gaza, e recebeu garantias de que o exército israelita não seria obrigado a retirar-se das atuais posições na Faixa de Gaza, da qual ocupa mais de 60 por cento do território, até que o movimento islâmico palestiniano estivesse completamente desarmado.

O Hamas anunciou na semana passada que aceitou um acordo apresentado por Donald Trump que, de acordo com a versão publicada na altura pelo “Conselho da Paz”, incluía o fim das operações militares de ambos os lados em Gaza e o desarmamento do grupo, juntamente com uma retirada gradual de Israel.


O primeiro-ministro israelita, que procura a reeleição nas próximas eleições parlamentares de outubro, está sob pressão dos aliados de extrema-direita dentro da coligação governamental, que denunciaram o acordo e exigem uma votação no governo para o rejeitar.


c/agências



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