Médio Oriente deverá passar da quebra ao maior crescimento turístico do mundo até 2036, diz WTTC | TNEWS


O Médio Oriente deverá ser a única região do mundo a registar uma contração do PIB do setor do turismo em 2026, refletindo o impacto da instabilidade geopolítica nos fluxos de viagens. Ainda assim, o World Travel & Tourism Council (WTTC) considera que a região mantém as perspetivas de crescimento mais robustas a longo prazo, prevendo que se torne o mercado de turismo com a expansão mais rápida do mundo até 2036.

De acordo com o mais recente “Economic Impact Research (EIR): Global Trends Report”, divulgado esta quinta-feira, 6 de agosto, o PIB do setor das viagens e turismo no Médio Oriente deverá recuar 14,5% em 2026, passando de 386 mil milhões de dólares (cerca de 334 mil milhões de euros) em 2025 para 330 mil milhões de dólares (cerca de 285 mil milhões de euros).

Segundo o WTTC, esta retração resulta dos conflitos que têm afetado o espaço aéreo e os fluxos de viagens numa região que funciona como um dos principais hubs da aviação mundial, concentrando cerca de 14% dos passageiros internacionais, o equivalente a um em cada sete viajantes.

Apesar do cenário de curto prazo, o WTTC antecipa uma “forte recuperação”. As projeções apontam para que o Médio Oriente seja a região de viagens e turismo com o crescimento mais acelerado entre 2026 e 2036, com uma taxa média anual de 6,3%, elevando o PIB do setor para 605 mil milhões de dólares (cerca de 523 mil milhões de euros) no final do período.

Este crescimento deverá ser impulsionado sobretudo pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Qatar. Em conjunto, estas quatro economias geraram 272 mil milhões de dólares (cerca de 235 mil milhões de euros) em PIB de viagens e turismo em 2025 e deverão atingir os 435 mil milhões de dólares (cerca de 376 mil milhões de euros) em 2036.

A Arábia Saudita continua a liderar esta transformação regional. Em 2025, o turismo representou 14,1% do PIB do país e o WTTC prevê que as despesas dos visitantes internacionais mais do que dupliquem na próxima década. Nos Emirados Árabes Unidos, o setor representa 11,9% do PIB e suporta 13,6% do emprego total, sustentado por uma forte conectividade aérea e por quase 57 mil milhões de dólares (cerca de 49 mil milhões de euros) em gastos de visitantes internacionais.

Já o Omã deverá ver a economia turística crescer para 12 mil milhões de dólares (cerca de 10 mil milhões de euros) até 2036, enquanto o Qatar continua a destacar-se pelo peso do turismo nas exportações de serviços, com as despesas dos visitantes a representarem 94,1% deste total.

O WTTC sublinha que estas perspetivas são suportadas pelos investimentos realizados pelos governos da região em infraestruturas turísticas, conectividade, desenvolvimento de destinos e diversificação económica. A Arábia Saudita surge como um dos principais exemplos, tendo registado um crescimento de 19,4% no investimento turístico em 2025, apoiado pela estratégia Visão 2030 e por um conjunto de grandes projetos turísticos. 

O estudo conclui ainda que a experiência adquirida em crises anteriores reforça a confiança na capacidade de recuperação da região, desde que exista coordenação entre governos e setor privado, comunicação eficaz e continuidade dos investimentos.

Citada no comunicado, Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, afirma que “o Médio Oriente enfrenta um período desafiante, e o setor das viagens e turismo é muitas vezes um dos primeiros a sentir o impacto das perturbações geopolíticas. Mas a história demonstra repetidamente que o nosso setor é notavelmente resiliente, e poucas regiões demonstraram essa resiliência com tanta clareza como o Médio Oriente”.



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