O Presidente norte-americano, Donald Trump, ficará “muito, muito desapontado” se Israel não cumprir a sua parte do acordo de paz na Faixa de Gaza, avisou hoje um responsável da sua administração.
“Não estamos a pedir mais nada a Israel para além de que aceite o plano de 20 pontos que inicialmente endossaram. Por isso estamos totalmente confiantes de que o respeitarão. Se não o fizerem, obviamente o Presidente Trump ficaria muito, muito desapontado”, afirmou o responsável citado por jornalistas norte-americanos.
A mesma fonte observou que, “dado o número de questões” que os israelitas têm em mãos, não acredita que queiram “agravar ainda mais a situação neste momento” e que “continuarão a ser bons parceiros neste processo e a cumprir o que foi acordado”.
Relativamente ao calendário para a conclusão do desarmamento do grupo islamita palestiniano Hamas, indicou que, devido à complexidade do acordo, a prioridade é tomar as decisões corretas em vez de seguir um calendário rígido.
“Creio que nas próximas semanas continuaremos a finalizar os detalhes de tudo, e calculo que poderemos ver progressos ao longo do próximo mês ou dois”, referiu.
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O Presidente norte-americano anunciou na quinta-feira um acordo sobre o desarmamento do Hamas na Faixa de Gaza, um elemento-chave da segunda fase do plano de paz da Casa Branca.
O Hamas confirmou que foi alcançado um acordo relativamente à questão das armas e à retirada gradual das forças israelitas, mas o chefe do Governo de Israel, Benjamin Netanyahu, que se encontrou com Trump esta semana na Casa Branca, ainda não se pronunciou.
O roteiro para a cessação das hostilidades inclui a eliminação progressiva das capacidades militares do Hamas, o desmantelamento de túneis no território e arsenais de armas e um sistema de monitorização internacional durante o processo.
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O documento estabelece ainda que a primeira condição para o progresso será a cessação completa das operações militares e o cumprimento das obrigações estipuladas no acordo de cessar-fogo, em vigor desde outubro do ano passado, além de contemplar uma retirada gradual das forças israelitas.
O Conselho da Paz, órgão criado por Trump no seu plano para a Faixa de Gaza aceite pelas Nações Unidas, publicou hoje os pontos deste roteiro na rede X, advertindo que Israel deve “cumprir sem demora os compromissos pendentes do Protocolo de Sharm el-Sheikh, particularmente a cessação das operações militares”, tal como o Hamas.
Informou ainda que as negociações sobre o calendário para a implementação da segunda fase do plano de paz, que inclui a desmilitarização, a formação do novo órgão de um governo tecnocrático, a retirada alargada do exército israelita e a reconstrução do enclave palestiniano, terão lugar no prazo de 14 dias após a aprovação do texto, embora possa ser prorrogado.
Na sua primeira declaração oficial, o Hamas avisou porém que não entregará o seu armamento pesado até que as tropas israelitas abandonem a Faixa de Gaza.
No primeiro pronunciamento de um membro do Governo israelita, o ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, considerou pelo seu lado que o acordo é “inaceitável para Israel”, defendendo a continuação da ofensiva no território.
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Para o político de extrema-direita, terminar as operações na Faixa de Gaza “equivale a aceitar que o Hamas se prepara para o próximo massacre”, referindo-se aos ataques em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, que desencadearam a guerra no enclave palestiniano.
Um autodesignado “alto responsável” anónimo do exército israelita afirmou, numa declaração enviada à imprensa do seu país, que “não haverá retirada das Forças de Defesa de Israel da atual ‘linha amarela’ sem o desarmamento genuíno do Hamas”, referindo-se à demarcação da presença do exército no território.
Israel expandiu as suas posições desde o acordo de cessar-fogo e reclama o controlo atual de mais de 60% do território.
A primeira fase do cessar-fogo incluiu a libertação dos últimos reféns israelitas em troca de prisioneiros palestinianos, a retirada parcial das tropas de Israel e a entrada de ajuda humanitária.
Desde o anúncio da trégua, pelo menos 1.214 palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde do território, controlado pelo Hamas, cujos números são considerados fiáveis ??pela ONU.
O exército israelita relatou ter perdido cinco soldados durante o mesmo período, além de um funcionário civil contratado.
A guerra no enclave foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.










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