Em paralelo, o Governo israelita mantém várias dúvidas. O Estado judaico desejava estabelecer relações diplomáticas com a Arábia Saudita, integrando o país nos Acordos de Abraão. Segundo Donald Trump, em troca do acordo nuclear, é exatamente isso que vai acontecer: a monarquia saudita passará a interagir diplomaticamente com Israel. Mas isso não impede que Riade ganhe uma nova preponderância no Médio Oriente, o que tem levantado alguns receios de uma corrida aos armamentos nucleares na região.
Neste momento, o Médio Oriente ainda está em processo de reconfiguração: o território iraniano tem sido atacado pelos EUA nos últimos dias, vários países do Golfo têm sido alvo da retaliação do Irão, o futuro do Estreito de Ormuz continua em suspenso e um acordo para cessar as hostilidades na região parece cada vez mais longe de se concretizar. Neste cenário marcado pelo caos, a Arábia Saudita soube jogar bem as suas cartas com Donald Trump — e acaba de ganhar uma vantagem estratégica importante contra os rivais em Teerão.
“One, Two, Three”: este foi o nome dado ao tratado nuclear entre a Arábia Saudita e os Estados Unidos por se referir à Secção 123 da Lei da Energia Atómica de 1954, que estabelece o enquadramento legal para acordos de cooperação nuclear civil com outros países. No X, o secretário da Energia, Chris Wright, detalhou os pontos de um “acordo de cooperação nuclear pacífico”. Esta é a tónica que a Casa Branca pretende vincar: a de que não haverá uma dimensão militar. Numa publicação na Truth Social, Donald Trump enfatizou que o programa se destina a “fins não militares”, na mesma linha do que afirma acontecer com o Irão e os Emirados Árabes Unidos.
— U.S. Department of Energy (@ENERGY) July 22, 2026
Chris Wright explicou que este tratado dará aos EUA acesso ao programa nuclear saudita. “Os acordos refletem o compromisso partilhado das duas nações para fortalecer as relações comerciais entre os EUA e a Arábia Saudita. Estes documentos comprometem-se a cumprir os padrões mais elevados de segurança nuclear e não-proliferação”, referiu o secretário da Energia, acrescentando que a iniciativa contará com o apoio dos melhores “cientistas dos Estados Unidos”.
Oficialmente, os Estados Unidos não deram grandes detalhes sobre o funcionamento prático do acordo. Contudo, de acordo com o Wall Street Journal, os reatores nucleares serão construídos por empresas norte-americanas. Deste modo, Washington garantirá o controlo sobre o modo como a Arábia Saudita produz energia nuclear, apesar de não descartar a entrada de fornecedores estrangeiros no futuro. Para já, ainda assim, o domínio é dos EUA.
Este acordo vigorará durante 30 anos. Num período ainda por definir, dirigentes norte-americanos e sauditas vão levar a cabo uma análise para avaliar se compensa à Arábia Saudita enriquecer urânio. Se esse estudo concluir que sim, os Estados Unidos comprometem-se a construir uma instalação para o efeito, desde que exista um mecanismo que impeça a transferência de tecnologia sensível de enriquecimento para os sauditas.








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