Parte da produção de petróleo do Oriente Médio continuará paralisada até 2027, diz agência dos EUA | Mundo


Alguns produtores do Oriente Médio provavelmente terão dificuldades para restabelecer a produção de petróleo aos níveis anteriores ao conflito até o fim de 2027, mesmo que os padrões comerciais voltem ao normal no início do próximo ano, informou nesta terça-feira a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês).

Interrupções no transporte marítimo pelo estreito de Ormuz e ataques à infraestrutura energética forçaram produtores de petróleo em todo o Oriente Médio a reduzir drasticamente a produção, diminuindo a oferta global e levando os preços do petróleo às máximas de vários anos. A EIA estimou que cerca de 5,5 milhões de barris por dia da produção de petróleo do Oriente Médio, ou mais de 5% do consumo global, ficaram paralisados em julho, segundo o relatório de perspectivas de energia de curto prazo (Steo, na sigla em inglês) da agência referente a agosto.

A EIA agora espera que os fluxos pelo estreito de Ormuz permaneçam severamente limitados durante agosto, após novos ataques a embarcações nas últimas semanas, mas parte do pressuposto de que os embarques começarão a aumentar lentamente em setembro. A agência, braço estatístico do Departamento de Energia dos Estados Unidos, já havia divulgado previsões semelhantes de um aumento iminente dos embarques por Ormuz, que não se concretizaram à medida que a guerra no Irã se prolongou.

Mesmo que a maior parte da produção de petróleo do Oriente Médio e do comércio global retorne aos níveis anteriores ao conflito até o início de 2027, cerca de 600 mil barris por dia da produção da região permanecerão paralisados até o fim de 2027, afirmou a EIA no Steo de agosto.

A EIA agora espera que a produção global de petróleo fique, em média, em cerca de 100,8 milhões de barris por dia neste ano, aproximadamente 1% abaixo da previsão do Steo de julho, informou a agência. A demanda mundial por petróleo, no entanto, deve ficar em cerca de 104 milhões de barris por dia, o mesmo nível da previsão de julho.

O aumento do déficit de oferta levou a EIA a elevar suas projeções para os preços do petróleo tanto em 2026 quanto em 2027.

Para 2026, a EIA afirmou agora esperar que os preços do petróleo Brent fiquem, em média, em US$ 86,81 por barril, enquanto o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) deve registrar média de US$ 80,88 por barril. A previsão anterior apontava para uma média inferior a US$ 82 neste ano para o Brent e pouco acima de US$ 76 para o WTI.

Os preços devem cair no próximo ano, uma vez que a EIA parte do pressuposto de que a produção do Oriente Médio e o comércio global terão se recuperado substancialmente até o início de 2027, mas a agência agora prevê uma queda menos acentuada, já que parte da produção permanecerá paralisada por mais tempo. Os preços do Brent cairão 20,1% em relação a 2026, para uma média de US$ 69,39 por barril no próximo ano, ante a previsão anterior de queda de 20,9%, enquanto os preços do WTI recuarão 19,1%, para US$ 65,39 por barril, ante a projeção anterior de queda de 20,3%, segundo a EIA.



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