Petróleo Dispara com Tensão no Oriente Médio; Fed Derruba Ibovespa e Dólar Recua


Os preços do petróleo subiram cerca de 7% nesta quarta-feira (29), com a retomada dos ataques aéreos no Oriente Médio, o que aumentou as preocupações com a redução da oferta, já que dados do governo dos Estados Unidos mostraram que os estoques domésticos de petróleo caíram para o menor nível em vários anos.

Os contratos futuros do Brent fecharam com alta de US$6,65, ou 7,91%, a US$90,74 por barril. O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos subiu US$5,20, ou 6,56%, para US$84,46 por barril.

Os EUA e a Arábia Saudita lançaram ataques contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque nesta quarta-feira, culpando-os por ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas.

Os ataques ocorreram horas depois que as Forças Armadas dos EUA afirmaram ter evitado um ataque surpresa do Irã contra tropas americanas na região. O Irã afirmou ter disparado contra navios no Estreito de Ormuz e contra bases americanas na Jordânia.

No Egito, explosões atingiram um porto de carregamento de gás natural no Mar Mediterrâneo, e a empresa britânica de segurança marítima Ambrey informou que um navio-tanque de armazenamento flutuante de propriedade dos EUA no local havia sido atingido por um drone.

“O mercado está rapidamente precificando, mais uma vez, o aumento do risco para o abastecimento na região”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.

Os preços subiram ainda mais depois que o presidente dos EUA Donald Trump, em entrevista à Fox News, prometeu novos ataques contra o Irã.

Os EUA impuseram mais uma rodada de sanções relacionadas ao Irã, visando os esforços de Teerã para “monetizar o Estreito de Ormuz”, com a inclusão de 10 entidades e mais oito navios-tanque na lista de sanções, informou o Departamento do Treasury dos EUA.

Ibovespa

O Ibovespa fechou em queda pressionado pelo forte recuo em ações de bancos, movimento liderado pelos papéis do Santander Brasil, ao mesmo tempo em que agentes do mercado financeiro avaliaram a decisão de juros do Federal Reserve.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,52%, a 173.885,34 pontos, na mínima do dia, após atingir máxima de 176.563,85.

O setor financeiro foi o destaque negativo do dia na bolsa, após o Santander Brasil registrar perdas de mais 7% ao longo da sessão depois de reportar queda de 17,6% no lucro do segundo trimestre, ficando aquém das estimativas do mercado.

O recuo das ações bancárias aconteceu num ambiente global mais avesso ao risco nos mercados, já que os investidores aguardavam a decisão de juros do Fed.

A autoridade monetária manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75%, como esperado pela maioria do mercado, mas teve dissidências de três dos 12 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), responsável pela definição da política monetária, que “preferiram” um aumento de 0,25 ponto percentual nesta reunião.

Em entrevista coletiva após o anúncio, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que o banco central dos EUA não tem uma “meta flexível” mais alta para a inflação e está determinado a cumprir a meta de longa data de 2%, apesar de manter as taxas inalteradas em meio a índices elevados de inflação.

“O tom do comunicado gerou apreensão, pois sugeriu que, devido à inflação persistente e a um mercado de trabalho ainda forte nos EUA, uma nova alta nos juros poderá ocorrer na próxima reunião de setembro. Juros altos nos EUA costumam afastar o capital de ativos de risco, como as ações de mercados emergentes, o que pesou diretamente sobre o Ibovespa”, disse Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Em Nova York, o índice de referência S&P 500 atingiu seu nível mais baixo em um mês, fechando em queda de 1,55%.

O maior clima de cautela e aversão ao risco nos mercados globais também se deu após os EUA e a Arábia Saudita lançarem ataques contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque nesta quarta-feira, culpando-os por ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas.

O movimento fez os contratos de petróleo dispararem, com o Brent fechando com alta de 7,91%, a US$90,74 por barril. Os ganhos do petróleo favoreceram os papéis de peso do setor na bolsa brasileira, como a Petrobras, impedindo perdas ainda maiores do índice.

Destaques

• SANTANDER BRASIL UNIT despencou 7,8%. O banco reportou lucro líquido gerencial de R$3,01 bilhões para o segundo trimestre, recuo de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Previsões compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$3,90 bilhões para a unidade brasileira do banco espanhol Santander. Em relação ao trimestre anterior, o lucro caiu 20,4%.

• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 2,43%, BRADESCO PN perdeu 2,24% e BANCO DO BRASIL ON fechou em queda de 0,24, refletindo o ambiente negativo para o setor.

• PETROBRAS PN subiu 1,92% e PETROBRAS ON ganhou 2,35%. A companhia elevou a produção de petróleo no Brasil em 15,2% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionando as exportações, com avanço na produção de novas plataformas, mais poços produtores e maior eficiência operacional.

• PRIO ON subiu 2,89%, liderando os ganhos do Ibovespa, impulsionada pelos ganhos do petróleo no exterior. PETRORECONCAVO ON ganhou 1,18%.

• VALE ON caiu 0,85%. O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou o pregão diurno com alta de 0,27%, a US$109,17 por tonelada.

• CSN ON caiu 7,8%, liderando as perdas do Ibovespa, com os investidores se preparando para a divulgação dos resultados da companhia na próxima semana.

Dólar

O dólar fechou com leve baixa ante o real, acompanhando a perda de força da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior após a decisão sobre juros do Federal Reserve.

O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,22%, aos R$5,1104. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,90% ante o real.

Às 17h05, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,32% na B3, aos R$5,1150.

A moeda norte-americana oscilou entre a estabilidade e leves altas ante o real até a metade da tarde, com investidores à espera da decisão do Fed.

Às 15h, o Fed anunciou, como esperado, a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas a decisão foi dividida: enquanto nove membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram pela estabilidade, 3 defenderam um aumento de 25 pontos-base já nesta reunião.

Após o anúncio, o dólar perdeu força ante as demais divisas globais, incluindo o real, em movimento que se intensificou durante entrevista coletiva do chair do Fed, Kevin Warsh.

Na entrevista, Warsh ressaltou o compromisso do Fed com a meta de inflação de 2% e disse que a instituição não hesitará em agir. Ao mesmo tempo, citou dados de inflação “animadores” e disse que os membros do comitê continuarão a acompanhar as informações de mercado.

“A manutenção das taxas, dentro do esperado, favorece os ativos de risco”, destacou Vinicius Flores, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital.

“O dólar recuou contra uma cesta de moedas e perdeu força também contra o real, reforçando a leitura de que, enquanto o Fed optar por não apertar (a política monetária), os ativos emergentes ganham espaço e a moeda americana perde tração’, acrescentou.

Após marcar a cotação máxima de R$5,1420 (+0,39%) às 11h57, antes da decisão do Fed, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0887 (-0,65%) às 16h02, em meio à coletiva de Warsh. Até o encerramento da sessão a divisa recuperou parte da força, mas ainda assim se manteve no território negativo.

No exterior, às 17h23, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,48%, a 100,930.

Durante a tarde, sem efeito nas cotações, o Banco Central informou que o país teve fluxo cambial total negativo de US$876 milhões em julho até o dia 24.



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