Alexis Guerin escalou triunfal até à Torre para deixar a Anicolor/Campicarn mais perto do hat-trick na Volta a Portugal


Um déjà vu com protagonistas trocados, mas um déjà vu. Uma equipa que vem dominando a Volta a Portugal a ser, outra vez, a melhor, um francês e um russo em destaque, como em 2025. Só que com o gaulês como o vencedor.

Bem-vinda, montanha. Bem regressados, Guerin e Nych, os líderes da Anicolor/Campicarn, o conjunto que levou a amarela para casa em 2024 e 2025. Foi Artem Nych a subir ao lugar mais alto do pódio nas duas últimas edições, mas é o vice-campeão em título quem, à falta de uma longa semana para chegar ao Porto, se veste já de favorito.

Foi um ataque longo, não vindo desde a Covilhã, mas partindo desde os primeiros quilómetros da Torre, uma subida de mais de 20 quilómetros, longa, eterna. Guerin atacou, ninguém o seguiu, a margem foi crescendo, crescendo, subindo, como iam subindo os níveis de altitude.

Cortou a meta isolado. Quem foi o segundo? Nych, escrevendo a superioridade renovada da Anicolor. Será a Volta uma disputa entre os dois da mesma equipa, excluindo as demais?

A competição deixou as tiradas para os sprints, descendo até ao Algarve e depois subindo pelo Alentejo interior, para entrar em patamar de decisões. A etapa da Torre voltou a ver a subida final feita pela Covilhã, ainda que não precedida de excessiva dureza, com a aproximação à longa ascensão a ser feita sem contagens de montanha de elevada dificuldade.

Antes da disputa na serra, deu-se a batalha da camisola dos pontos, com Rui Oliveira, Daniel Cavia e Tomas Contte nesse confronto. O campeão olímpico, sem surpresa, despediu-se da amarela, mas seria a sua equipa, a Emirates, a tomar o controlo do grupo principal desde o arranque da escalada rumo à Torre.

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NUNO VEIGA

Cedo as rampas fizeram vítimas de peso. Txomin Juaristi, segundo em 2023, Tiago Antunes, quinto na edição passada, e Emanuel Duarte, oitavo em 2025, depressa perderam o contacto com o grupo principal.

Ainda com muito quilómetro por percorrer até ao ponto mais alto de Portugal continental, a armada da Anicolor/Campicarn, a equipa que vem dominando a corrida recentemente, jogou as suas cartas. Alexis Guerin, vice-campeão em 2025, isolou-se. Atrás ficou um grupo com Artem Nych, colega de Guerin e triunfador final nas duas derradeiras edições. O russo teve a companhia de Adrià Pericas, jovem de apenas 20 anos que se assume como candidato a futuro craque da Emirates, dos portugueses Pedro Silva e José Neves e do também espanhol Jokin Murguialday.

Os 30 segundos de Guerin tornaram-se um minuto, o minuto virou minuto e meio, aproximando dos dois minutos. Já no último quilómetro, Nych embarcou num pequeno contrarrelógio de montanha para fazer parecer que a Volta andará entre a Anicolor e a Anicolor. Perdeu 1,45 minutos para Guerin. Quase a dois minutos chegariam Pedro Silva e José Neves.

Na geral, Guerin tem 1,26 minutos de avanço para Nych. A 1,58 minutos está José Neves, da GI Group Holding-Simoldes-UDO.

Depois da montanha, chega o contrarrelógio, em teoria favorável a Nych. A próxima etapa é de luta individual contra o tempo, em 17,4 quilómetros entre Anadia e Águeda.



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