ECLIPSE • AO MINUTO | Quando o dia se tornou noite. População aplaude, grita e bate palmas


Em contagem decrescente para o eclipse total do Sol, o aeródromo de Bragança está repleto de miúdos e graúdos que, admitindo um misto de ansiedade e curiosidade, esperam assistir a um fenómeno “espetacular e único”.

Com óculos especiais, chapéus, guarda-sóis, mantas, lancheiras e garrafas de água para suportar o calor, as centenas de pessoas que hoje decidiram vir até Bragança, muitas delas fizeram mais de cinco horas de viagem, dizem-se “prontas” para “o que aí vem”.

E “o que aí vem” deverá ser algo de espetacular, estimou André Barata que, esta manhã, saiu às 07:30 de Lisboa com a família para não perder “um evento que não acontece todos os dias, aliás, nem múltiplas vezes por século”.

Deitado numa manta com a namorada, André Barata, que reside em Dublin (Irlanda), acredita que as fotografias e vídeos que circulam na Internet “não fazem justiça” àquilo a que vai assistir não tarda.

“Ouvi falar muito da experiência, do efeito anel e, agora, quero ver como é ao vivo”, confessou.

Mais à frente e sentado num banco portátil com o pai, Estêvão Depetris, de 6 anos, também viu imagens na Internet, que lhe foram mostradas pela mãe, mas ao vivo será diferente, considerou.

Questionado sobre o que espera ver, Estêvão, com um sumo em mão e óculos de sol, respondeu um eclipse solar que, explicou, é “quando a Lua fica junta com o Sol”.

Admitindo estar ansioso, Estêvão contou que tem óculos especiais para ver o eclipse, mas alertou que não os pode usar muito tempo porque fazem mal aos olhos.

E quem quase ficava sem óculos era Lucie Vieira, emigrante em França, que só os encontrou depois de ir a 15 farmácias.

Acompanhada do marido, dos filhos e dos primos, Lucie Vieira comentou que achava que ia encontrar óculos em todo o lado, mas afinal foi “muito complicado”.

Munida do principal objeto para ver o eclipse, Lucie Vieira “não pensou duas vezes” em vir até ao aeródromo de Bragança para ver aquilo que espera ser “algo indescritível”.

“Estou ansiosa como as crianças, estou mesmo contente por aqui estar”, confidenciou.

Também Guilherme Martinho, de 22 anos e residente em Lisboa, assumiu estar num misto de ansiedade e curiosidade.

“Precisamente por ser único não sei bem o que esperar, mas vai ser fantástico”, disse, acompanhado do amigo Ricardo Justo que falou em “algo fora do comum”.

Encostados junto a um gradeamento para escapar ao sol, os amigos fizeram mais de cinco horas para não perder a oportunidade de ver “uma grande escuridão” ainda durante o dia.

“Estou à espera de escuridão, muita escuridão”, atirou Matilde Dias, de 13 anos, sentada com os pais numa manta no recinto.

Vinda de São Mamede de Infesta, no distrito do Porto, Matilde confessou estar empolgada porque só depois de muitos anos é que acontecerá algo semelhante em Portugal.

Além de várias tendas espalhadas pelo recinto de bebidas, comidas, artesanato e produtos locais, as pessoas podem ainda comprar um ‘kit’ composto por um boné, uma mochila e uma garrafa reutilizável para “um evento único e uma experiência inesquecível”, lê-se no cartaz promocional.

Portugal vai testemunhar hoje, numa rara oportunidade, um eclipse total do Sol, embora só seja a 100% numa pequena zona do Parque Natural de Montesinho, em Bragança.

Nesta zona, o fenómeno, que já não sucedia em Portugal desde 1912, terá a duração aproximada de 26 segundos.

O próximo eclipse total do Sol em Portugal será só em 2144.



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