Ideias para deteção precoce de incêndios florestais, isolamento feito de fungos e descarbonização do calor industrial vão representar o país em competição europeia de cleantech.
Os três vencedores portugueses vão representar Portugal na final europeia do ClimateLaunchpad 2026. Foto: Nelson Luis/UPTEC/DR
Portugal estará representado na final europeia do ClimateLaunchpad 2026, a maior competição mundial de ideias de negócio cleantech, com uma bateria térmica que armazena energia renovável, uma solução de combate a incêndios que simula cenários de comportamento do fogo, e painéis de isolamento acústico feitos a partir de materiais naturais.
Os três vencedores foram eleitos na final nacional, organizada pela UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto. Oito projetos subiram a palco para apresentar as suas soluções ao júri e ao público, numa competição apoiada pela Fundação Santander, a MEXT, a Ordem dos Engenheiros, e a Prio.
O primeiro lugar foi conquistado pela Latent Energy Systems, que está a desenvolver uma solução de armazenamento térmico para descarbonizar o calor industrial. Criada por João Pedro Freitas e Vicente Portela da Silva, estudantes de doutoramento na Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP), a tecnologia traduz-se numa bateria que armazena energia renovável e a disponibiliza como energia térmica sempre que necessário, permitindo a diversas indústrias substituir os combustíveis fósseis sem a intermitência das energias renováveis.
Em segundo lugar ficou a SIION, que apresentou uma proposta para o combate a incêndios florestais. A plataforma simula, em tempo real, milhares de cenários plausíveis de comportamento do fogo, recomendando as equipas e o equipamento certos, no local e momento em que são necessários, para apoiar decisões mais rápidas no terreno.
A terceira classificada, a FungiFoam, desenvolve painéis de isolamento cultivados a partir de micélio, parte vegetativa dos fungos. Uma vez que não é fabricado industrialmente, o produto é carbono-negativo, não tóxico e resistente ao fogo, podendo, também, ser utilizado como isolamento acústico em aplicações interiores.
Após os pitches, a final da competição contou com uma mesa-redonda dedicada ao empreendedorismo na era da sustentabilidade, moderada pela jornalista Luísa Correia, com a participação de Laetitia Arrighi de Casanova, diretora da B Lab Portugal, Luís Monteiro, Chefe da Divisão de Ambiente e Eficiência Energética da APDL e Eduardo Cardoso, Sustainability Manager da Coca-Cola Europacific Partners, além de Bruno Santos, co-fundador da Savearth, a startup vencedora da edição anterior do ClimateLaunchpad.
A decorrer em Portugal desde 2016, a competição já recebeu mais de 260 candidaturas, apoiou mais de 120 equipas e mais de 230 participantes. A nível mundial, o ClimateLaunchpad conta com mais de 18000 ideias de negócio submetidas e 5400 projetos apoiados, provenientes de 49 países.










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