Portugal nunca importou tantos produtos agrícolas: défice comercial recorde, produção em queda e dependência externa em alta


Também em outros países da Europa cresce o receio sobre a escassez de bens, sobretudo cereais, por uma espécie de efeito dominó. Em julho passado, a Associação Nacional de Agricultores (NFU, na sigla em inglês) do Reino Unido, Tom Bradshaw, avisou o país pode enfrentar escassez alimentar devido à onda de calor que atingiu mais de metade do território, e que acentuou as quebras nas colheitas, que já tinham sido fustigadas pelas cheias, no início do ano. Na ocasião, o responsável lembrava, numa entrevista à BBC Radio 4 que “os outros países em todo o mundo de que atualmente dependemos para produzir os nossos alimentos e legumes também estão a sofrer alterações climáticas”.  A pressão da escassez naquele país deverá recair sobretudo sobre países como França, Hungria, Espanha ou Alemanha, países que terão de suprir o défice britânico e que estão, também eles, a enfrentar escassez na produção.

 “Parece mesmo que vai haver alguma escassez de produtos [alimentares]”, alertou Bradshaw.

Portugal importa cerca de metade do seu trigo de França, tendo em Espanha e na Ucrânia outros importantes mercados, e recorre ao Brasil, à Ucrânia e aos EUA para suprir as principais necessidades de milho. É de França, também, que vem a maior percentagem de Cevada (40 a 50%), segundo dados do Eurostat.  

A quebra nas produções, a pressão no preço e a imprevisibilidade internacional deixam adivinhar que os consumidores vão continuar a sentir o peso da falta de oferta no bolso, na compra de bens alimentares.

Recorde-se que o preço do cabaz alimentar, que a DECO tem vindo a acompanhar semanalmente desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em janeiro de 2022, continua a bater recordes, e as famílias têm cada vez mais dificuldade em colocar na mesa tudo o que é necessário para cumprir as mais básicas necessidades. O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste custa agora 253,47 euros, mais 65,77 euros (ou 35%) que em 2022.



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