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A Europol coordenou, entre junho e julho deste ano, uma operação internacional destinada a identificar e remover conteúdos extremistas e niilistas difundidos pela rede online “The Com”, um ecossistema digital associado à radicalização de jovens, à violência extrema e à exploração de menores.
A operação contou com a participação das autoridades da Bélgica, Finlândia, Hungria, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Espanha e Suécia e teve como objetivo desmantelar a presença digital da organização, limitar a disseminação da sua propaganda e reforçar a cooperação com as plataformas digitais na deteção e denúncia de conteúdos terroristas e extremistas.
Segundo o comunicado da Europol, “uma estimativa de 4.340 ligações” para conteúdos violentos, extremistas e niilistas foi sinalizada durante uma iniciativa organizada pela Unidade de Referenciação da Internet da União Europeia (EU Internet Referral Unit) e pelo Centro de Inteligência contra o Terrorismo e o Crime Organizado de Espanha (CITCO). A ação complementou ainda as iniciativas desenvolvidas no âmbito do projeto COMPASS, coordenado pelo Centro Europeu de Luta contra o Terrorismo da Europol.
O que é a “The Com”?
A “The Com”, abreviatura de The Community (“A comunidade”, em tradução livre), refere-se a uma rede online de grupos marginais que partilham uma visão “misantrópica e niilista”. Segundo a Europol, estes grupos não têm “uma ideologia unificada ou uma estrutura centralizada”, mas estão ligados por uma cultura em que “a violência é muitas vezes um fim em si mesma”.
A agência europeia acrescenta que alguns destes grupos “adotaram crenças violentas extremistas de direita e visões aceleracionistas”, com o “objetivo de acelerar o colapso social por meios de ataques violentos e corrupção da juventude”.
Os grupos associados à “The Com” recrutam membros através das redes sociais, plataformas de mensagens e comunidades de videojogos, envolvendo-os em práticas como automutilação, tortura de animais e produção de material de abuso sexual de crianças. Paralelamente, distribuem propaganda em plataformas de fácil acesso para atrair jovens, encaminhando posteriormente os utilizadores para fóruns privados e grupos de conversação, onde decorre o processo de radicalização.
De acordo com a Europol, as vítimas “são normalmente coagidas a permanecer sob a influência dos perpetradores por meio de extorsão”, tornando-se alvo de manipulação e abuso continuados.
A Europol considera que esta operação demonstra a importância da cooperação internacional no combate à radicalização online e reforça a necessidade de as plataformas digitais identificarem e removerem rapidamente conteúdos extremistas antes de estes chegarem a potenciais vítimas.
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