A Smart Waste Portugal desenvolveu a metodologia Ecodesign Readiness Levels (ERL), que permite às pequenas e médias empresas (PME) avaliar o grau de integração de critérios de ecodesign no desenvolvimento dos seus produtos e identificar os próximos passos para reforçar essa incorporação.
A metodologia ERL pretende funcionar como um instrumento de “diagnóstico, planeamento e melhoria contínua”. Esta ferramenta foi desenvolvida no âmbito do projeto TransformEC -Transformação Circular.
Esta metodologia visa ainda preparar as empresas para as exigências do Regulamento Ecodesign for Sustainable Products (ESPR), em vigor na União Europeia desde 2024. O regulamento europeu pretende promover produtos mais duráveis, reutilizáveis, reparáveis, eficientes na utilização de recursos e recicláveis, reforçando o papel do ecodesign na transição para uma economia circular.
Segundo a Comissão Europeia, cerca de 80% dos impactos ambientais de um produto são determinados na fase de design. Assim, os requisitos europeus de ecodesign aplicados a 31 grupos de produtos permitiram reduzir em 10% o consumo anual de energia e gerar 120 mil milhões de euros em poupanças nos custos energéticos, de acordo com o Conselho da União Europeia.
Inspirada nos Technology Readiness Levels (TRL), utilizados para medir a maturidade tecnológica, a metodologia ERL adapta este conceito ao ecodesign. A ferramenta posiciona os produtos numa escala que vai desde o cumprimento dos requisitos legais mínimos até à integração estratégica e sistemática da sustentabilidade no seu desenvolvimento.
Com base nesta avaliação, as empresas podem identificar oportunidades de melhoria, definir prioridades de intervenção, orientar investimentos em inovação sustentável e acompanhar a evolução do desempenho ambiental dos seus produtos. A ferramenta contribui ainda para preparar as organizações para as novas exigências regulamentares e para as crescentes expectativas do mercado.
“O ecodesign é uma das áreas em que a transição para uma economia circular se pode traduzir em mudanças muito concretas. Este trabalho permitiu-nos compreender melhor o ponto de situação das PME e, ao mesmo tempo, criar ferramentas que as ajudam a transformar conhecimento em ação”, afirma Luísa Magalhães, diretora executiva da Smart Waste Portugal, em comunicado partilhado pela empresa.
“Queremos que as empresas consigam identificar o seu ponto de partida, perceber onde podem evoluir e integrar, de forma progressiva, critérios de circularidade no desenvolvimento dos seus produtos”, acrescenta.
Para apoiar a implementação da ferramenta, a Smart Waste Portugal disponibiliza um conjunto de materiais técnicos, incluindo a descrição da metodologia, a matriz de avaliação, um manual de aplicação, a ferramenta de autoavaliação em Excel e um guia explicativo, todos acessíveis através do seu website.
No âmbito do mesmo projeto, foi também desenvolvido o estudo “Estado do Ecodesign nas PME e Tendências”, que analisa o nível de adoção destas práticas pelas empresas, identifica desafios, oportunidades e tendências, e avalia o impacto do novo enquadramento regulamentar europeu. O trabalho baseia-se em análise documental, auscultação de stakeholders e sistematização de casos práticos desenvolvidos no âmbito do TransformEC.
O projeto TransformEC – Transformação Circular é financiado pelo COMPETE 2030, no âmbito do Sistema de Apoio a Ações Coletivas, na vertente Qualificação, e tem como copromotores a Smart Waste Portugal, o CVR – Centro para a Valorização de Resíduos e o CECOLAB – Laboratório Colaborativo para a Economia Circular.










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