O Arsenal inicia a defesa do título da Premier League como um dos poucos clubes que não foram afetados pela onda de trocas de treinadores durante a intertemporada. Mudanças que transformaram o cenário do futebol inglês.
Enquanto os métodos de Mikel Arteta no Arsenal são consolidados e confiáveis após quase sete anos no comando, o cenário é de renovação total entre os principais rivais: Manchester City, Liverpool e Chelsea iniciam novas eras com novos treinadores à frente.
Ao todo, um número recorde de nove clubes da Premier League começará a temporada com um novo técnico efetivo.
A grande questão pode ser se essa dança das cadeiras dos treinadores facilitará o caminho para o Arsenal conquistar o bicampeonato ou se dará origem a uma das temporadas mais imprevisíveis dos últimos anos.
Arsenal precisa evoluir, diz Arteta
Para o Arsenal, a filosofia é “em time que está ganhando não se mexe”, enquanto a equipe busca provar que o título da liga conquistado na temporada passada — o primeiro em 22 anos — foi apenas o começo de algo maior.
No entanto, a menos que você se chame Pep Guardiola, construir uma dinastia tem sido uma tarefa difícil na Premier League nos últimos tempos.
Ele transformou a conquista de títulos em algo rotineiro, com seis troféus em nove temporadas; antes dele, o último técnico a manter a coroa da Premier League havia sido Alex Ferguson, com o Manchester United, em 2009.
Havia a sensação de que os adversários começavam a decifrar as táticas de Arteta na reta final da temporada passada, e o espanhol sabe muito bem que estagnar não é uma opção.
Em vez de cruzar a linha de chegada em grande estilo, o Arsenal teve de suar a camisa na reta final da disputa pelo título.
Não foi um futebol vistoso; a dependência de bolas paradas e o esforço físico intenso cobraram seu preço de jogadores como Declan Rice e Bukayo Saka, que pareciam fisicamente e mentalmente esgotados após a Copa do Mundo.
Ainda assim, para as dezenas de milhares de torcedores que celebraram nas ruas do norte de Londres — vendo o Arsenal finalmente se livrar do estigma de “quase campeão” —, manter-se à frente do Manchester City era a única coisa que importava na temporada passada.
“Agora temos de mostrar que pertencemos a esse patamar; queremos evoluir e levar este clube a uma nova dimensão”, afirmou Arteta.
Houve surpresa com a venda de Leandro Trossard — peça-chave da equipe do Arsenal que conquistou o título — para o Besiktas, embora haja grande expectativa de que o ponta grego Christos Tzolis, contratado junto ao Club Brugge, traga gols e criatividade.
Arteta também previu que a chegada do combativo meio-campista Bruno Guimarães, vindo do Newcastle United, pode ajudar a elevar o nível de sua equipe.
Principais rivais na luta pelo título
É difícil não apontar o Manchester City como o principal rival do Arsenal mais uma vez, embora muito dependa da rapidez com que Enzo Maresca conseguirá imprimir sua marca em um elenco montado por Guardiola, mas agora desfalcado de várias figuras conhecidas.
Guardiola havia começado a construir um novo modelo de jogo, com o talento ofensivo de Rayan Cherki, Antoine Semenyo e Jeremy Doku municiando Erling Haaland, mas a estratégia apresentava falhas; a esperança é que o meio-campista inglês Elliot Anderson — contratado por um valor recorde para o clube, de 116 milhões de libras (156,6 milhões de dólares) — consiga dar coesão a tudo isso.
A despedida do ídolo do Liverpool, Mo Salah, deixou o clube em busca de uma nova identidade, enquanto Andoni Iraola tenta levar para Anfield o futebol inteligente que conquistou tantos admiradores no Bournemouth. Poucos apostariam contra o sucesso do espanhol.
O ex-meio-campista do Liverpool, Xabi Alonso, é o técnico mais recente encarregado de tentar montar o quebra-cabeça do Chelsea.
O clube terminou a temporada passada em 10º lugar e fora das competições europeias, após se separar de Maresca e, posteriormente, de Liam Rosenior. Brigar por uma vaga no G4 será a exigência mínima para Alonso, enquanto ele tenta concluir a reconstrução aparentemente interminável do Chelsea.
Mais uma vez, o clube do oeste de Londres investiu pesado, com as chegadas de Morgan Rogers (vindo do Aston Villa) e Maxence Lacroix (do Crystal Palace); além disso, o veterano Jordan Henderson, contratado junto ao Brentford, será uma peça valiosa, trazendo experiência a um elenco jovem.
O Manchester United terminou em terceiro lugar na temporada passada e retornou à Champions League; por isso, há grande expectativa de que Michael Carrick possa dar continuidade ao trabalho anterior ao iniciar sua primeira temporada completa no comando.
O técnico Unai Emery conduziu o Aston Villa a uma campanha excepcional na temporada passada e, apesar das saídas de Rogers e Lucas Digne, a equipe deve voltar a brigar por uma vaga entre os seis primeiros colocados.
Transferências
Embora as contratações de Maresca, Iraola e Alonso tenham dominado as manchetes, quase metade da divisão começará a temporada sob novo comando.
O alemão Marco Rose tentará dar continuidade ao trabalho de Iraola no Bournemouth; o Nottingham Forest aposta em Oliver Glasner para trazer a magia que rendeu dois grandes títulos ao Palace — clube que, por sua vez, espera que Pierre Sage se mostre um substituto à altura.
O Fulham contratou o espanhol Alvaro Arbeloa para substituir Marco Silva; o recém-promovido Ipswich Town recorreu a Gary O’Neil após a decisão de Kieran McKenna de fazer uma pausa; e o Newcastle United inicia a era pós-Eddie Howe com Matthias Jaissle no comando.
Surpresas à vista?
A bem-sucedida missão de recuperação liderada por Roberto de Zerbi no Tottenham Hotspur foi recompensada com um dos maiores investimentos em contratações na história do clube.
Resta saber se jogadores como o meio-campista italiano Sandro Tonali — contratado por 100 milhões de libras — e o zagueiro holandês Jan Paul van Hecke conseguirão transformar uma equipe que terminou em 17º lugar nas duas últimas temporadas em uma candidata a competições europeias.
Entre os clubes recém-promovidos, valerá a pena acompanhar o Coventry City, de Frank Lampard, que retorna à elite do futebol inglês pela primeira vez em 25 anos.











Leave a Reply