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Final da Supertaça de Portugal, 1 de agosto de 2026, 20h15
A ANTEVISÃO: O MESMO DAVID CONTRA OUTRO GOLIAS
A temporada 2026/27 abre como finalizou a sua antecessora. Um David contra um Golias, um embate que inicialmente conta com um vencedor antecipado, mas que em 2025/26 contou com uma grande surpresa. Tal como na história mitológica, o não favorito impôs-se no Jamor. O Torreense venceu o Sporting, numa tarefa hercúlea, levantou a primeira Taça de Portugal da sua história e garantiu um lugar na inauguração da época seguinte.
Finalmente a bola vai rolar e os futebolistas serão os protagonistas. Depois de semanas nos quais os rumores dominaram as capas dos jornais, com um escândalo a assolar o futebol nacional a finalizar a pré-temporada (um ‘brinde’ do presidente da Federação Portuguesa de Futebol), regressamos ao ponto inicial: o interior das quatro linhas, onde a ação se produz, a causa de tudo o resto.
O FC Porto x Torreense abre as hostilidades. Os dragões partem como favoritos, mas terão na memória o malogrado Sporting que saiu derrotado do Jamor, num encontro em que a formação de Luís Tralhão não teve medo de lutar de igual para igual. Já os de Torres Vedras tentarão realizar um novo feito. Não há dois jogos iguais, mas a atitude será certamente a mesma apresentada em maio.
Vivemos uma fase distinta. O FC Porto que terminou a última época não é exatamente mesmo que vai arrancar esta, tal como o Torreense que festejou pela noite dentro a conquista mais importante da sua história (mas que falhou a promoção à Primeira Liga) tem algumas diferenças do atual. Nem que seja pela forma física. Os atletas finalizaram a pré-temporada, as novas peças ainda se estão a tentar encaixar da melhor forma. Em certas ocasiões, este tipo de situação dá azo a surpresas. Um ponto que beneficia os dois emblemas foi a manutenção das equipas técnicas. Francesco Farioli e Luís Tralhão conhecem a casa, sabem o que é vencer nos respetivos projetos, serem amados pelos próprios adeptos. Todavia, basta uma derrota para a confiança deixar de estar no topo.
A versão do FC Porto de 2026/27 não tem grandes diferenças à anterior. Equipa que ganha não mexe. As entradas mais revlevantes foram as de Inbeom Hwang, que deixou uma boa imagem no Mundial 2026, e André Silva, que regressou a casa depois de ter ‘renascido’ no Elche. André Villas-Boas conhece bem o terreno e percebeu o que faltava à equipa sem realizar grandes invenções. Não existia qualquer justificação para uma revolução. Perderam-se Thiago Silva, Seko Fofana, Terem Moffi e Luuk de Jong, mas o plantel não ficou mais fraco. A grande virtude dos azuis e brancos é a atitude apresentada. Jogando bem ou mal, a missão passa por deixar tudo em campo pela vitória. Francesco Farioli assim o exige.
Já o Torreense contou com um verão bem mais atribulado. O sonho de participar na Europa League levou jogadores de outro traquejo ao Estádio Manuel Marques. Um verão de um emblema da Segunda Liga conta quase sempre com mais de uma dezena de mudanças. No Oeste isto não foi diferente e o sucesso alcançado adensou a situação. Luís Tralhão acelerou para preparar o seu novo plantel para a primeira prova de fogo.
Pese embora o triunfo na Taça de Portugal, o plantel do Torreense não está habituado a estas andanças, por muito que o projeto tenha um potencial de crescimento bastante elevado. É tarefa do treinador mentalizar os atletas para responsabilidade e peso de jogar esta Supertaça. Nesse aspeto, Francesco Farioli terá uma missão mais simples.
André Sabino conseguiu manter as principais peças do xadrez azul-grená, com as manutenções de Stopira, Javi Vázquez, Alejandro Alfaro, André Simões, Manu Pozo, Dany Jean ou Musa Drammeh, acrescentando elementos que no papel vêm para ser diferenciais: Juan María Alcedo, Jonathan Mutombo, Bryan Meyo, Carlos Reina, Hugo Pérez ou Karem Zoabi. Se o conseguirem ser, o plantel montado está obrigado a uma época com final feliz.
De um lado, a tranquilidade do Rio Douro, do outro, o mar agitado da costa da Extremadura. No papel, o novo Golias volta a ser favorito, com o David a procurar surpreender. A partir do apito inicial de André Narciso, é 50/50.
O Estádio de Coimbra foi o escolhido pela Federação Portuguesa de Futebol para albergar o começo de época, um recinto que está oficialmente de volta ao futebol profissional, com o regresso da Académica de Coimbra à Segunda Liga. A Supertaça de Portugal é a melhor prova possível para confirmar que está tudo a postos para 2026/27, temporada que promete ser uma festa.
10 DADOS RÁPIDOS
- Primeira Supertaça de Portugal na história do Torreense;
- FC Porto disputa o título pela 35.ª vez, perdendo 10 e ganhou 24;
- Entre FC Porto e Torreense, estará o sucessor de Benfica, que venceu a última edição;
- Francesco Farioli e Luís Tralhão enfrentam-se pela primeira vez entre si;
- Os dois técnicos nunca estiveram nesta prova;
- Em 1956, o FC Porto venceu o Torreense na final da Taça de Portugal por 2-0, sendo este o seu primeiro triunfo no troféu;
- O FC Porto venceu pela última vez a Supertaça de Portugal em 2024/25, pelas mãos de Vítor Bruno, com um triunfo épico contra o Sporting por 4-3;
- Estádio de Coimbra recebe o jogo decisivo pela segunda vez. A primeira foi em 2004, com um FC Porto 1-0 Benfica;
- André Narciso apitará pela final uma Supertaça de Portugal;
- Primeiro jogo oficial entre equipas portuguesas desde o vazamento dos áudios protagonizados por Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
JOGADORES A TER EM CONTA


Victor Froholdt: O FC Porto de 2025/26 foi um sucesso em parte pela contratação do médio dinamarquês no mercado de verão. O jogador transformou-se num dos faróis do projeto de Francesco Farioli e, em condições normais, um titular absoluto. Intenso, com garra, entendedor dos valores exigidos no Dragão. Um autêntico todo o terreno, que consegue conjugar bem a sua força e a sua velocidade, aparecendo à hora de defender e não dececionando no momento de ir em busca de golo.


Javi Vázquez: O lateral esquerdo manteve no Estádio Manuel Marques para surpresa de muitos. Considerado o melhor jogador da sua posição na Segunda Liga e apontado a voos maiores, o espanhol é um perigo. Javi Vázquez tem uma tarimba ofensiva que lhe permite ser uma opção de perigo no momento ofensivo do Torreense (o extremo direito do FC Porto terá de baixar várias vezes) e é seguro no momento defensivo.
XI’S PROVÁVEIS
FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Zaidu Sanusi, Alan Varela, Victor Froholdt, Gabri Veiga, Pepê, Borja Sainz e André Silva
Treinador: Francesco Farioli
«Agora cabe-nos transferir todo o trabalho que investimos numa grande exibição para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para vencer este troféu».
Torreense: Adriel Ramos, David Bruno, Stopira, Mohamed Diadié, Javi Vázquez, Alejandro Alfaro, Carlos Reina, Nuha Jatta, Luis Quintero, Musa Drammeh e Dany Jean
Treinador: Luís Tralhão
«O FC Porto é uma equipa de nível mundial, uma equipa que vai competir na Liga dos Campeões e sabemos que será difícil contrariá-los. Sabemos das dinâmicas que tem enquanto equipa e vamos tentar aproveitar isso».
PREVISÃO DE RESULTADO: FC Porto 2-0 Torreense








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