Copa do Mundo 2026: França 0 x 2 Espanha, confira os melhores momentos!
Espanha domina ‘melhor futebol da Copa’, mantém freguesia recente da França e vai à final do Mundial. Crédito: Cortesia: CazeTV
Até quando “acerto” eu errei: antes de a bola rolar na melhor Copa de todos os tempos, meu palpite (jogando com responsabilidade) era Espanha bicampeã mundial derrotando Portugal. Jogo que até rolou. Mas, por demérito dos lusitanos, já nas oitavas.
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Quando a Espanha ainda não era aquela. Ou a que foi em Arlington contra uma França irreconhecível. Escalada agora no Olimpo das seleções que conquistaram o mundo – mas não a Copa. Como o Brasil-50. A Hungria-54. A Holanda-74. O Brasil-82. E, em menor qualidade, a França-26. A melhor seleção francesa que vi. Mesmo sem título. Mesmo sem Zidane e Platini.

Mbappé não consegue levar a França à sua terceira final seguida de Copa. Foto: Franck Fife/AFP
A bola ficou desde o início no estádio climatizado com a Espanha, como se imaginava, porque ela adora. E a recíproca é real. França pode ficar com a bola, mas pode ficar também sem ela, porque ninguém faz tantos gols e cria tantas chances como a França. Ninguém ataca e também contra-ataca tão bem, tão letalmente, tão velozmente, como o time de Mbappé, de Olise, de Dembélé e de Barcola. A escolha inicial de Deschamps para deixar o veloz longa no lugar de Doué, pela esquerda, no 4-2-4, que pode ser 4-2-3-1, e que pode ser devastador pra qualquer equipe.
Ou podia.
Porque a Espanha não é uma equipe qualquer, e não apenas por Lamine Yamal. Também porque o seu treinador De la Fuente achou a equipe durante a Copa. Ao apostar em Porro, o melhor lateral-direito, no lugar de Llorente, deixou a equipe mais ofensiva. Ao colocar Fabián Ruiz no lugar do excepcional Pedri, deu mais equilíbrio defensivo e, ao mesmo tempo, um jogador que se não tem a mesma qualidade, genialidade e criatividade, pisa mais na área, como fez nas quartas de final.
A Espanha ficou melhor, mas ainda não a ponto de ser melhor do que a França. Até Arlington.
Com 12 minutos de jogo, 63% da bola era espanhola, mas 0% de emoções no jogo, até porque muitos passes errados das duas equipes, ainda mais da França.
Com 14 minutos, Olise teve mais sorte do que juízo ao tentar desarmar Rodri, porque acertou as travas da chuteira no tornozelo do volante espanhol – o melhor em campo. Por sorte, Rodri não se lesionou e seguiria armando o jogo e desarrumando o rival
E, por sorte, Olise não recebeu o cartão que merecia.
Na sequência, a França acertou o seu primeiro contragolpe. Desatenção espanhola, Mbappé recebeu livre, não conseguiu dominar, mas nada aconteceu. Como pouco ocorreria na área espanhola.
Até que aos 19 minutos, o mais fraco elo da França, sabido por todo mundo, Digne, foi juvenil como um Teletubbie e foi dar um bico pra lateral sem imaginar que pudesse aparecer simplesmente Yamal, com muita esperteza, para correr em direção à bola, já fechando os olhos imaginando o impacto que veio.
Pênalti desnecessário, muito bem marcado pelo árbitro, sem discussão alguma, na melhor Copa de todas, inclusive de arbitragem. (Entendam: não é a arbitragem dos sonhos, está longe de ser, e o VAR escancara isso mais ou cria ainda mais problemas. Mas ela está longe, esta arbitragem, de ser tão ruim como já foi em outras Copas).
Aos 21m52s, Oyarzabal marcou mais um de pênalti. Um a zero Espanha. O time que mais ficou com a bola e ganhou um pênalti na bobagem de Digne.
Desgraça pouca é bobagem, Saliba sentiu uma lesão e saiu machucado aos 28 minutos. Aos 29, Lacroix, que já jogou na Copa, entrou. É bom, mas não é Saliba para fazer a dupla de zaga com Upamecano. Além de perder um jogador muito importante, um dos melhores zagueiros do mundo hoje, perfeitamente entrosado com Upamecano, ainda perdeu uma das substituições e uma das janelas para Deschamps abrir.
O jogo seguiu meio parado, a princípio só com o lance do pênalti doado por Digne, e com nenhuma chance, mesmo poucas faltas. A primeira espanhola foi de Cucurella, que levou merecidamente o cartão amarelo, aquele que faltou para Olise.
Futebol tem disso. Taticamente uma aula das duas equipes, tecnicamente um primor de jogo, apesar do nervosismo. Mas, em termos de chance, nenhuma. Chatice, bastante. Muito abaixo do nível de França e de Espanha e de tudo aquilo que se viu de ótimo nesta Copa do Mundo.
Mas a saída apoiada não merece sempre apoio. Um erro de saída da França originou a jogada mais bonita coletiva da Espanha em toda a Copa do Mundo, com direito a calcanhar, troca de posições e a zaga salvando a bobagem que havia feito diante do adversário que sabe tocar a bola, sabe trocar posição e jogou bonito aos 37 do primeiro tempo.
A França começou a espetar mais a bola para a turma da frente, sobretudo Mbappé, mas como já aconteceu nos seus piores dias no Real Madrid, o atacante esteve impedido algumas vezes. Também pela excelente linha, no timing perfeito, de impedimento da equipe espanhola, muito bem acompanhada pela excelente arbitragem.
Aos 41 minutos, não teve como conter Mbappé na velocidade, o jogador mais veloz do mundo, entre tantas coisas que ele é o melhor do planeta hoje. Mas aí o mérito do zagueiro da sobra, Unai Simón, goleiro que teve um tempo de bola preciso pra dividir o lance fora da área no carrinho e evitar o gol de empate da França. Quando a linha de zaga não aparece, o goleiro vai muito bem e faz parte de todo esse complexo defensivo.
Na sequência, a única chegada mais perigosa da França não foi nada, a não ser uma desatenção de Oyarzabal, que cabeceou uma bola que estava na mão do goleiro espanhol. Fora isso, nada criou a França em sua pior etapa em toda a Copa. A única chance real, se dá para usar o termo, foi aos 46 minutos, num primeiro avanço do Koundé, quando Mbappé chegou tarde para a bola. Não conta nem como estatística, conta como um cruzamento errado e uma chegada tardia do Mbappé, mesmo com todo o pique. E quase nada para o melhor time da Copa. Em um momento em que a França começou a rodar mais o ataque como sabe fazer, Dembélé foi jogar por dentro, Olise voltou à direita onde brilhou intensamente nas últimas temporadas pelo Bayern de Munique.
A França voltou com Koné no lugar do pendurado Rabiot, para tentar fazer o que fez em quase toda a Copa. Dos 16 gols franceses, 11 foram no segundo tempo.
Foram.
A Espanha não perdia desde março de 2024. São 36 jogos. Viraram 37.
Dez minutos e nada acontecia e por isso Deschamps, enfim, colocou Doué no ataque no lugar do Barcola. A escolha por Barcola, possivelmente, era para ajudar com Porro e Yamal. Não conseguiu e não conseguiu correr. E com isso Doué, mais habilidoso, mais criativo, entrou com certo atraso.
Até 12m37s. A entrada de Doué era para atacar, não era pra marcar. E justamente por não marcar, Pedro Porro, o melhor lateral da Copa, tabelou com Dani Olmo, que já tinha tido liberdade no lance seguinte, pra receber em linda jogada e na saída do Mané fazer 2 a 0.
Aos 18 minutos, a primeira jogada em que Unai Simón teve que fazer a defesa em lance de Mbappé pela esquerda, que se recusou a aceitar a derrota como havia murchado a França depois do gol do Porro.
Mas absolutamente sem ângulo, Mbappé bateu e Simón mandou pra escanteio. Na sequência, Mbappé só não diminuiu porque Cucurella jogou mais uma vez com o tamanho do cabelo dele, gigante, e salvou o gol.
Mais mudanças nas duas equipes de grandes elencos foram feitas, mas nada mudou no placar. A Espanha, com inteligência e sabedoria, administrou o resultado e a França se despediu da Copa antes da hora, ou melhor, na hora que a Espanha resolveu ganhar e jogar futebol.










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