Por Guilherme Diniz
Recentemente, a seleção da Espanha alcançou a expressiva marca de 38 jogos sem perder, superou o recorde anterior da Itália e é a nova dona da maior sequência sem derrotas na história do futebol de seleções. A série espanhola tem um porém pelo fato de a equipe ibérica ter sido derrotada nos pênaltis por Portugal na final da Nations League de 2024-2025, ao contrário da Itália, que ficou mesmo 37 jogos sem qualquer derrota, nem nos pênaltis. Mesmo assim, nessas séries são contabilizadas derrotas apenas no tempo normal ou prorrogação, descontando pênaltis. Confira a seguir as maiores séries invictas de seleções na história.
Espanha – 38 jogos sem perder entre 2024 e 2026
29 vitórias e 9 empates / 95 gols marcados / 28 gols sofridos

Após o título da Nations League de 2022-2023, a Espanha iniciou uma trajetória de grandes vitórias e conquistas que forjaram o time finalista e campeão da Copa do Mundo de 2026. Depois do troféu continental, a Roja venceu seis jogos seguidos até ser derrotada por 1 a 0 pela Colômbia no dia 22 de março de 2024, em amistoso realizado na cidade de Londres (ING). Aquela foi a última derrota dos comandados de Luis de la Fuente, que iniciaram no empate de 3 a 3 contra o Brasil, em Madri, a sequência de 38 jogos sem perder.
Após duas vitórias em amistosos preparativos para a Eurocopa, a Espanha venceu todos os sete jogos da campanha do tetracampeonato europeu, consolidado com a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra no Estádio Olímpico de Berlim. A sequência de nove vitórias seguidas foi quebrada no jogo seguinte ao título europeu, quando a Roja empatou em 0 a 0 com a Sérvia, no Marakana, no primeiro jogo da Nations League de 2024-2025.


Os espanhóis seguiram imbatíveis até a final da competição, já em 2025, quando empataram em 2 a 2 com Portugal e, nos pênaltis, perderam o título. Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, a equipe venceu cinco jogos, empatou um e entrou em 2026 defendendo sua invencibilidade em amistosos contra Sérvia (3 a 0), Egito (0 a 0), Iraque (1 a 1) e Peru (3 a 1). Na Copa, o empate em 0 a 0 com a sensação Cabo Verde assustou, mas a Espanha venceu todos os jogos seguintes, derrotou a Argentina na final por 1 a 0 e alcançou a incrível marca de 38 partidas sem derrota, o novo recorde mundial.
Itália – 37 jogos entre 2018 e 2021
28 vitórias e 9 empates / 93 gols marcados / 12 gols sofridos

Campeã da Eurocopa de 2020 (disputada em 2021) de maneira brilhante, a Itália de Roberto Mancini quebrou o recorde que antes era da seleção brasileira e atingiu a marca de 37 jogos sem perder entre 2018 e 2021. Tudo começou em amistoso disputado em outubro de 2018, no empate em 1 a 1 contra a Ucrânia. Depois, a Azzurra venceu a Polônia, empatou com Portugal e emendou 11 vitórias seguidas, englobando jogos válidos pelas Eliminatórias da Euro de 2020. Entre 2020 e 2021, a equipe alcançou mais 13 vitórias seguidas entre jogos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022, amistosos e a campanha da Eurocopa. A sequência de vitórias foi quebrada com o empate diante da Espanha na semifinal da Euro, mas a Azzurra venceu nos pênaltis e foi para a decisão, na qual empatou em 1 a 1 com a Inglaterra, derrotou o English Team nos pênaltis e levantou o troféu em pleno estádio de Wembley.

A série invicta foi quebrada em outubro de 2021, na derrota para a Espanha por 2 a 1 na semifinal da Nations League de 2020-2021, resultado que foi como uma kriptonita para a equipe de Mancini. Dali em diante, a Itália não se encontrou, empatou jogos que não poderia empatar nas Eliminatórias para a Copa e teve que disputar a repescagem contra a Macedônia do Norte. O resultado todo mundo lembra: a Azzurra perdeu por 1 a 0, em casa, e ficou de fora de outra Copa do Mundo. Leia mais clicando aqui!
Espanha – 35 jogos sem perder entre 2007 e 2009
32 vitórias e 3 empates / 73 gols marcados / 11 gols sofridos

A Roja conseguiu sua primeira grande série invicta no início de sua era de ouro, quando era comandada por Luis Aragonés. Tudo começou em 07 de fevereiro de 2007, no triunfo sobre a Inglaterra por 1 a 0, em amistoso disputado na cidade de Manchester (ING). Na sequência, a equipe venceu quatro jogos seguidos nas Eliminatórias para a Eurocopa de 2008, derrotou a Grécia em amistoso por 3 a 2, e seguiu imbatível na caminhada das Eliminatórias, com quatro vitórias e um empate, além de um empate sem gols com a Finlândia. Em 2008, os espanhóis venceram quatro amistosos: 1 a 0 na França, 1 a 0 na Itália, 2 a 1 no Peru e 1 a 0 nos EUA até iniciarem a jornada na Eurocopa, quando venceram os três jogos da fase de grupos, empataram sem gols com a Itália e venceram nos pênaltis por 4 a 2 nas quartas de final, venceram a Rússia por 3 a 0 na semifinal e derrotaram a a Alemanha por 1 a 0 na final, celebrando um título europeu depois de 44 anos de jejum.

Entre o final de 2008 e começo de 2009, a Roja venceu a Dinamarca em amistoso (3 a 0) e também todos os seus compromissos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, além de amistosos contra Chile (3 a 0), Inglaterra (2 a 0) e Azerbaijão (6 a 0). Em junho, a equipe viajou até a África do Sul para a disputa da Copa das Confederações e fazia uma boa campanha, com três vitórias na fase de grupos, mas caiu diante dos EUA na semifinal por 2 a 0 e amargou o fim da sequência de 35 jogos sem perder. O mais impressionante foi o aproveitamento conquistado por aquela equipe: apenas três empates em 35 jogos. Leia mais clicando aqui!
Brasil – 35 jogos sem perder entre 1993 e 1996
29 vitórias e 6 empates / 81 gols marcados / 16 gols sofridos

A seleção brasileira conseguiu uma notável série invicta de 35 partidas sem perder (e não 36 como dizem algumas fontes) entre 1993 e 1996. Após derrota por 2 a 1 para a Alemanha, em amistoso disputado na cidade de Colônia (ALE) em novembro de 1993, a equipe comandada por Carlos Alberto Parreira venceu o México por 1 a 0, em amistoso disputado em Guadalajara (MEX), e seguiu imbatível até começar sua jornada em busca do tetracampeonato mundial, que teve duas vitórias e um empate na fase de grupos, três vitórias na segunda fase e um empate em 0 a 0 com a Itália na grande final, com triunfo nos pênaltis por 3 a 2.

Na sequência, a equipe, já comandada por Zagallo, venceu três amistosos e empatou um antes de conquistar a Copa Umbro de 1995, quando venceu Suécia (1 a 0), Japão (3 a 0) e Inglaterra (3 a 1). Naquele mesmo ano, o Brasil disputou a Copa América e permaneceu invicto até a final, quando empatou em 1 a 1 com o Uruguai e acabou perdendo nos pênaltis por 5 a 3, o que deu ao time canarinho o vice-campeonato. Já em 1996, a equipe disputou a Copa Ouro e chegou à final, porém, acabou perdendo para o México por 2 a 0 e viu ruir o sonho do título e de chegar aos 36 jogos sem derrota.
Argélia – 35 jogos sem perder entre 2018 e 2022
26 vitórias e 9 empates / 86 gols marcados / 21 gols sofridos

Mesmo sem ter disputado as Copas de 2018 e 2022, a Argélia fez grandes campanhas nas competições que disputou entre 2018 e 2022 e construiu a maior série invicta de uma seleção africana em todos os tempos. E tal série é ainda maior se considerarmos as seis partidas da Copa Árabe de 2021, vencida pelos argelinos, mas disputada por uma equipe que não era, administrativamente, a mesma seleção principal comandada por Djamel Belmadi. Naquele ano, a Argélia foi ao torneio com uma seleção alternativa, dirigida por Madjid Bougherra, composta principalmente por jogadores que atuavam em clubes argelinos e de outras ligas árabes.
Essa equipe era habitualmente denominada Argélia A’, uma espécie de seleção secundária, que não tinha a maior parte dos atletas que jogavam nas principais ligas europeias, como Riyad Mahrez, Ismaël Bennacer, Ramy Bensebaini e Saïd Benrahma, por exemplo. Por isso, os jogos da Copa Árabe acabaram de fora da contagem tanto da FIFA quanto da RSSSF, reduzindo de 41 para 35 partidas de invencibilidade.

A sequência começou nos 4 a 1 sobre Togo, nas Eliminatórias para a Copa Africana de Nações. Depois de superar as preliminares, a equipe alviverde venceu seis e empatou um dos sete jogos da campanha do título continental de 2019, vencido sobre Senegal após vitória por 1 a 0 na decisão disputada no Cairo (EGI). A seleção argelina seguiu embalada e com esperança de disputar a Copa do Mundo, alternando sequências de vitórias com alguns empates. Até que, em janeiro de 2022, os argelinos perderam por 1 a 0 para Guiné Equatorial, na fase de grupos da Copa Africana de Nações, e a série invicta chegou ao fim.
E, curiosamente, o revés significou a derrocada desastrosa do time alviverde. A equipe perdeu para Costa do Marfim por 3 a 1 o duelo seguinte e foi eliminada da competição continental. E, nas Eliminatórias para a Copa de 2022, no jogo decisivo contra Camarões pela vaga, venceu a ida por 1 a 0 fora de casa, mas perdeu a volta por 2 a 1 em casa e viu os camaroneses ficarem com a vaga no Mundial graças ao critério do gol qualificado. Os argelinos só voltariam a um Mundial em 2026, quando acabaram eliminados pela Suíça na fase de 16 avos de Final.


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