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Temos mais um Minuto 90 na Rádio Observador. Eu sou a Filipa Duarte, tenho comigo o Diogo Varela. Diogo, boa noite.
Olá, Filipa, boa noite.
Hoje estamos a acompanhar os últimos minutos de Inglaterra e Gana. Entramos agora no período de compensação. Estamos a tentar perceber quantos minutos é que vão dar.
Parecem-me seis.
Apostas em seis minutos.
Vamos ver se a minha visão está em dia.
Olha, dito e feito. Muito bem, estava certo. Diogo, vamos daqui a pouco aos nossos habituais destaques. Primeiro, o habitual balanço. O que é que nos contas sobre esta partida?
Desde logo, há que destacar o facto de a seleção do Gana ser orientada por um treinador português. Falamos aqui de Carlos Queiroz, o selecionador do Gana, que já está aqui também a participar na quinta presença do técnico português em Campeonatos do Mundo. Tinha participado com Portugal no Mundial de 2010, depois rumou ao Irão três temporadas, digamos assim, 2014, 2018 e 2022. Agora está aqui na seleção africana do Gana e está, para já, com uma vitória na primeira jornada e aqui com 90 mais um, a aguentar um precioso empate frente a uma das favoritas, Inglaterra. E há que realçar, Filipa, o primeiro remate enquadrado de Inglaterra só surgiu por Harry Kane ao minuto 68, ou seja, a Inglaterra demorou mais de uma hora de futebol a conseguir enquadrar um remate à baliza do Gana.
Primeira parte adormecida.
Sim, primeira parte adormecida. Agora há aqui um canto, mas já passou toda a grande área da seleção do Gana. Pontapé de baliza para a seleção de Carlos Queiroz. É curioso também porque na baliza está Benjamin Azare, ele que acaba por ter esta oportunidade uma vez que na primeira jornada o Gana venceu o Panamá por uma bola a zero e o resto, Carlos Queiroz até se tornou o selecionador mais velho da história dos Campeonatos do Mundo, com 73 anos de idade, a vencer um jogo numa fase final. Nesse jogo, o habitual titular lesionou-se e aqui surgiu a oportunidade para este número 16, Benjamin Azare, ele que já tem tido várias intervenções logo após esse minuto 68, o tal primeiro remate enquadrado de Inglaterra, daí para a frente, na última meia hora, Inglaterra carregou muito, mas apareceu o guarda-rede suplente a travar tudo. É também caso para dizer a alcunha da seleção do Gana. São os Black Stars, as Estrelas Negras, e está mesmo com a estrelinha da sorte. Mas é uma estrelinha merecida, porque é verdade que Carlos Queiroz montou o chamado autocarro, trancou a sete chaves a baliza. Mais um canto para Inglaterra. Vamos ver se ainda há aqui alguma coisa. E corta em cima da linha.
Foi quase.
É um corte em cima da linha por parte da seleção do Gana. Novo canto para a Inglaterra. É uma parte final.
É a estrelinha a dar sinal.
É verdade, Filipa. É sufocante, está a ser sufocante para a seleção africana este momentum final de Inglaterra. A seleção dos Três Leões vai à procura de novo triunfo, outra vez a bater o canto e agora afasta o guarda-redes. Noventa mais três. Já só faltam precisamente três minutos para terminar esta partida em Massachusetts. Vai decorrendo este jogo entre Inglaterra e Gana, duas seleções que entraram a vencer. Como eu já tinha dito, o Gana bateu a frágil seleção do Panamá. Na teoria, é a seleção mais acessível deste grupo. A Inglaterra triunfou por quatro bolas a duas sobre a Croácia, que é também uma seleção que ainda tem uma palavra a dizer. Ora mais um ataque para Inglaterra, volta a cortar a seleção do Gana. Não entra.
Hoje está difícil.
É com unhas e dentes, como defende esta seleção das Estrelas Negras. As Estrelas Negras vão fechando a baliza, a seleção do Gana, perante a equipa dos Três Leões. Nova tentativa, mais um ressalto e há novo canto.
Mas a Inglaterra também não desiste.
Não. A Inglaterra continua a pé fundo. Agora vamos lá ver se consegue ultrapassar esse muro amarelo. É desta forma que está vestida a seleção ganesa. Já só faltam dois minutos, Filipa.
Vamos ver o que é que vai sair daqui, ver se é desta, se a Inglaterra consegue fazer o gol e ultrapassar esta muralha de defesa.
Até agora não está fácil. Novo canto, desta vez é à direita do ataque. Os outros dois que aqui narramos, entre aspas, neste minuto 90, foram à esquerda do ataque inglês. Agora do lado direito. Bem, já há quem faça figas na bancada do lado inglês.
A torcer para que aconteça um gol.
Sendo que Carlos Queiroz lança agora mais um defesa, portanto, mais alguém para a muralha. A entrada de Baba Rahman. Estamos já no último minuto deste jogo entre Inglaterra e Gana. Vamos só aqui acompanhar este último canto batido pela seleção inglesa. Novo corte do Gana, de facto, a muralha amarela, e agora a falta ofensiva. Portanto, Filipa, respira o Gana e nós também vamos respirar um pouco.
Vamos respirar um bocadinho. Temos notícias para dar, depois continuamos este Minuto 90.
Fica prometido.
Temos os destaques para dar aos nossos ouvintes. Voltamos depois deste jornal das 11h. Estamos de volta ao Minuto 90. Diogo, olá mais uma vez. Estávamos a acompanhar o Inglaterra-Gana. Por muita insistência da Inglaterra, acabou mesmo por ficar zero a zero.
Não conseguiram derrubar a tal muralha amarela, muitíssimo bem montada, organizada pelo português Carlos Queiroz. Ele que, de resto, é o único treinador português no Mundial de 2026 e que já tinha batido esse recorde na primeira jornada, ao também tornar-se o treinador mais velho de sempre, com 73 anos de idade, a vencer um jogo numa fase final. De facto, havia o claro favoritismo do lado da Inglaterra, da seleção dos Três Leões, mas, Filipa, no futebol, a teoria não ganha, ganha a prática. E na prática, o Gana efetivamente conseguiu anular esta seleção de Inglaterra. E agora as duas seleções ficam com quatro pontos, independentemente do que Panamá ou Croácia fizerem já daqui a pouco mais de 40 minutos, à meia-noite de Portugal continental, o Gana está a um empate de garantir a qualificação para a próxima fase. E até pode ser aqui um bom presságio, Filipa, para a seleção de Carlos Queiroz, uma vez que é apenas a segunda ocasião em que o Gana consegue ficar invicto nas primeiras duas jornadas de uma fase de grupos do Mundial. A primeira vez tinha acontecido no Mundial 2010, na África do Sul, e essa foi a melhor campanha de sempre do Gana nos Campeonatos do Mundo. Chegou às quartas de final da prova. Portanto, pode ser aqui um bom presságio para a seleção africana orientada por Carlos Queiroz perante uma favorita, como é o caso de Inglaterra.
Claro que sim. Já tínhamos feito um balanço da partida. Se calhar agora, Diogo, passamos aos nossos quatro destaques, a não ser que tenhas mais alguma nota para dar. Portanto, vamos já começar.
Vamos avançar.
Vamos já passar à pérola. Começamos com a pérola, Diogo. Quem ou o que se destacou neste Inglaterra-Gana?
Sim, neste caso, vai ser quem e não vai ser uma individualidade. Eu vou mesmo dar a pérola ao coletivo do Gana, porque é verdade que há muito aquela frase de “cada um vai para a guerra com as armas que tem”. E o Gana é uma seleção, em termos teóricos, mais frágil do que a Inglaterra, não tem os argumentos que a seleção inglesa tem e obviamente era esperado que Carlos Queiroz fosse montar o tal chamado autocarro. Assim o fez, só que a Inglaterra não conseguiu derrubar. E o Gana no contra-ataque quase podia ter surpreendido ainda mais e até ter ganho este jogo. Podia ter ganho o jogo, não conseguiu, mas olhando à estatística, a Inglaterra tem quase 80% de posse de bola, ficou nos 79%.
Ainda foi uma grande diferença.
Fez 19 remates contra apenas dois do lado africano, só que depois, a nível de remates à baliza, que é isso que conta, dos 19, Inglaterra só fez três. O guarda-redes tem três defesas, portanto, há muito mérito coletivo e hoje a minha pérola é mesmo geral para a seleção do Gana, que consegue um belo e importante ponto na ótica africana.
Sem dúvida. Vamos passar à sentença. O que é que fica do jogo para o futuro?
O que fica do jogo?
Sendo que este empate foi um ótimo resultado para Gana.
Sim, na ótica do Gana é um empate com sabor a vitória. Para Inglaterra é um bocadinho mais o inverso. Mas, de facto, como sentença deste jogo, fica um grupo L em que Inglaterra e Gana têm claramente a faca e o queijo na mão para seguirem em frente. A Inglaterra tem o último jogo mais fácil, tem o Panamá pela frente, que é destas quatro seleções do grupo L, a mais acessível. O Gana tem o tal jogo que eu já aqui falei frente à Croácia, mas depende unicamente de si própria a seleção ganesa. Basta empatar com a Croácia para garantir a qualificação para a próxima fase. Olhando ainda para Inglaterra, Filipa, se tentarem observar o copo meio cheio, a Inglaterra nunca perdeu para seleções africanas em Campeonatos do Mundo. Este foi o oitavo jogo, quatro vitórias, quatro empates.
Muito bem, eu acho que nós saltamos aqui o joker, Diogo, engana-me se eu estiver errada. Saltamos, mas vamos voltar aqui um bocadinho atrás. Desde que se deu os quatro destaques, está tudo bem. Vamos ao joker, o herói improvável.
O herói improvável vai ser o guarda-redes do Gana, o Benjamin Azare, até por aquilo que eu tinha falado um bocadinho na primeira parte do Minuto 90. Ele aproveita a lesão do habitual titular, o Lawrence Ati Zigi, que se lesiona nessa primeira jornada frente ao Panamá. Entra Benjamin Azare, ele que atua até em casa, digamos assim, joga no Gana, nunca saiu do Gana, atuou sempre por lá a jogar no Hearts of Oak e aproveitou essa oportunidade. Quando entrou, não sofreu gols contra o Panamá, porque o Gana vence esse jogo por uma bola a zero e aqui em 90 minutos frente à superpoderosa Inglaterra, volta a não sofrer gols. Ou seja, às vezes o azar de uns é a sorte de outros e o Benjamin Azare, que até tem aqui este apelido, está a ser um bocadinho sortudo e portanto é o joker, o herói improvável desta partida.
Muito bem, vamos fechar com a mentira. O que é que aconteceu e não deveria ter acontecido?
Eu acho que aqui será fácil perceber, Filipa. De facto, a expectativa de que Inglaterra fosse num grupo com Gana, Panamá e Croácia fazer o pleno de vitórias, ou seja, três jogos, três vitórias, os nove pontos. Para já, tem quatro, sofreu aqui este empate, este tropeção frente ao Gana, mas a mentira vai mesmo por aí. A expectativa de que Inglaterra tinha todo o favoritismo e pudesse bater a seleção de Carlos Queiroz, não conseguiu. E a verdade é que, obviamente, a estatística dá aqui favoritismo também a Inglaterra, com aquela percentagem quase a rondar os 80% e quase também 20 remates no total. Mas em termos daquilo que foi o jogo jogado aos 90 minutos, ofensivamente a Inglaterra produziu pouco. Ou seja, é uma dupla mentira, não só por não ter ganho, mas por ter produzido pouco futebol atacante.
Muito bem, este Minuto 90 com o Diogo Varela fica por aqui. Acompanhámos o Inglaterra-Gana. O próximo Minuto 90 aqui na Rádio Observador, ali por volta da 13h45, vamos acompanhar o Panamá-Croácia. Já com o Martim Madeira. Portanto, Diogo, até amanhã.
Até amanhã, Filipa.










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