A porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, denunciou nesta segunda-feira (13) as declarações marcadas pelo “racismo” do ex-primeiro-ministro conservador da Espanha Mariano Rajoy sobre a seleção francesa de futebol.
Classificada para a semifinal após vencer o Marrocos por 2 a 0, a França enfrentará na terça-feira (14) a Espanha, que derrotou a Bélgica por 2 a 1 na sexta-feira (10). O ex-chefe de governo provocou indignação ao afirmar, em artigo publicado pelo jornal El Debate, que a equipe francesa dispõe de “um elenco de altíssimo nível”, mas “sem franceses”.
“Essas declarações são deploráveis e revelam um profundo desconhecimento da história da França, do que é a França e do orgulho que os franceses sentem por sua seleção nacional”, declarou Maud Bregeon nesta segunda-feira à rádio francesa RTL.
“Isso é evidentemente racismo”, acrescentou. Vários ministros e líderes partidários já haviam criticado as declarações no domingo, classificando-as como “racismo grosseiro” e expressão de “ódio”. A estrela da seleção francesa, Kylian Mbappé, já havia sido alvo de comentários racistas da senadora paraguaia Celeste Amarilla após a derrota de seu país para a França nas oitavas de final.
O presidente da Federação Francesa de Futebol também denunciou no domingo (12) a fala do ex-premiê. “As declarações de Mariano Rajoy sobre a equipe da França carregam traços de um racismo intolerável e levantam questões sobre o clima deplorável que gera esse tipo de discurso”, escreveu Philippe Diallo na rede X. “Nossos jogadores não precisam receber certificado de nacionalidade de um ex-primeiro-ministro espanhol.”
Les propos de Mariano Rajoy évoquant l’équipe de France comportent des relents de racisme intolérables.
Et interrogent sur le détestable climat qui génère de tels remugles.
Nos joueurs n’ont aucun certificat de nationalité à recevoir d’un ancien Premier ministre espagnol.…
— Philippe Diallo (@PhilippeDiallo) July 12, 2026
As declarações de Rajoy também foram condenadas pelo atual presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez. “Alguns continuam a definir o pertencimento a uma nação em função do sobrenome, do local de nascimento ou da cor da pele”, escreveu o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). “Outros a definem pelo enraizamento em um país e pela vontade de contribuir para o seu desenvolvimento. Jogando futebol. Cuidando dos nossos idosos. Ou criando empresas.”
‘Persona non grata‘
Neste domingo (12) a embaixada da França na Argentina declarou persona non grata Hebe Casado, representante da província de Mendoza, após uma publicação na rede X em que ela se referiu à seleção francesa de futebol como uma “equipe africana sem educação”.
O embaixador da França na Argentina, Romain Nadal, denunciou as declarações. “O racismo não é uma opinião, é um crime. Não há lugar para o racismo na cooperação franco-argentina”, afirmou.
“Temos orgulho de nossa diversidade e não vamos tolerar este nem qualquer outro tipo de tentativa de denegrir ou questionar a nacionalidade de nossos jogadores. Como uma autoridade de um país como a Argentina, que se orgulha de ter recebido a imigração de braços abertos, critica outra seleção cujos jogadores também são fruto da imigração?”, declarou o embaixador.
A vice-governadora de Mendoza respondeu às críticas dizendo na rede X: “Só as pessoas inteligentes entendem o sarcasmo”. Em uma rádio de Mendoza, ela mencionou o “folclore do futebol” e, ao se referir à França como uma “equipe africana”, ironizou o que chamou de “politicamente correto”, afirmando que “todos pensaram isso”.
Com agências










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