Camisa 10 é alvo costante de críticas pela postura nos clubes Carregando conteúdo exclusivo… Mbappé chegou à Copa do Mundo cercado por um debate que vai além dos gols, recordes e protagonismo ofensivo. Isso jamais foi dúvida. A pauta era: defesa. Antes mesmo da estreia da França, o camisa 10 admitiu que precisava evoluir defensivamente. A cobrança também apareceu no vestiário, com Ousmane Dembélé pedindo mais sacrifício sem a bola. Em campo, os números indicam que a resposta veio. continua após a publicidade ➡️Mbappé aniquila recordes em França x Suécia e segue invencível como titular em Copas do Mundo Segundo levantamento do Lance! em parceria com o Sofascore, Mbappé tem média de 2,8 bolas recuperadas por jogo nesta Copa. O número fica bem acima do que apresentou nas últimas temporadas por clubes: 1,5 em 2025/26, 1,3 em 2024/25 e 1,6 em 2023/24. O dado mais próximo de medir pressão alta também reforça a mudança de postura. Na atual Copa, Mbappé soma 2,8 posses ganhas no terço final por jogo. Nas últimas três temporadas, teve médias de 1,5, 1,3 e 1,3, respectivamente. continua após a publicidade Mbappé entrega mais na Copa do Mundo do que nos clubes A diferença não está apenas em ações defensivas tradicionais, como desarmes, cortes e interceptações. O levantamento mostra que o impacto de Mbappé sem a bola aparece principalmente na pressão alta e na recuperação de posse em zonas avançadas. Na Copa de 2026, o francês tem: 2,8 bolas recuperadas por jogo 1 desarme 40% de eficiência nos duelos 3 duelos ganhos por jogo 2,8 posses ganhas no terço final por jogo Em comparação com as temporadas de clubes, o salto é claro. Em 2025/26, pelo Real Madrid, Mbappé teve média de 1,5 bola recuperada por jogo e 1,5 posse ganha no terço final. Em 2024/25, os dois índices foram de 1,3. Ou seja: na seleção, o camisa 10 praticamente dobra a participação em ações ligadas à recuperação de bola e pressão no campo ofensivo. continua após a publicidade O campo fala Os números ajudam a sustentar a impressão visual, mas nada explica mais o futebol do que o campo. E, visualmente, a diferença de postura de Mbappé pela França em Copa do Mundo em comparação ao que se viu em recortes recentes por Real Madrid e PSG é evidente. Não se trata apenas de recompor em velocidade ou de voltar alguns metros para fechar espaço. A mudança mais visível está na reação imediata após a perda da posse. Seja quando erra uma jogada individual, seja quando um companheiro perde a bola, Mbappé tem mostrado outra atitude: acelera o primeiro movimento, tenta pressionar o adversário mais próximo e busca recuperar a posse antes que a jogada rival se desenvolva. Essa é uma diferença importante. Na última temporada pelo Real Madrid, lances em que o francês abandonava a jogada logo depois de perder a bola repercutiram negativamente e alimentaram críticas sobre sua participação sem a posse. Na França, nesta Copa, a imagem tem sido outra. O camisa 10 aparece mais conectado ao esforço coletivo. Padrão se repete nas Copas A leitura, porém, precisa de contexto. Os números de 2026 não representam uma mudança radical em relação às Copas anteriores. Eles mostram que Mbappé costuma aumentar o nível de entrega defensiva quando veste a camisa da França em Mundiais. Na Copa de 2022, o atacante teve média de 2,9 bolas recuperadas por jogo e 2,9 posses ganhas no terço final. Em 2018, quando foi campeão do mundo, marcou 2,7 nos dois quesitos. A diferença é que, em 2026, esse comportamento ganha mais peso pelo contexto recente. Mbappé vinha de cobranças sobre sua participação defensiva no Real Madrid e de questionamentos sobre sua função como centroavante. Agora, na Copa, aparece mais envolvido sem a bola. Cobranças antes da Copa De acordo com o “L’Équipe”, Dembélé teve conversas francas com Mbappé e pediu ao capitão da França um esforço defensivo maior na seleção do que no clube. A relação próxima entre os dois facilitou a cobrança. — Dembélé e Mbappé se conhecem perfeitamente e compartilham momentos de vida fora do campo. Podem trocar opiniões sobre assuntos táticos importantes. Nas últimas semanas, Dembélé não hesitou em passar ao capitão da França a mensagem de que ele deveria se sacrificar mais defensivamente na seleção do que no clube, para se alinhar com a mentalidade do grupo — publicou o jornal. Mbappé também reconheceu publicamente a necessidade de dar um passo adiante. Em entrevista ao “Le Parisien”, o atacante admitiu que precisava melhorar nesse aspecto. O tema surgiu de forma descontraída, quando seu irmão mais novo, Ethan Mbappé, perguntou se ele pretendia “defender ou pressionar algum dia”. — Ele defende muito mais do que eu — brincou Mbappé, antes de completar: — Sempre fui muito exigente comigo mesmo e acho que preciso dar um passo a mais nesse aspecto. É algo importante para qualquer equipe e eu tenho que fazer isso. Tudo precisa começar nesta Copa do Mundo, porque queremos conquistá-la. O atacante também explicou a diferença de mentalidade em relação a Ethan, que atua mais pelos lados do campo. — Ele precisa acompanhar o lateral até o fim da jogada e muitas vezes chega cansado para atacar. Para mim, é difícil imaginar estar cansado na hora de marcar um gol. Sempre pensei o contrário. Mas isso não significa que eu não deva ouvir as críticas, principalmente quando elas são construtivas — afirmou. Luis Enrique já havia cobrado Mbappé no PSG A cobrança por esforço sem a bola não é nova. Em trecho de documentário sobre o trabalho de Luis Enrique no PSG, o treinador espanhol aparece exigindo mais postura defensiva de Mbappé antes de um jogo contra o Barcelona pela Champions League. Na conversa, Luis Enrique citou Michael Jordan para pedir que o atacante desse exemplo aos companheiros. — Eu li que você gostava do Michael Jordan. Michael Jordan pegava os companheiros e se colocava para defender como um filho da p***. Você tem que dar esse exemplo como pessoa e…