Marrocos já é a maior seleção africana da história do futebol


Outro exemplo nessa linha é a Nigéria, primeira africana campeã olímpica, em Atlanta, em 1996, que revelou diversas gerações talentosas e frequentemente figurou entre as principais equipes do continente, mas também nunca consolidou um projeto esportivo capaz de transformar esse potencial em uma presença constante entre as melhores seleções do mundo.

O Marrocos conseguiu preencher justamente essa lacuna. A atual geração atua nos principais clubes da Europa, a federação investe em infraestrutura, desenvolve talentos, monitora atletas da diáspora, planeja sucessões no comando técnico e não toma decisões apenas em função do resultado imediato. O desempenho desta Copa é consequência desse processo, não seu único objetivo.

A história da seleção de Marrocos, obviamente, não começou nos anos 2000. Na Copa do Mundo de 1986, fez boa campanha, classificou-se em primeiro em um grupo com Polônia, Inglaterra e Portugal e chegou às oitavas. Mas o cenário é incomparável com o atual, provando que o Marrocos conseguiu passar por uma boa transformação da sua forma de jogar.

Boa parte dessa transformação começa fora de campo. Em dezembro de 2019, o país inaugurou o Complexo de Futebol Mohammed VI, um investimento de aproximadamente R$ 500 milhões. O local conta com mais de dez campos de treinamento, estrutura completa para medicina esportiva e um prédio para o departamento de scout, dedicado exclusivamente a identificar jogadores marroquinos espalhados pelo mundo antes que eles optem por defender outras seleções.

Esse trabalho já produz resultados concretos e tem exemplos entre os 11 titulares do atual time. É o caso do volante Ayyoub Bouaddi, de apenas 18 anos, que nasceu em Senlis, na França, e flertava com a possibilidade de jogar na seleção francesa. O Marrocos conseguiu convencê-lo a defender o Marrocos com um projeto esportivo bem feito e uma perspectiva clara de protagonismo.

Esse tipo de atuação é exatamente o oposto do que aconteceu no passado com Just Fontaine, por exemplo. Nascido em Marrakesh, ele se tornou um dos maiores jogadores da história da França e até hoje é o recordista de gols em uma única edição de Copa do Mundo, com 13, marcados em 1958. Naquele período, defender o Marrocos simplesmente não representava uma oportunidade esportiva competitiva, mas hoje a realidade é completamente diferente.





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