A escolha do volante Bruno Guimarães para bater um pênalti — que acabou desperdiçado — contra a Noruega, no primeiro tempo do jogo que eliminou o Brasil da Copa do Mundo de 2026, chamou atenção neste domingo. E foi justificada pelo treinador Carlo Ancelotti pela ausência de jogadores com melhor aproveitamento em penalidades naquele momento da partida, considerando o desempenho recente em cobranças.
— Fizemos um levantamento, dentro de um ano, dos jogadores rivais e dos nossos. O melhor da seleção era o Neymar, depois o Igor Thiago, depois Raphinha, e depois o Bruno Guimarães. E depois, Martinelli. Escolhemos o Bruno Guimarães porque pensávamos que era o melhor no campo — disse Ancelotti em entrevista coletiva.
O GLOBO verificou o desempenho dos jogadores brasileiros que estavam em campo àquela altura, com base em estatísticas de cobranças de pênalti compiladas pelo site Transfermarkt — que considera tanto as batidas no tempo regulamentar, quanto aquelas em disputas de penalidades.
Até o pênalti perdido contra a Noruega, Guimarães nunca havia batido uma penalidade pela seleção. No seu clube, o Newcastle (ING), ele cobrou seis pênaltis no ciclo pré-Copa de 2026 — isto é, desde o fim da Copa de 2022 até o início deste Mundial — e converteu cinco.
Melhores momentos de Brasil x Noruega
O único erro do volante até então havia acontecido em uma disputa de pênaltis entre Newcastle e Bournemouth, pela terceira rodada da Copa da Inglaterra, em março deste ano.
No início deste ano, Guimarães converteu pênaltis pelo Newcastle em partidas contra o Leeds e contra o Brentford, ambas pelo Campeonato Inglês. Além disso, entre 2023 e 2024, ele participou de outras três disputas de penalidades máximas, em jogos de mata-mata da Copa da Inglaterra e da Copa da Liga Inglesa, e converteu suas cobranças contra Chelsea, Blackburn e Nottingham Forest.
O aproveitamento de Vini Jr.
Vinicius Jr., que estava em campo no momento da cobrança de pênalti de Guimarães, bateu 18 penalidades desde o fim de 2022, e converteu 13. Desde o ano passado, o desempenho do camisa 7 da seleção brasileira piorou: ele errou quatro de nove pênaltis, isto é, quase metade.
Vini desperdiçou pênaltis duas vezes contra o Valencia (ESP), no ano passado, pelo Campeonato Espanhol, e contra o Atlético de Madrid, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. Em março deste ano, ele voltou a perder uma cobrança no torneio europeu, de novo nas oitavas, desta vez contra o Manchester City (ING), em partida que seu time, o Real Madrid, venceu por 3 a 0.
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No jogo de volta das oitavas, porém, Vinicius voltou a cobrar um pênalti, e desta vez converteu. Com o gol do brasileiro, o Real Madrid eliminou fora de casa o Manchester City — clube do norueguês Haaland, que foi o carrasco do Brasil na Copa de 2026.
Outros titulares: Rayan, Matheus Cunha e mais
Entre os jogadores que estavam em campo no primeiro tempo contra a Noruega, o único que não perdeu pênaltis na carreira, conforme os dados do Transfermarkt, era o atacante Rayan. Cria do Vasco, ele cobrou quatro penalidades pelo cruzmaltino — dois no tempo regulamentar, e dois em disputas de pênaltis –, e converteu todas. A última delas foi na semifinal da Copa do Brasil de 2025, contra o Fluminense.
Matheus Cunha, que sofreu o pênalti contra a Noruega no primeiro tempo, não pegou a bola para bater. O camisa 9 da seleção brasileira nesta Copa marcou duas vezes em cobranças de penalidades quando atuava no Wolverhampton (ING). Por outro lado, em seu único pênalti pelo Manchester United (ING), seu atual clube, Cunha desperdiçou a cobrança, em uma disputa de penalidades contra o modesto Grimsby Town pela Copa da Liga Inglesa, em agosto de 2025.
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Gabriel Martinelli, escalado como titular na vaga do lesionado Lucas Paquetá, só cobrou três pênaltis pelo Arsenal (ING) nesse período, nenhum deles no tempo regulamentar.
Martinelli converteu cobranças contra o Paris Saint-Germain, na disputa de penalidades que decidiu o título da Liga dos Campeões neste ano, e pela seleção brasileira, nas quartas de final da Copa América de 2024, contra o Uruguai. Nos dois casos, porém, apesar de Martinelli ter feito seu papel, suas equipes saíram derrotadas na disputa.
O atacante do Arsenal tem um pênalti desperdiçado nesse ciclo pré-Copa: foi contra o Sporting de Lisboa, em 2023, pelas oitavas de final da Liga Europa. Na ocasião, o pênalti perdido acabou eliminando a equipe inglesa.
Citados por Ancelotti na entrevista coletiva, Neymar, Raphinha e Igor Thiago costumam bater pênaltis por seus clubes, com aproveitamentos distintos.
Desde a eliminação na Copa de 2022, nas disputas de penalidades diante da Croácia — quando acabou não batendo pênalti –, Neymar havia feito sete cobranças até o Mundial deste ano. Ele converteu cinco, todas pelo Santos, e desperdiçou duas: uma contra a Bolívia, em 2023, nas eliminatórias, e uma pelo Campeonato Saudita, quando atuava no Al Hilal.
Igor Thiago, hoje no Brentford (ING), converteu 12 das suas 13 cobranças de pênalti no mesmo período. O único erro aconteceu em novembro do ano passado, em partida contra o Brighton pelo Campeonato Inglês. A lista de pênaltis convertidos pelo centroavante inclui uma disputa de penalidades contra o West Ham, pelas oitavas de final da Copa da Inglaterra, e duas cobranças no tempo regulamentar em jogos da seleção brasileira, nos amistosos contra Croácia e Panamá.
Raphinha, do Barcelona (ESP), converteu todos os 12 pênaltis que cobrou neste ciclo de Copa, sendo seis deles a partir de 2025.