O adversário que joga algo mais do que “apenas futebol” – Observador


A passagem pelas escolas do Manchester United, onde chegou a usar a braçadeira de capitão, parecia o prefácio natural para uma carreira sólida na Premier League. O futebol, porém, raramente segue guiões lineares. Entre lesões e percalços, Axel Tuanzebe acabou por encontrar um propósito ainda maior, que o ia aguardando: liderar o regresso da RD Congo ao maior palco do futebol mundial, depois de 52 anos de ausência.

A confirmação chegou aos 100 minutos do jogo decisivo contra a Jamaica. Um desvio com a barriga carimbou o passaporte dos Leopardos para o Mundial. O golo elevou Tuanzebe ao estatuto de herói nacional – e transformou o seu nome num símbolo de esperança para a região de Ituri, que vive um surto de ébola que já matou mais de 80 pessoas, reportou a ONU em maio. A isso juntam-se ainda décadas de instabilidade e conflito em várias regiões do país. Para muitos congoleses, a seleção não são apenas uma seleção mas também uma razão para olharem em frente.

Com apenas uma derrota nos últimos 12 jogos, a RD Congo chega à fase final a equilibrar talento individual com organização tática, determinada a provar que a qualificação não foi obra do acaso e a tentar devolver algum tipo de esperança ao seu povo.





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