O principal conselheiro de Infantino anuncia sua renúncia e revela detalhes de proposta para vender a Copa do Mundo


Uma crise sem precedentes explodiu nos bastidores da Federação Internacional de Futebol, a Fifa, depois que Carlos Cordeiro, um dos assessores mais próximos do presidente Gianni Infantino, anunciou sua renúncia imediata em protesto contra o que descreveu como o “plano escandaloso de vender a Copa do Mundo”, um passo que aumentou o isolamento de Infantino e aprofundou a indignação global em relação ao plano polêmico.

A renúncia veio como reação direta à proposta de criar uma empresa subsidiária da Fifa chamada “Fifa Forward” para supervisionar a Copa do Mundo, abrindo as portas a investimentos privados para a compra de participações permanentes no torneio mais valioso do mundo. Trata-se de um plano que Cordeiro considerou “hipotecar o futuro do futebol sem justificativa convincente”.

A renúncia de Cordeiro representa o golpe mais forte até agora contra Infantino e coloca em xeque o futuro da “Fifa Forward” e do plano de privatização da Copa do Mundo, diante de uma rejeição coletiva das principais confederações continentais e de uma ameaça explícita de boicote ao torneio.

Rejeição continental e ameaça de boicote

A indignação não se limitou aos gabinetes executivos. A Inglaterra e, junto com ela, todos os países da União das Federações Europeias de Futebol, a Uefa, anunciaram o boicote a torneios futuros caso o acordo seja aprovado, e logo se juntaram a eles a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe, a Concacaf, e a Confederação Asiática, com a divulgação de comunicados de rejeição categórica, em um raro consenso que encurrala o presidente da Fifa.

“Um mau negócio para o futebol”

Em um comunicado mordaz divulgado pela Sky News, Cordeiro, ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e ex-vice-presidente do conselho de administração do “Goldman Sachs”, disse: “Como assessor de alto nível do presidente da Fifa, ex-banqueiro e amante do futebol por toda a minha vida, não posso ficar em silêncio enquanto a Fifa estuda vender uma participação na Copa do Mundo”. 

E acrescentou: “Não tive qualquer papel nessa proposta e me oponho fortemente a ela. É um mau negócio para as federações membros, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro do esporte a longo prazo”.

“A Fifa não precisa de dinheiro”

Cordeiro refutou as justificativas do plano com números, afirmando que “a Fifa possui recursos financeiros enormes, bilhões de dólares em reservas, e não tem dívidas. O próprio presidente mencionou receitas que chegaram a 15 bilhões de dólares entre 2022 e 2026. Se as federações precisam de investimento adicional para desenvolver o esporte, a Fifa já tem a capacidade de fornecê-lo a partir de seus recursos atuais”.

E acrescentou: “Vender uma participação permanente no mais precioso ativo do futebol para arrecadar 4,2 bilhões de dólares não faz sentido. Esse sucesso econômico não foi coincidência, mas fruto dos esforços de profissionais que quebraram os recordes comerciais da Fifa. Que nos peçam agora para acreditar que precisamos de investidores externos para gerar mais valor… eu rejeito essa proposta”.

Infantino se mantém firme e o salário de um milhão por semana

Apesar da tempestade, Gianni Infantino se compromete a seguir em frente com seus planos, e o “The Sun” revelou que o acordo proposto inclui que o ambicioso presidente da Fifa receba um salário de um milhão de libras esterlinas por semana, o que aumentou a intensidade das críticas que o acusam de colocar os interesses pessoais acima do interesse do esporte.



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