Brasileirão fecha 1º turno com queda nas arquibancadas; Flamengo é exceção


O primeiro turno do Campeonato Brasileiro terminou na semana passada com um sinal de alerta para os clubes. A média de público caiu mais de 10% em relação à temporada anterior, assim como o número de pagantes, enquanto as receitas de bilheteria também recuaram. Em meio ao cenário de queda, apenas um integrante do chamado “Clube dos Nove” conseguiu crescer em praticamente todos os indicadores: o Flamengo.

Levantamento do especialista em gestão e marketing esportivo Marcelo Paciello, obtido pela reportagem, mostra que a média de público total caiu de 26.412 para 23.496 torcedores por jogo, redução de 11%. O público pagante recuou 12%, de 25.546 para 22.581. A renda bruta teve queda de 7,5%, enquanto a líquida diminuiu 2,5%. A taxa média de ocupação, porém, subiu de 56% para 57%, e o ticket médio aumentou 4%, passando de R$ 56,21 para R$ 58,71.

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Entre as explicações para a redução do público estão o início do Brasileirão em janeiro, simultaneamente aos campeonatos estaduais, novidade no calendário deste ano, além das ausências de Ceará e Fortaleza, que disputam a Série B após figurarem entre as maiores médias de público em 2025.

Os números também reforçam a força do chamado “Clube dos Nove”, grupo formado por Flamengo, Corinthians, Bahia, Cruzeiro, Palmeiras, Atlético Mineiro, Fluminense, São Paulo e Fortaleza, torcidas que historicamente sustentam a presença de público no Brasileirão. Mesmo com mudanças pontuais no ranking por conta de acessos e rebaixamentos, essas equipes continuam sendo responsáveis pela maior parte das arquibancadas do campeonato. O Remo, por exemplo, figura como substituto do Fortaleza neste atual momento.

No primeiro turno, os nove clubes concentraram 67% de todo o público da Série A. O Flamengo liderou com folga, alcançando média de 60.405 torcedores por partida, alta de 5% em relação ao ano anterior. Corinthians, Bahia, Cruzeiro, Palmeiras, Atlético Mineiro e Fluminense registraram queda, enquanto o Grêmio cresceu 23% e o Remo entrou na lista impulsionado pelo retorno à elite após mais de três décadas.

O destaque rubro negro vai além do volume de torcedores. O Flamengo aumentou a média de público justamente na temporada em que elevou em 15% o ticket médio, que chegou a R$ 82,82, o maior do campeonato.

Para Paciello, o desempenho demonstra conhecimento do comportamento do torcedor e eficiência na política de preços, já que o clube conseguiu crescer simultaneamente em público, arrecadação e ocupação.

O reflexo aparece também nas receitas. Enquanto a renda bruta média do Flamengo cresceu 22% e a líquida avançou 20%, praticamente todos os demais integrantes do grupo apresentaram retração. São Paulo e Cruzeiro tiveram as maiores quedas de arrecadação, enquanto apenas o Grêmio acompanhou os cariocas com crescimento na renda líquida.

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Na ocupação dos estádios, o Flamengo também aparece entre os destaques. A taxa média chegou a 77%, acima dos 73% registrados na temporada anterior. O Vasco foi quem mais evoluiu no indicador, beneficiado por disputar todos os jogos em São Januário, mas o desempenho rubro negro chama atenção por combinar estádio mais cheio, ingressos mais caros e aumento de receita.

Para Marcelo Paciello, os dados reforçam a necessidade de uma liga unificada tratar a bilheteria como parte estratégica do produto Brasileirão. Além de discutir calendário, horários e mandos de campo, os clubes precisam encontrar formas de reduzir a dependência dos resultados esportivos para manter as arquibancadas cheias e evitar que a queda de público e arrecadação se torne uma tendência nas próximas temporadas.



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