Apesar de já ter encerrado, a Copa do Mundo ainda deixa rastros na economia brasileira. Durante a temporada de divulgação de balanços relativos ao segundo trimestre, ao menos 15 empresas mencionaram um efeito negativo do torneio sobre seus resultados, segundo análise da editora de Economia da CNN Lucinda Pinto ao Hora H.
O fenômeno foi identificado nas teleconferências com investidores, momento em que as companhias detalham seus desempenhos financeiros. Embora nem todas tenham registrado resultados ruins, a Copa do Mundo foi apontada como um fator de interferência relevante nas operações de diversas empresas.
Varejo e shoppings entre os mais prejudicados
Entre as empresas que sentiram o impacto negativo, destacam-se as varejistas Renner e Riachuelo, que registraram queda de vendas durante os 39 dias de jogos. Segundo Lucinda Pinto, o movimento foi menor nas lojas porque as pessoas circularam menos, e muitos estabelecimentos chegaram a fechar no horário das partidas.
Além disso, o varejo havia se preparado para um aumento de demanda por itens temáticos, como camisetas e shorts, mas o estoque acabou encalhado.
O atacarejo Assaí também relatou impacto, atribuindo à Copa uma queda de 0,1 ponto percentual na receita de vendas no trimestre. A explicação é que o consumidor priorizou compras em lojas de conveniência para adquirir petiscos e cervejas, abrindo mão das grandes compras mensais.
A Smart Fit, por sua vez, observou queda na base de clientes, já que muitas pessoas deixaram de frequentar academias para assistir aos jogos.
Os shoppings Iguatemi e Allos também notaram redução no fluxo de consumidores.
No caso específico do Iguatemi, voltado para o público de alta renda, a empresa identificou que uma parcela significativa dos clientes viajou ao exterior para acompanhar o torneio presencialmente, o que contribuiu para o resultado negativo.
Empresas que se beneficiaram com o torneio
Nem todas as companhias saíram prejudicadas. A Centauro registrou aumento de vendas de 1,5 milhão de itens em função da Copa, impulsionada pela procura por camisetas de seleção, bolas de futebol e chuteiras.
A Magalu reportou crescimento de 40% nas vendas de televisores, movimento considerado clássico em períodos de grandes eventos esportivos. A Ambev também registrou aumento no consumo de bebidas, embora o crescimento tenha ficado abaixo do esperado pelo mercado, o que gerou reação negativa nas ações da companhia.
As Havaianas, por fim, observaram melhora nas vendas durante o período.
A empresa Vulcabras, dona da marca Olimpikus, apresentou um caso particular: mesmo sendo uma companhia de produtos esportivos, houve uma migração do consumo para itens relacionados ao futebol em detrimento de produtos voltados para corrida e outras modalidades.










Leave a Reply