Futebol na Noruega parece ser quase questão de família. Em 1994, a seleção que disputava a Copa do Mundo tinha em seu elenco o goleiro Erik Thorstvedt e os meias Orjan Berg e Alf-Inge Haaland. Estes sobrenomes são conhecidos, e não é por acaso. Os filhos do trio seguiram os passos do pais e hoje integram a equipe que quebrou um jejum de 28 anos sem participações do país em Mundiais e enfrentará a seleção brasileira amanhã, em Nova Jersey, nas oitavas de final.
Grande protagonista da atual Noruega, Erling Haaland é filho do lateral-direito e volante que atuou no futebol inglês por uma década, incluindo o Manchester City, onde ele atua. Em 1994, Alfie era um jovem de 21 anos que deixou muitas histórias para contar. Já Alexander Sorloth, artilheiro no Atlético de Madrid, herdou o ofício de atacante do pai, que atuou em grande parte da carreira no próprio futebol da Noruega.
“Gosto do fato de que a Copa do Mundo se tornou algo de família. Ele (Goran) me contou que a Copa de 1994, também nos Estados Unidos, foi muito quente, bem diferente do que estava acostumado”, disse Sorloth filho ao site da Fifa. “Meu pai foi a pessoa mais influente na minha carreira e me ensinou muito do que sei, especialmente entre os cinco e os 14 anos. É raro e maravilhoso estar na Copa do Mundo, assim como ele”.
Pais, avôs, tios, irmãos
Esta situação se tornou recorrente em um país com recursos, assim por dizer, limitados: são cerca de 5,8 milhões de habitantes para encontrar talentos no futebol. Um levantamento feito pelo GLOBO mostra que 15 dos 26 convocados pelo treinador Stale Solbakken têm parentes que atuaram no futebol profissional, entre pais, irmãos, avôs, tios e primos próximos. A conta só não inclui os meias-atacantes Oscar Bobb e Antonio Nusa, que têm pais originários de Gâmbia e Nigéria, respectivamente.
Ao todo, oito jogadores do elenco da Noruega têm pais que atuaram no futebol profissional; sete têm irmãos; dois têm avôs; dois tem tios; e três têm primos.
Outra estrela da equipe, o meia Martin Odegaard viu o pai, Hans Erik, atuar na mesma posição e também como treinador. Terceiro “filho” de 1994 no elenco, o também meia Kristian Thorstvedt teve seu pai como titular da meta norueguesa. Já o atual goleiro, Orjan Nyland se inspirou no pai, Jostein, que atuou na mesma posição. O atacante Jens Petter Hauge tem o irmão Runar Hauge e a irmã Taule Hauge no futebol profissional.
Porém, nenhuma família tem tanta ramificação no futebol profissional quanto a do volante Patrick Berg. O jogador de 28 anos, atualmente no Bodo/Glimt, é o representante da terceira geração que defendeu a seleção e que está no clube há oito décadas.
Ele é filho de Orjan Berg, que atuou em clubes da Noruega, Suíça e Alemanha. O ex-meia defendeu a camisa da seleção entre 1988 e 2000. Aos 57 anos, o pai é dirigente no time em que sua cria atua. Já o avô, Harald Berg, de 84 anos, atuou no mesmo setor do campo em clubes da Noruega e da Holanda. Ele vestiu a camisa vermelha entre 1974 e 1984.
Além disso, Patrick tem dois tios que jogaram, os ex-meias Arild e Runar Berg. Por fim, o irmão Marius Berg ainda dá os primeiros passos na carreira.
O trio de filhos de 1994 sequer viu os pais jogando na primeira Copa, mas dá sequência a um ciclo constante no futebol nacional.