Para chegar às quartas de final da Copa do Mundo de 2026, a seleção brasileira terá que fazer algo inédito em sua história: vencer a Noruega. Em quatro confrontos na história, o Brasil acumula duas derrotas e dois empates contra o time escandinavo. Mas, apesar do retrospecto negativo, o que, de fato, assusta a equipe de Carlo Ancelotti é encarar a melhor geração norueguesa desde a algoz no Mundial de 1998.
A Noruega é a única seleção que o Brasil nunca venceu, mas esse pequeno tabu produz mais impacto visual do que valor preditivo. Isso porque os duelos aconteceram ao longo de 38 anos e as equipes não se enfrentam desde 2006. Ou seja, não existe uma sequência contínua de derrotas brasileiras e a invencibilidade permanece intacta porque os países quase nunca se encontraram.
A seleção brasileira, portanto, não deve se preocupar com os números, e sim com a evolução de futebol no país nórdico desde a última derrota para eles, na fase de grupos da Copa do Mundo de 1998. Quase 30 anos depois, a Noruega tem a sua geração mais talentosa e chega para o confronto contra o Brasil muito mais ameaçadora.
— Como tantas seleções mundo afora, a Noruega cresceu e tem, hoje, mais jogadores na elite do futebol internacional do que há algumas décadas. Então, claramente o time atual é mais ameaçador do que uma equipe norueguesa dos anos 90, por exemplo — opinou Carlos Eduardo Mansur, colunista do jornal O Globo.
Dos quatro jogos entre as equipes, três foram amistosos disputados em Oslo, diante da torcida norueguesa e do clima do país. Cenário diferente do que deve acontecer na tarde de domingo, MetLife Stadium, já que a expectativa é de temperaturas elevadas em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Nenhum dos confrontos anteriores ocorreu em condições climáticas semelhantes (o de 1998 começou à noite, no verão francês).
As duas vitórias da seleção europeia ficaram concentradas em um intervalo de apenas 13 meses, entre maio de 1997 e junho de 1998, e ambas sob o comando do técnico Egil “Drillo” Olsen, conhecido por revolucionar o futebol do país. Com ele, a Noruega era mais forte defensivamente e tinha a proposta de um jogo direto, explorando a força física dos atacantes e as jogadas pelos lados do campo. Algo semelhante com o que o time de 2026 apresenta.
Há quase 30 anos, quem comandava o ataque norueguês era Tore André Flo, que marcou três vezes em dois jogos contra a seleção brasileira. Centroavante de 1,93m, Flo se destacava pela grande mobilidade, mas não tinha o mesmo faro de gol de Haaland, que chegou aos 50 gols pela Noruega em apenas 46 jogos, fez 16 gols nas Eliminatórias e já marcou cinco nesta Copa.
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Além do camisa 9, a Noruega atual conta com nomes como Martin Odegaard, Alexander Sorloth, Antonio Nusa e Oscar Bobb, formando o ataque mais talentoso de sua história e capaz de desequilibrar uma partida com dribles. Cenário inimaginável na década de 90.
— Hoje, a Noruega é capaz de trabalhar a bola para isolar um deles no um contra um diante de um lateral, buscando o drible como arma — finalizou Mansur.
No domingo, o Brasil não enfrenta uma seleção perigosa porque nunca conseguiu vencê-la em quatro jogos espalhados por quase quatro décadas. Enfrenta um adversário que voltou à Copa após campanha dominante nas Eliminatórias, venceu seu primeiro mata-mata em Mundiais e reúne uma geração consolidada nas principais ligas da Europa.











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