Infantino Perde Apoio na Europa e Enfrenta Pressão para Deixar a Fifa


O presidente da Fifa, Gianni Infantino, estaria correndo para garantir seu futuro na entidade que comanda o futebol depois que um plano para privatizar e vender uma parte da Copa do Mundo fracassou na semana passada. O governo Trump, porém, afirma que não faz parte de qualquer plano para salvar seu cargo, apesar de uma reportagem publicada na manhã de segunda-feira (3) sugerir que a Casa Branca poderia ajudá-lo.

Federações de futebol de várias partes do mundo se uniram na semana passada para criticar um plano de Infantino de vender uma participação minoritária de 20% na Copa do Mundo a investidores privados. A forte reação fez com que algumas entidades retirassem o apoio a um quarto mandato do dirigente, enquanto aumentam os pedidos por sua renúncia.

A Federação Inglesa de Futebol retirará seu apoio à reeleição de Infantino como presidente da Fifa em uma tentativa de forçar sua renúncia, informou o The Guardian nesta segunda-feira, depois que País de Gales, Sérvia, Suécia e Finlândia fizeram o mesmo.

Espera-se que outros países europeus sigam o mesmo caminho depois que nomes como o primeiro-ministro britânico Andy Burnham, o presidente de La Liga, Javier Tebas, e o ex-presidente da Fifa Sepp Blatter pediram na semana passada que Infantino deixasse o cargo.

Uma reportagem do New York Post publicada na manhã de segunda-feira afirmou que Infantino havia conseguido agendar uma ligação com o secretário de Estado Marco Rubio para buscar a ajuda do governo na manutenção de seu cargo, depois que o presidente Donald Trump, com quem Infantino desenvolveu uma relação próxima, teria ignorado várias de suas ligações.

O secretário de Estado adjunto Dylan Johnson negou a reportagem e afirmou que “não há planos” para que Rubio converse com o dirigente esportivo, que enfrenta forte pressão.

Contraponto

O The Telegraph, jornal britânico, informou na tarde de segunda-feira que Trump fará “todo o possível” para manter Infantino no poder. O veículo citou um alto funcionário não identificado próximo ao presidente americano, segundo o qual Trump estaria empenhado em ajudar o presidente da Fifa a permanecer no cargo depois de os Estados Unidos terem sido um dos anfitriões da Copa do Mundo deste verão.

“Gianni nos ajudou muito a realizar a melhor Copa do Mundo de todos os tempos. O presidente gosta muito dele. Tenho certeza de que o presidente fará todo o possível para ajudá-lo”, teria dito o funcionário.

O que observar

Quanto apoio Infantino perderá. Mais de 200 das 211 federações integrantes da Fifa haviam endossado formalmente sua candidatura a um novo mandato antes do plano de investimentos. Embora seus apoiadores europeus estejam recuando, ele continua popular na África, na América do Sul e em partes da Ásia, apesar da revolta no Ocidente, segundo o The Guardian.

Ele precisa de 106 votos para ser reeleito, o que significa que pode perder todos os 55 votos da Uefa, da Europa, e os 35 votos da Concacaf, da América do Norte e Central, e ainda assim vencer a eleição.

Até agora, ninguém se apresentou para concorrer contra ele, mas o The Guardian informou que a Uefa considera lançar seu próprio candidato.

Outro ponto

Até recentemente, Infantino era inegavelmente popular entre os dirigentes das federações nacionais. Desde que foi eleito pela primeira vez, há uma década, ele ampliou seu apoio entre as entidades filiadas ao aumentar significativamente a receita da Fifa, expandir a Copa do Mundo de 32 para 48 seleções e se posicionar como defensor do “desenvolvimento do futebol” em países menores e menos ricos.

Nos últimos meses, ele tem feito uma intensa campanha em busca de apoio para sua reeleição em março. No Congresso da Fifa, realizado em maio, prometeu aumentar em 20% os repasses às federações, para pelo menos US$ 2,7 bilhões ao longo dos próximos quatro anos. Segundo a Reuters, essa promessa tem influência especial na obtenção do apoio de países menores, como Vanuatu e Butão, que recebem milhões de dólares em recursos da Fifa para o desenvolvimento do futebol.

Infantino é particularmente popular entre os integrantes da Confederação Africana de Futebol, a CAF, que tem 54 votos, e da Conmebol, da América do Sul, com dez votos. Ele também é geralmente bem avaliado pelos membros da Confederação de Futebol da Oceania, a OFC, com 11 votos, e da Confederação Asiática de Futebol, a AFC, com 46 votos, embora esta última tenha criticado seu plano de privatização da Copa do Mundo.

Contexto

No início da semana passada, a Fifa anunciou um plano para levantar cerca de US$ 4,2 bilhões neste ano com a venda de uma participação minoritária de 20% em uma nova subsidiária, chamada FIFA Forward Enterprise, avaliada em US$ 20 bilhões.

A Fifa afirmou que continuaria sendo a principal proprietária da nova subsidiária e manteria o controle sobre o calendário de competições e partidas, além das decisões de governança e regulamentação.

A reação à ideia foi imediata. Críticos afirmaram que o futebol “não pertence à Fifa para ser vendido” e previram que a Copa do Mundo – que a entidade considera ampliar para 64 seleções – se transformaria apenas em uma forma de gerar dinheiro para investidores.

O próprio processo também irritou as confederações de futebol, que afirmaram não ter sido consultadas sobre o plano antes de sua divulgação pública.

Carlos Cordeiro, importante assessor de Infantino, renunciou em protesto, enquanto o diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, afirmou que os funcionários foram “enganados” pela falta de transparência em um projeto conduzido por “uma única pessoa”.

Os integrantes da Uefa e da Concacaf se posicionaram unanimemente contra a proposta, e a AFC também apresentou críticas.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com



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