A decisão da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha tem revelado um fenômeno curioso fora das quatro linhas: ao contrário do que tradicionalmente acontece quando uma seleção sul-americana chega longe no torneio, a equipe de Lionel Messi não conta com o apoio da maior parte dos vizinhos latino-americanos.
Nas redes sociais, torcedores de países como Brasil, México, Colômbia e Chile têm demonstrado preferência pela Espanha. Um dos memes mais compartilhados nos últimos dias mostra o atacante espanhol Lamine Yamal vestindo a camisa da seleção brasileira, acompanhado da legenda: “A esperança do povo brasileiro”.
O movimento vai além da histórica rivalidade entre Brasil e Argentina. Em entrevistas à AFP, torcedores de diferentes países afirmaram que pretendem apoiar os espanhóis na final deste domingo.
Em São Paulo, o brasileiro Francisco Santos afirmou que comemorou o gol da Inglaterra na semifinal e disse acreditar que a Argentina é favorecida pela arbitragem.
— A Argentina teve ajuda dos árbitros. Vamos torcer pela Espanha — declarou.
Na Colômbia, o analista financeiro Juan Camilo Abusaid foi direto ao dizer que também apoiará os espanhóis. Já o policial mexicano Antonio López reconheceu a grandeza de Lionel Messi, mas questionou o que considera favorecimento da equipe.
— Se você conquista dois títulos apenas pelo seu futebol, eu aceito. Mas, se os árbitros ajudam, eu não aceito — afirmou.
A discussão chegou até mesmo à política. Durante uma entrevista coletiva, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, perguntou aos jornalistas presentes para quem eles torceriam na final. A resposta foi unânime: “Espanha”.
Segundo o sociólogo colombiano Germán Gómez, esse comportamento representa uma mudança em relação ao tradicional sentimento de solidariedade entre países latino-americanos nas Copas do Mundo.
Para ele, as redes sociais ampliaram narrativas de que a Argentina seria beneficiada pela Fifa e por seu presidente, Gianni Infantino, percepção que ajudou a afastar parte dos torcedores da região.
No Chile, o operador de laboratório Rachid Sjoberg apontou ainda um componente político para sua escolha. Crítico do presidente argentino Javier Milei, afirmou que não gostaria de vê-lo usar um eventual título mundial como capital político.
Apesar das críticas, Lionel Messi já respondeu às acusações de favorecimento. Após a classificação da Argentina para a final, o camisa 10 afirmou que a equipe voltou a provar seu valor dentro de campo.
— Há quatro anos conseguimos o que queríamos. Mais uma vez mostramos que ninguém nos dá nada de graça e voltamos a estar entre as duas melhores seleções do mundo. Que doa em quem doer — declarou o capitão argentino.











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