O investidor brasileiro está começando a enxergar a blockchain e os ativos tokenizados para além da negociação de criptomoedas.
Em entrevista exclusiva ao BP Money durante o Blockchain.RIO 2026, Kevin Voigt, cofundador e CEO da Chainless, afirmou que clientes da plataforma estão realizando operações menos frequentes, porém de maior valor, em um movimento que indica maior maturidade do mercado.
Segundo o executivo, o comportamento mostra uma mudança na percepção dos investidores. Inicialmente, muitos usuários movimentavam valores menores para testar a tecnologia. Agora, parte deles passou a enxergar os ativos digitais como uma forma de investimento e construção patrimonial.
“Vemos uma maturidade em confiar e talvez enxergar aquilo que antes era um experimento como um investimento”, afirmou.
Blockchain ganha espaço na proteção patrimonial
De acordo com Voigt, parte dos clientes da Chainless utiliza a blockchain não apenas para negociar ativos digitais, mas também para construir e proteger patrimônio no longo prazo.
O executivo relaciona esse movimento à memória de investidores brasileiros sobre o bloqueio da poupança durante o governo de Fernando Collor. Na avaliação dele, essa experiência contribuiu para aumentar a preocupação de parte dos investidores com a segurança e a autonomia sobre seus próprios recursos.
Nesse contexto, a blockchain aparece como uma alternativa para acessar mercados e estruturas fora do sistema financeiro tradicional brasileiro.
“Eles procuram uma forma de sair do risco do Brasil, do risco regulatório e, de maneira geral, do risco institucional, para proteger o patrimônio e, assim, crescer fora do Brasil”, disse.
Além disso, Voigt citou a possibilidade de utilizar tokenização combinada a estruturas jurídicas em países com ambientes regulatórios considerados mais estáveis, como a Suíça.
Investidores buscam mais autonomia sobre o patrimônio
A Chainless também trabalha com o conceito de soberania patrimonial, que ganhou relevância entre investidores interessados em manter maior controle sobre seus ativos.
Para Voigt, investidores brasileiros mais velhos, especialmente aqueles que viveram o período do bloqueio da poupança, carregam uma preocupação maior com a possibilidade de intervenções futuras sobre seus recursos.
Por isso, tecnologias como blockchain e Bitcoin passam a ser vistas como instrumentos para ampliar a autonomia financeira.
“Vem a blockchain, o Bitcoin, mas também todos os outros ativos tokenizados, que dão acesso a mercados que não podem ser censurados”, afirmou.
Segundo o executivo, essa característica permite que os investidores tenham acesso a estruturas nas quais nem a própria Chainless ou terceiros conseguem interferir diretamente sobre os ativos.
Operações maiores indicam mudança de comportamento
A mudança também aparece no perfil das transações realizadas pelos clientes. Conforme Voigt, a plataforma identificou uma redução na frequência das operações acompanhada por um aumento nos valores movimentados.
Para o executivo, o comportamento sugere que o investidor deixou de utilizar os ativos digitais apenas para experimentar uma nova tecnologia e passou a incorporá-los em estratégias de patrimônio.
Assim, a tendência pode representar uma nova etapa de maturidade do mercado, com maior foco em investimento, proteção patrimonial e diversificação.
A entrevista com Kevin Voigt foi realizada pelo BP Money durante o Blockchain.RIO 2026, evento do qual o veículo foi mídia parceira.











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