Analistas da agência de classificação de risco Moody’s escreveram em relatório que as stablecoins e a tecnologia blockchain melhoram a integração entre diferentes áreas do mercado financeiro e de capitais. Entre elas, a empresa destaca crédito privado, finanças sustentáveis e fluxos de capital de mercados emergentes.
Isso ocorre porque a tokenização permite automatizar processos ao registrar as etapas de uma operação em uma rede blockchain. Assim, o uso de contratos inteligentes garante que seja possível liquidar transações com a transferência de propriedade e o pagamento ocorrendo ao mesmo tempo sem a necessidade de intermediários.
“Ao longo de 2025, bancos, gestores de ativos e plataformas digitais nativas emitiram instrumentos de crédito como tokens digitais, permitindo pagamentos automatizados de cupons, rastreamento transparente de garantias e atualizações de posição em tempo real”, destaca a Moody’s. A agência lembra que a inovação atraiu fundos de crédito privado, como a Apollo e Wisdomtree.
No caso dos títulos ligados à sustentabilidade, a Moody’s diz que a tokenização permite a incorporação de métricas de desempenho diretamente em contratos inteligentes, permitindo medições mais consistentes das reduções de emissões, aquisição de energia renovável e outras metas ambientais.
Dentro deste cenário, as stablecoins, que são criptomoedas de valor atrelado ao de divisas tradicionais, como o dólar, agem como conexão entre os segmentos. De acordo com a Moody’s, o uso deste tipo de moeda digital para a liquidação de pagamentos internacionais, operações de transferências de garantias e operações de recompra reduz atritos e permite a gestão de liquidez em tempo real.
“Em 2025, um número maior de instituições regulamentadas adotaram stablecoins lastreadas em dinheiro e em títulos do tesouro para facilitar os movimentos intraday entre fundos, pools de crédito e locais de negociação”, lembra a Moody’s.
O relatório aponta que o fato desses tokens geralmente operarem em blockchains públicas ou autorizadas permite maior interoperabilidade entre plataformas e fornece uma camada de liquidez uniforme. As plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) teriam um papel relevante nesta evolução.
“Originalmente construída para criptoativos, a infraestrutura DeFi agora suporta títulos do tesouro tokenizados, como o fundo BlackRock BUIDL15, commercial papers e instrumentos de crédito”, comentam os analistas da Moody’s.
A concretização desta evolução, contudo, ainda depende do desenvolvimento constante da infraestrutura blockchain. O relatório destaca que a tecnologia está atualmente sendo implantada em programas piloto e emissão em escala limitada de títulos tokenizados, com estimativa de economia de 0,3 ponto percentual a 0,4 p.p. por ano em comparação com as tecnologias tradicionais.
“Embora esses benefícios provavelmente aumentem até 2030, a plena realização de eficiências e efeitos de rede dependerá do desenvolvimento de uma infraestrutura que conecte as finanças digitais e tradicionais”, diz a Moody’s.
O relatório lembra que foram necessários 20 anos de desenvolvimento para se chegar à compra em um clique no comércio digital. “O momento de ‘um clique’ das finanças digitais exigirá investimentos e desenvolvimento tecnológico significativos. Essa transformação envolve a integração de crédito tokenizado, instrumentos financeiros sustentáveis e dinheiro programável para transações.”









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