O avanço das stablecoins no sistema financeiro já ultrapassou o mercado de criptoativos e começa a consolidar a tecnologia como uma infraestrutura para pagamentos internacionais, na avaliação de Guilherme Campos, CEO e cofundador da DSEC Labs.
Em entrevista exclusiva ao BP Money, durante o Blockchain.RIO 2026, Campos afirmou que as stablecoins já funcionam como uma espécie de base para operações de envio e movimentação de recursos entre países.
O BP Money é mídia parceira do Blockchain.RIO 2026, realizado no Rio de Janeiro nos dias 12 e 13 de agosto.
“Stablecoin não é mais um pensamento, um ativo ou propriamente uma cripto. Hoje se tornou um meio de pagamentos globais”, afirmou Campos.
Segundo o executivo, a tecnologia já pode atuar como infraestrutura para operações que envolvem, por exemplo, a movimentação de dinheiro do Brasil para os Estados Unidos ou para a Europa.
DSEC movimentou R$ 59,3 milhões em 2026
A DSEC Labs já movimentou R$ 59,3 milhões em 2026, segundo dados apresentados pela empresa. Além disso, com cerca de um ano e dois meses de atuação focada nesse mercado, a companhia estabeleceu como meta alcançar R$ 100 milhões movimentados até o fim deste ano.
Campos destacou que a empresa também atua com soluções de infraestrutura e modelos de white label, permitindo que outras empresas utilizem a tecnologia desenvolvida pela DSEC.
Nesse cenário, o executivo avalia que o crescimento da operação mostra a demanda por soluções capazes de conectar o sistema financeiro tradicional à infraestrutura da blockchain.
Ao mesmo tempo, a proposta, segundo ele, é levar esse tipo de tecnologia para o cotidiano de empresas e profissionais liberais, como médicos, advogados e contadores, que precisam movimentar recursos internacionalmente.
Blockchain nos bastidores dos pagamentos
Uma das frentes citadas por Campos é a DominiPay, solução voltada à simplificação de pagamentos internacionais com o uso da blockchain nos bastidores.
Para o executivo, o principal gargalo enfrentado por empresas e profissionais brasileiros que recebem recursos do exterior está na combinação entre tempo e custos das operações tradicionais.
“Quando você tem realmente a infraestrutura blockchain rodando por trás, você se resguarda perante ao tempo, que isso cai instantaneamente, em questão de segundos”, afirmou.
Além da velocidade, Campos destacou a redução dos custos. Segundo ele, a utilização da infraestrutura blockchain pode evitar as taxas consideradas abusivas em determinadas operações internacionais, mantendo apenas os custos relacionados à rede.
Dessa forma, a proposta da DSEC é que o usuário tenha uma experiência semelhante à de uma operação bancária convencional, enquanto a infraestrutura baseada em blockchain funciona por trás da transação.
“É a facilidade de entrar nesses bancos, ter essa facilidade, mas ter realmente a infraestrutura da blockchain, da Web3 rodando por trás”, disse.
Privacidade ainda é um desafio para blockchain
Nesse sentido, durante o Blockchain.RIO 2026, questões relacionadas à privacidade e segurança também estiveram entre os debates do evento.
Nesse sentido, Campos avalia que conciliar a proteção de dados com a transparência característica da blockchain é um desafio que exige diferentes camadas de soluções.
De acordo com o CEO, é necessário compreender como cada rede funciona e qual é o propósito de sua utilização antes de definir mecanismos para garantir privacidade.
“Acho que tem várias camadas, várias formas de você entender como você trazer a privacidade”, afirmou.
Além disso, Campos relacionou a discussão ao funcionamento de redes utilizadas em operações peer-to-peer (P2P), destacando a necessidade de analisar a estrutura tecnológica por trás de cada solução.
Assim, na visão do executivo, o avanço da blockchain como infraestrutura financeira depende não apenas da velocidade e dos custos das operações, mas também da capacidade de equilibrar transparência, segurança e privacidade.











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