O mercado de cartas colecionáveis, com destaque para as de Pokémon, entrou no radar das startups de blockchain como uma nova fronteira de tokenização. Estimativas citadas pelo setor apontam para um mercado de US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões, com filas de madrugada em redes varejistas e vendas de milhões de dólares. A ideia é transformar cartas físicas em ativos digitais para criar liquidez e modernizar um mercado ainda fragmentado e lento.
Mercado de cartas Pokémon movimenta bilhões e atrai o varejo
Em uma manhã fria de abril, centenas de pessoas se reuniram em frente a uma unidade da Costco na Colúmbia Britânica às 3h30, horas antes da abertura, para comprar caixas das cartas Prismatic Evolutions, vendidas por cerca de C$ 100. No Facebook Marketplace, os mesmos produtos são anunciados por valores várias vezes superiores ao preço de varejo, evidenciando a pressão de demanda.
Grandes redes como Target e Walmart também passaram a lidar com a corrida por lançamentos, enquanto o eBay consolidou US$ 2,62 bilhões em vendas de cartas em 2025. O movimento reforça a tese de que colecionáveis se tornaram uma classe de ativos alternativa relevante, capaz de atrair investidores que buscam diversificação além de ações, renda fixa e até mesmo criptoativos.
A cena na Costco não é isolada. Relatos de filas em lojas físicas e a rápida revenda por múltiplos do preço original se tornaram comuns em diversas regiões, alimentando um ciclo de valorização que chama a atenção de colecionadores e especuladores.
Recordes de venda e comparação com S&P 500 e Bitcoin
O influenciador Logan Paul vendeu uma carta rara, a Pikachu Illustrator, por US$ 16,5 milhões, um dos maiores valores já registrados para um item de coleção. O negócio ocorreu em um momento em que o desempenho do segmento de cartas superou, em certos períodos, o retorno do S&P 500 e até mesmo do Bitcoin, o que intensificou o apelo entre investidores institucionais e individuais.
Os números do eBay ajudam a dimensionar o fenômeno: US$ 2,62 bilhões em vendas de cartas apenas em 2025, um montante que rivaliza com o volume de alguns mercados financeiros de nicho. A comparação com classes tradicionais de investimento passou a ser usada por participantes do setor para justificar a busca por mecanismos mais eficientes de negociação e precificação.
O desempenho superior ao S&P 500 e ao Bitcoin em determinados recortes temporais é citado como evidência do potencial de retorno, mas também levanta questões sobre volatilidade e liquidez. A falta de padronização e a dificuldade de verificação de autenticidade são alguns dos entraves que o blockchain se propõe a resolver.
Tokenização de cartas físicas: a aposta das startups
A startup ATH Labs, por meio da plataforma Deadstock, está entre as que desenvolvem soluções para tokenizar cartas de alto valor. A ideia é emitir tokens digitais que representem cartas físicas e que sejam armazenados em cofres, permitindo a negociação dos ativos em blockchains sem a necessidade de movimentar o item original.
Esse modelo busca dar mais transparência e eficiência a um mercado que ainda depende de intermediários, laudo e envio físico. Com a tokenização, a fração ou a venda integral de uma carta poderiam ser registradas em rede, ampliando as possibilidades de investimento e reduzindo custos operacionais.
Além da Deadstock, outras iniciativas exploram a tokenização de colecionáveis, mas a maior parte ainda enfrenta o desafio de criar oferta e demanda em escala. A infraestrutura de custódia, a verificação de autenticidade e a integração com plataformas de negociação são etapas críticas para ganhar confiança.
Liquidez e efeito de rede: os desafios contra marketplaces
O principal obstáculo para as plataformas baseadas em blockchain é a liquidez. Marketplaces como eBay já contam com milhões de usuários ativos, histórico de transações e confiança estabelecida, fatores difíceis de replicar em um novo ambiente digital.
As startups precisam superar o efeito de rede dos incumbentes para atrair colecionadores e investidores. Sem volume suficiente de ordens de compra e venda, a formação de preços se torna ineficiente, o que limita a adoção até mesmo entre os entusiastas de criptoativos.
A estratégia adotada por alguns projetos tem sido focar em cartas de alto valor, com laudo profissional e seguro, para reduzir riscos e atrair um público inicial. A expectativa é que, com o tempo, a tokenização permita a criação de mercados secundários mais líquidos, mas o caminho até lá ainda exige soluções robustas de governança e compliance.











Leave a Reply