Tokenização e stablecoins movimentam Blockchain.RIO 2026


O Blockchain.RIO 2026, que ocorre entre 11 e 13 de agosto no Rio de Janeiro, reúne as principais novidades do mercado de ativos digitais no Brasil, com participação de Binance, Chainless e LiberPay em discussões sobre tokenização, stablecoins, regulação e integração entre criptoativos e o sistema financeiro tradicional. A agenda do evento acontece em meio a avanços paralelos de B3 e Núclea em infraestruturas digitais, incluindo stablecoin e duplicata escritural.

Binance e Chainless pautam tokenização no evento

Executivos da Binance participam do Blockchain.RIO 2026 com debates sobre integração entre criptoativos e mercado financeiro tradicional, tokenização, regulação, investimentos institucionais e distribuição de ativos digitais. Estão confirmados Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil; Bruno Resende, diretor de Finanças e Tributos para as Américas; Pedro Kunzler, responsável por Vendas VIP e Institucional; e Vinícius Volpatte, diretor de Risco. Sarandy participa de discussões sobre tokenização e acesso global a investimentos, e Resende integra painel sobre mudanças regulatórias.

Entre os temas previstos na programação da exchange estão a presença de criptoativos em portfólios tradicionais, aplicações de inteligência artificial associadas a ativos do mundo real tokenizados (RWA) e a distribuição de ativos digitais. Os painéis também reúnem representantes de BTG Pactual, Itaú Asset Management, Hashdex, Coinbase, CVM, Liqi e Chiliz.

Chainless amplia exposição a ações e ETFs dos EUA

A Chainless apresentará no Blockchain.RIO 2026 uma integração com a Ondo Global Markets para oferecer exposição econômica tokenizada a ações e ETFs negociados nos Estados Unidos. Segundo a empresa, o acesso ao produto será inicialmente restrito a investidores qualificados, enquanto acompanha o desenvolvimento regulatório dessa categoria no Brasil.

A companhia ressalta que os produtos fornecem exposição econômica aos ativos subjacentes, mas não representam necessariamente a propriedade direta das ações nem garantem os mesmos direitos societários de um acionista registrado. A Chainless atua como provedora de tecnologia e afirma que não é uma instituição financeira autorizada pelo Banco Central do Brasil.

Em dois anos de operação, a Chainless diz ter alcançado aproximadamente 40 mil clientes e processado mais de R$ 500 milhões desde o lançamento, ocorrido durante o próprio Blockchain.RIO. Entre janeiro e julho de 2026, o volume informado foi de R$ 336,5 milhões, contra R$ 153,2 milhões em todo o ano de 2025.

LiberPay apresenta pagamentos com stablecoins

A LiberPay levará ao Blockchain.RIO 2026 sua infraestrutura para pagamentos com criptomoedas e stablecoins. O cofundador Tobias Kleitman participa do evento em 12 de agosto para discutir o uso desses ativos em transações realizadas por pessoas e empresas.

Fundada em 2025, a empresa escolheu o Brasil como primeiro mercado e desenvolveu uma plataforma que permite pagamentos por QR Code e links. As transferências ocorrem diretamente entre as partes, e a companhia não assume a custódia dos ativos. O modelo é baseado em autocustódia e tem suporte a stablecoins como USDC e USDT. A LiberPay afirma que sua proposta não é substituir o Pix, mas oferecer uma infraestrutura específica para transações com ativos digitais.

B3 testa stablecoin B3RL e divulga resultados do 2T26

A B3 registrou receita de R$ 3,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 12,2% na comparação anual. O lucro líquido recorrente chegou a R$ 1,4 bilhão, crescimento de 8%, e o lucro recorrente por ação ficou em R$ 0,28. As receitas recorrentes cresceram 17,3%, enquanto as atividades pró-cíclicas avançaram 7,9%.

No detalhe por segmento, Soluções Analíticas de Dados cresceram 22%, Renda Fixa e Crédito 17%, Soluções para Mercado de Capitais 26% e Tecnologia e Plataformas 16%. No mercado à vista, o volume financeiro médio diário foi de R$ 31,3 bilhões, alta de 20,1%.

Na área de ativos digitais, a B3 informou que iniciou testes da infraestrutura da B3RL, sua stablecoin, relacionada aos projetos de tokenização da companhia. No trimestre, a empresa também recebeu autorização regulatória para atuar na escrituração de duplicatas e lançou novos índices e produtos vinculados ao IPCA e ao PIB.

Núclea dá primeiro passo na Duplicata Escritural

A Núclea realizou a primeira escrituração de uma Duplicata Escritural no ambiente de Produção Assistida, com transações reais em ambiente controlado e supervisão do Banco Central do Brasil. A etapa faz parte do processo de implementação do novo modelo de duplicatas e antecede sua utilização em maior escala, permitindo testar a interação entre participantes e infraestruturas do ecossistema.

Pesquisa realizada pela Núclea em parceria com o IBPad e a Môre Consultoria aponta que 82% das instituições financeiras consultadas têm planejamento para operar com Duplicata Escritural. O levantamento também indica que 88% esperam que o modelo contribua para ampliar a distribuição de crédito no país.

DEX lança portal dedicado a ETFs

A DEX colocou no ar, em 10 de agosto, um portal dedicado ao mercado de ETFs, com notícias, análises, artigos e materiais educativos sobre fundos de índice. A plataforma pretende atender desde investidores iniciantes até profissionais do mercado, com temas como conceitos básicos de ETFs, estratégias de alocação, setores da economia e fatores macroeconômicos.

O portal também prevê artigos produzidos por profissionais da DEX e parceiros, entre eles Nu Asset, Itaú Asset, Global X ETFs, Galápagos Capital e Investo. A iniciativa se soma à estruturação de índices personalizados, realização de eventos e produção de conteúdo sobre investimentos que a DEX já desenvolve no segmento. A companhia afirma que pretende concentrar no portal diferentes informações relacionadas à indústria brasileira de ETFs.

Homedock amplia aceitação de Bitcoin

A Homedock, e-commerce brasileiro de móveis e decoração, passou a integrar a plataforma BitcoinBR, ampliando a divulgação de sua opção de pagamento em Bitcoin. A companhia já aceitava a criptomoeda diretamente em seu site desde 2024.

No checkout, o comprador pode fazer a transferência pela rede principal do Bitcoin, em operação on-chain, ou pela Lightning Network. Segundo a empresa, apenas Bitcoin é aceito entre os ativos digitais disponíveis como meio de pagamento. A Homedock afirma que não estabeleceu meta específica de vendas para o novo canal e trata a integração como parte da estratégia de atender consumidores que utilizam criptomoedas.



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