A Zayra, startup brasileira de educação voltada a finanças digitais, captou R$ 15 milhões em uma rodada seed para desenvolver e lançar uma plataforma de formação especializada em tecnologias como blockchain, tokenização, stablecoins e pagamentos digitais.
O aporte foi realizado pelos investidores-anjo Gustavo Guedes Maniero, Ibrahim Jamhour e Edison Raposo, além de outros nomes ligados ao mercado financeiro. Os recursos serão direcionados ao desenvolvimento tecnológico da plataforma, criação de um estúdio de produção e gravação das primeiras aulas. Parte do conteúdo será produzida em parceria com a SP Tech, instituição de ensino superior de tecnologia de São Paulo.
A aposta ocorre em um momento de transformação do mercado financeiro brasileiro. Desde fevereiro deste ano, empresas que prestam determinados serviços envolvendo ativos virtuais passaram a operar dentro de uma regulamentação específica do Banco Central, com exigências relacionadas a autorização, governança, segurança, controles internos e relacionamento com clientes.
O que a Zayra pretende ensinar?
A proposta da startup é formar profissionais que precisam lidar com a infraestrutura financeira digital que começa a ser adotada tanto por empresas especializadas em criptoativos quanto por instituições financeiras tradicionais.
Os cursos deverão abordar blockchain, stablecoins, tokenização de ativos, pagamentos digitais, contratos inteligentes, segurança, custódia de ativos digitais, regulamentação e inteligência artificial aplicada aos negócios.
O público-alvo inclui profissionais das áreas de tecnologia, finanças e negócios, além de desenvolvedores interessados em trabalhar com essas tecnologias. A empresa também pretende reunir especialistas do setor para oferecer aulas, workshops, palestras e mentorias.
A plataforma será estruturada em um modelo chamado pela companhia de Learn, Build, Earn. A ideia é que o aluno avance da aprendizagem dos conceitos para o desenvolvimento de projetos práticos e, posteriormente, consiga aplicar o conhecimento profissionalmente ou na criação de novos negócios.
Plataforma terá inteligência artificial própria
Uma das principais apostas tecnológicas da Zayra será uma ferramenta de inteligência artificial chamada ZAI.
O sistema terá acesso aos materiais educacionais da própria plataforma, incluindo aulas, áudios, apresentações e conteúdos complementares. A proposta é permitir que o aluno faça perguntas sobre o assunto estudado e receba respostas considerando o contexto daquele conteúdo.
Segundo a empresa, a tecnologia também deverá acompanhar a interação do aluno com as aulas para personalizar a experiência de aprendizagem.
A utilização da IA funciona, portanto, como parte do próprio produto da startup, e não apenas como um dos temas ensinados nos cursos.
Quem criou a Zayra?
A Zayra foi fundada por Tito Martins, executivo com cerca de três décadas de experiência no mercado financeiro e passagens por instituições como Banco Matrix, Itaú Unibanco e HSBC.
Também fazem parte da fundação Claudio Yamaguchi, profissional com experiência em tecnologia e educação e um dos fundadores da escola de produtos digitais Tera, e Daniel Marques, desenvolvedor que trabalha com blockchain desde 2016 e responde pela infraestrutura tecnológica da plataforma.
A equipe executiva inclui ainda Renato Janesch como CFO, profissional que já passou por Citi, DuPont e Magazine Luiza.
Regulação aumenta demanda por especialização
O momento escolhido para lançar a empresa coincide com uma mudança significativa no mercado brasileiro de ativos digitais.
O Banco Central regulamentou em novembro de 2025 a constituição e o funcionamento das sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais, estabelecendo categorias específicas para intermediárias, custodiantes e corretoras de ativos virtuais. As principais regras começaram a vigorar em 2 de fevereiro de 2026.
A regulamentação estabelece, entre outros pontos, necessidade de autorização para funcionamento e regras relacionadas à segregação dos ativos mantidos para clientes.
A agenda regulatória continua avançando. Em julho, o Banco Central também definiu o enquadramento prudencial das empresas que atuam nesse segmento. A partir de 1º de janeiro de 2027, essas instituições passarão a observar novas exigências de capital e gerenciamento de riscos.











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