Fusca, criptomoedas e fazenda: curiosidades sobre o patrimônio dos candidatos ao Senado


Alcides Fernandes, Capitão Wagner, Cid Gomes e Luizianne Lins, candidatos ao Senado (Foto: FCO FONTENELE; SAMUEL SETUBAL; FERNANDA BARROS; AURÉLIO ALVES)
Foto: FCO FONTENELE; SAMUEL SETUBAL; FERNANDA BARROS; AURÉLIO ALVES
Alcides Fernandes, Capitão Wagner, Cid Gomes e Luizianne Lins, candidatos ao Senado

Fusca e Hilux, terreno e casa de praia, apartamento e fazenda, posto de gasolina e revenda de carros, obras de arte e uma BMW. A corrida pelo Senado no estado é concorrida também quando se trata de patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Dos candidatos e suplentes que postulam as duas vagas na Casa, há quem tenha informado R$ 1 milhão (Júnior Mano, do PSB) ao TSE e quem não tenha informado nada (Emanuel Menezes, 1º suplente da titular Catarina Matos, ambos da UP).

E há ainda quem nade em dinheiro farto. É o caso de Prisco Bezerra (União Brasil), cujo patrimônio soma mais de duzentos milhões de reais (R$ 201.352.865,22, pra ser preciso).

Irmão do ex-prefeito de Fortaleza e candidato a vice-governador Roberto Cláudio (UB), Prisco é apenas o degrau mais alto dessa escada. Entre ele e Emanuel da Unidade Popular, há posições intermediárias na gradação de bens.

No bloco governista, por exemplo, Cid Gomes (PSB) anotou R$ 1.595.202,78 (um milhão e meio de reais), que se distribuem entre investimentos imobiliários (apartamentos no Meireles e em Sobral, outro terreno em Sobral e um sítio na serra da Meruoca), uma empresa de corretagem, uma rádio e um posto de gasolina.

A cartela de negócios do senador socialista é diversificada. Mas isso não é a regra. Diferentemente de Cid, outros candidatos são mais conservadores nas suas aplicações – e bem mais ricos também.

Rodrigo Oliveira (Rodrigo Paes de Andrade Lopes de Oliveira, na verdade), do MDB, é o 2º suplente de Luizianne Lins (Rede), que pleiteia vaga no Senado. Filho do deputado federal e ex-senador Eunício Oliveira (MDB), o jovem empresário direciona seus recursos sobretudo para ações de empresas e criptomoedas.

Ao todo, o patrimônio declarado de Rodrigo é de R$ 78.678.550,66 – lendo o número: 78 milhões de reais. Além de investidor, o sucessor de Eunício é CEO da empresa Romma Eletrônica, do ramo de segurança, mas contabiliza 17 investimentos diferentes na seara do “ciberdinheiro”, uma frente pouco explorada por seus adversários do mundo político.

LL, por sua vez, é o avesso do suplente no volume de valores e no destino prioritário de sua verba. À frente de modestos 333,2 mil reais em patrimônio, tem 95 mil em conta, um apartamento de pouco mais de 200 mil no bairro Aldeota e um Fusca estimado em 10 mil reais. Ano da preciosidade: 1969.

Em matéria veicular, aliás, os pretendentes ao Senado não mais parecidos do que pensam em termos de gosto estético. Entre o Fusca de LL e um automóvel de Prisco calculado em um milhão e 100 mil reais, há de tudo. Mas a preferência dos senatoriáveis ainda é por um modelo: a Toyota Hilux.

A caminhonete é o xodó não apenas dos endinheirados, dos forrozeiros e dos ricos emergentes, mas dos políticos e aspirantes a senador com posse suficiente para adquiri-la.

Em meio ao pé de guerra entre ciristas e elmanistas, o carro é presença garantida dos dois lados da disputa eleitoral por um assento de senador, numa prova de que o que política cearense costuma separar, o amor pela Hilux une.

Primeiro suplente de Alcides Fernandes (PL) na peleja pela Câmara Alta, o ex-prefeito de Itapipoca João Barroso (PSDB) pode ser visto desfilando pelas CEs com uma Hilux – e também numa SUV Captiva, uma BMW, uma Mercedez. Pelos passeios no litoral, claro, ele vai na sua lancha, avaliada em 572 mil reais.

Dono de 62 milhões em patrimônio, o tucano detém ainda dez terrenos, 11 apartamentos e uma fazenda, além de propriedades ou participações em empresas do ramo imobiliário. Sua riqueza não é como a de Rodrigo Oliveira, que, embora se origine no mundo empresarial da família, acabou se expandindo rapidamente para o arrojado e imprevisível setor das finanças.

Barroso é homem de terra e imóveis, ou seja, do dinheiro à moda antiga. O emedebista é mais do time do “dinheiro novo”, que se multiplica na nuvem e nas operações invisíveis do capitalismo financeirizado.

Já o empresário Júlio Ventura, 2º suplente de Cid, é o cara das “quatro rodas”. Sua praia é automotiva – seu interesse são venda e locação de carros, peças, maquinário, enfim, tudo que diga respeito ao comércio e aluguel de veículos, que o ajudaram a esculpir uma fortuna de 63,7 milhões de reais.

A quantia do suplente está abaixo dos 200 milhões de Prisco (1,3 milhão em obras de arte), mas muito acima dos 3,6 milhões de Lúcio Gomes (dois carros, terrenos e imóveis), dos 6,1 milhões de Guilherme Theophilo (carro, apartamento e investimento de três milhões de reais em um fundo), dos 2,7 milhões de Chagas Vieira (quatro apartamentos, investimentos e previdência privada), dos 2,3 milhões de Capitão Wagner (dois apartamentos, duas casas, uma das quais em Cascavel, e um terreno) e dos 648 mil de Alcides Fernandes (casa, terreno e poupança).

E muito mais ainda dos dez mil, quatrocentos e trinco reais e trinta e três centavos (R$ 10.435,33) de Catarina Matos, que concorre ao Senado pela primeira vez.





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