Movimento pró-cripto quer ampliar participação da comunidade no debate político | Criptomoedas


Lançado neste ano, o movimento Juntos por Cripto pretende organizar os usuários de ativos digitais para ampliar a participação do grupo nas discussões políticas e regulatórias. A iniciativa se define como política e suprapartidária e ressalta que não apoiará partidos ou candidatos específicos.

Em entrevista ao Valor, a diretora da organização, Marina Fagali, afirmou que a proposta é incluir a sociedade civil em uma interlocução hoje conduzida, majoritariamente, por empresas, associações e profissionais de relações governamentais. Segundo a executiva, os usuários são diretamente afetados pelas normativas do setor, mas não necessariamente estão representados por essas entidades.

O grupo planeja monitorar projetos de lei, normas e debates relacionados ao ecossistema de criptoativos. A estratégia envolve a criação de canais para que os participantes enviem manifestações a parlamentares e reguladores, estruturem mobilizações digitais e cobrem posicionamentos públicos sobre propostas em tramitação.

Embora defenda a regulamentação do mercado, o movimento argumenta que o arcabouço normativo deve abranger as diferentes aplicações da tecnologia. Na avaliação de Fagali, o debate no Brasil ainda se concentra restritamente no uso financeiro dos criptoativos, deixando à margem outras funcionalidades do blockchain e da tokenização. “A nossa discussão é que o setor seja regulado, mas bem regulado”, disse.

A executiva ponderou que medidas de combate a fraudes e lavagem de dinheiro são necessárias, mas ressaltou que não devem se converter em obstáculos generalizados para a operação de usuários e empresas. “Não é sufocando a inovação e criando obstáculos que se vai combater o crime”, acrescentou.

Segundo Fagali, o “Juntos por Cripto” descarta eleger um parlamentar como representante exclusivo do setor no Congresso. A tática é estabelecer pontes de diálogo com políticos de diferentes matizes partidárias — incluindo autores de propostas consideradas desfavoráveis ao setor — com o intuito de prover informações técnicas sobre o funcionamento e os casos de uso da tecnologia.

A principal ferramenta do grupo será uma plataforma digital de acesso gratuito, que compilará os projetos de âmbito federal relacionados aos ativos digitais. O sistema apresentará resumos das propostas, o histórico de tramitação e o painel de votos e manifestações públicas dos parlamentares. Os textos legislativos serão classificados conforme seu grau de alinhamento ao manifesto da organização.

A área da ferramenta dedicada às eleições tem lançamento previsto para após o início do período legal de propaganda eleitoral, a partir do dia 16 de agosto. Segundo a diretora, o cronograma visa mitigar o risco de que o conteúdo seja interpretado pela Justiça Eleitoral como propaganda antecipada. O acesso à plataforma exigirá cadastro, com tratamento de dados em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A iniciativa brasileira toma como referência movimentos criados nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. Segundo Fagali, o modelo americano alcançou maior mobilização de usuários, enquanto a construção de uma base semelhante no Brasil ainda está em estágio inicial.

A organização afirma ter reunido cerca de 10 mil apoiadores em dois meses e meio de atuação. Um dos desafios apontados por Fagali é ampliar a presença fora do Sudeste, onde estão concentrados os organizadores e parte das empresas e dos eventos do setor. O grupo já realizou um encontro com parlamentares ligados a projetos sobre ativos digitais em Brasíla (DF) e pretende usar o período eleitoral para ampliar sua base e a interlocução política.



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