Tiago Gouveia: «Experiência em França e no Nice faz-me crescer»


A 24ª jornada do Campeonato francês da primeira divisão de futebol masculino ficou encerrada no domingo 01 de Março com o triunfo do Marselha diante do Lyon por 3-2. O Paris Saint-Germain venceu o Le Havre por 1-0 e é cada vez mais líder da Ligue 1. 

A temporada 2025/2026 da Liga Francesa entrou na fase decisiva. As duas equipas que lutam pela liderança e pelo título estão em zona de turbulências.

O Paris Saint-Germain venceu pela segunda vez consecutiva. Após o triunfo por 3-0 em casa diante do Metz, o PSG venceu pela margem mínima, por 0-1, na deslocação ao terreno do Le Havre. Um triunfo suado em que a equipa da casa teve inúmeras ocasiões de chegar ao empate e inclusive o avançado parisiense, Désiré Doué, falhou uma grande penalidade que poderia ter ditado o fim do jogo.

No entanto, graças ao tento apontado por Bradley Barcola, aos 37 minutos de jogo, o PSG levou para casa os três pontos e uma liderança reforçada com quatro pontos de vantagem em relação ao Lens.

A equipa do Norte da França não vence há dois encontros consecutivos. Após a derrota caseira por 2-3 diante do Mónaco, o Lens acabou por ceder um empate a uma bola na deslocação ao terreno do Estrasburgo.

O Lens perdeu mais dois pontos em relação ao Paris Saint-Germain. Do primeiro lugar após a 22ª jornada, a equipa comandada pelo treinador francês Pierre Sage caiu para a segunda posição e já está a quatro pontos da liderança.

No terceiro lugar está o Lyon com 45 pontos, mais dois do que o Marselha, visto que neste domingo, 01 de Março, os marselheses venceram por 3-2 o Lyon.

Na luta pela permanência na Ligue 1, o Metz, 18° e último classificado com 13 pontos, perdeu frente ao Brest por 0-1, o Nantes, na 17ª posição com 17 pontos, foi derrotado pelo Lille por 1-0, e o Auxerre, 16° com 18 pontos, empatou a duas bolas diante do Lorient.

As duas últimas equipas descem directamente para a segunda divisão, enquanto o 16° terá de disputar um play-off diante do melhor terceiro da Ligue 2.

Tiago Gouveia, extremo português.
Tiago Gouveia, extremo português. © AFP – FRANCK FIFE

Em luta para evitaram os últimos lugares estão o Le Havre, 13° com 26 pontos, o Paris FC, 14° com 26, e o Nice, 15° com 24 pontos.

Nas duas últimas temporadas, o Nice terminou respectivamente na quinta posição na época 2023/2024 e na quarta posição na temporada passada, 2024/2025.

Este ano tem sido mais complicado e a equipa do Sul da França luta agora para não descer ou pelo menos não estar num lugar perigoso. Após uma campanha europeia com um triunfo e sete derrotas na fase regular da Liga Europa, o Nice ainda tem dois objectivos: a permanência na Ligue 1 e a Taça de França.

Durante o fim-de-semana, o Nice foi derrotado pela 12ª vez na Ligue 1, perdendo por 1-0 na deslocação ao terreno do Paris FC, rival directo neste momento na classificação.

O Nice tem agora pela frente a Taça de França. Nos quartos-de-final, a 04 de Março, a equipa do Sul da França desloca-se ao terreno do Lorient, numa prova em que o vencedor da época passada, o Paris Saint-Germain, já foi eliminado.

No que diz respeito à Liga Francesa, o Nice vai defrontar o Rennes a 08 de Março num jogo a contar para a 25ª jornada.

Tiago Gouveia (centro), extremo do Nice.
Tiago Gouveia (centro), extremo do Nice. © AFP – NIKOLAY DOYCHINOV

No fim do encontro, frente ao Paris FC, a RFI falou com Tiago Gouveia, extremo português de 24 anos do Nice, que está emprestado pelo Benfica e que já vestiu as camisolas do Sporting CP e do Estoril, em Portugal, antes de rumar ao Nice, por empréstimo dos encarnados, naquela que é a primeira experiência fora de Portugal.

Em entrevista exclusiva à RFI, Tiago Gouveia analisou a derrota do Nice e também abordou a sua experiência em França, num clube que tem uma águia como símbolo… exactamente como o Benfica.

RFI: Que análise se pode fazer sobre a derrota por 1-0 diante do Paris FC?

Tiago Gouveia: Era uma equipa que estava perfeitamente ao nosso alcance. Uma equipa que, tanto tacticamente como tecnicamente, nós podíamos superá-la. Mas, infelizmente, não conseguimos. Acho que, no cômputo geral, fomos superiores durante o jogo todo, mas não fomos eficazes. Tivemos as nossas oportunidades.

Quando entrou, o Tiago fez a diferença…

Eu cresci a jogar a extremo, tanto do lado direito como do lado esquerdo. A minha posição natural é extremo, esquerdo ou direito, e preferencialmente esquerdo. A experiência (ndr: em França) está a me fazer crescer muito, porque está a ser realmente bastante difícil. O tempo de jogo não tem sido o esperado. Tive ali um momento em que, na altura em que vim jogar aqui a Paris contra o PSG, tive três jogos seguidos a titular, e tive essa boa fase desses três jogos. Depois voltei a não conseguir ter muito tempo de jogo. Ultimamente até tenho lutado mais para ser convocado do que propriamente para jogar. O que se torna bastante complicado porque não foi de todo o objectivo da minha vinda para cá lutar para ser convocado, mas sim lutar por um lugar no onze titular. Por isso, a esse nível tem sido bastante difícil, mas o campeonato de facto é um campeonato muito difícil. Um campeonato muito renhido, em que fisicamente as equipas são muito fortes e exigem que nós estejamos sempre no mais alto nível, tanto físico como mental, como técnica, como táctico, porque se não estivermos, estamos sempre mais perto de não ganhar o jogo.

Em que é que esta experiência faz crescer o Tiago?

Faz-me crescer no sentido de que, se calhar em Portugal, no campeonato português, um jogo em que nós não estejamos a 100%, podemos ganhar o jogo com uma sorte aqui, uma sorte acolá, mas aqui é muito difícil. Aqui temos que estar sempre com a nossa força máxima. Claro que podemos ganhar com uma sorte aqui, uma sorte acolá, mas aqui o foco tem que estar, mesmo sempre, no máximo. Temos que estar sempre muito bem fisicamente, muito bem mentalmente, porque senão a equipa vai ter sempre dificuldades. E quando entramos numa fase difícil é muito difícil sair. Se nós não conseguirmos dar a volta nesses parâmetros, tanto físicos quanto mentais, se nós não conseguirmos dar a volta, tornar-se-á muito difícil sairmos dessa fase.

Trocaram experiências com todos os portugueses que estão a jogar no campeonato?

Não falamos muito sobre isso. Falo, claro, sobre a experiência e como é que está a ser. Lembro-me de ter falado com o Tiago Santos, do Lille, numa altura em que ele não estava a jogar e ia perguntar o que tinha acontecido. Falo com o João (ndr: Neves) algumas vezes, mas sim, nem é preciso falar, basta ver. Mas, por norma, os portugueses quando vêm para cá até costumam ter algum sucesso e até estão a ter algum sucesso: o Tiago Santos antes da lesão, o João (ndr: Neves) e o Vitinha, o próprio Félix (ndr: Correia) começou bem, e o Afonso Moreira está muito bem no Lyon. No geral, acompanho-os a todos porque são portugueses e eu tenho um grande amor ao meu país. Gosto de ver que quando os portugueses saem, são felizes e espero o mesmo para mim que espero para eles.

Houve a troca de treinador, mudou alguma coisa para o Tiago?

Inicialmente eu pensava que poderia mudar e mudou, de facto, porque a estrutura táctica é diferente. Eu jogava numa posição que não era propriamente a minha, mas que eu, quando vim para aqui, aceitei jogar lá, porque eu também sou capaz de jogar naquela posição e senti-me capaz sempre que joguei lá. Com este treinador, com a mudança táctica, ele voltou a pôr-me na minha posição de origem, extremo esquerdo e extremo direito. Nesse sentido foi positivo. Comecei, quando ele chegou, a ter mais minutos de jogo. Depois, como eu disse, passei a lutar para ser convocado, nas últimas semanas, também por uma pequena lesão que eu tive, o que se tornou um pouco mais difícil. Portanto, não sei se ajudou, se piorou ou se se manteve igual. Tive momentos melhores, tive momentos piores e tive momentos iguais com o antigo treinador. Por isso é difícil de dizer.

Vai crescer ainda mais?

Honestamente, claro que o Benfica é um clube enormíssimo, mas acho que o Nice é um grande clube também. O Nice é um grande clube, também tem uma grande estrutura, o estádio é muito bom e os adeptos são muito bons. E, curiosamente, o ano de fundação é o mesmo. Portanto, eu quando vim foi uma das coisas à qual me conectou. Já sabem perfeitamente o amor que eu tenho pelo clube (ndr: Benfica) e, para mim, será para sempre o meu clube. Mas isso é passado, se bem que ainda estou emprestado. Claro que posso voltar, mas foco muito mais no presente e no dia de amanhã, que é aqui. Eu quero muito ser feliz aqui e quero muito ter sucesso aqui e quero muito que este clube tenha sucesso enquanto estiver cá. Se eu eventualmente sair, vou sempre torcer para que o Nice tenha sucesso.

Como é que se muda o ‘chip’ de uma equipa que estava a lutar pelos primeiros lugares e agora está no 15º e vai ter que lutar pela permanência na Ligue 1?

O futebol é isso mesmo, O futebol é muito imprevisível e nós sabemos que não jogamos sozinhos. Eu sei que nós temos qualidade para estar nos lugares cimeiros da tabela, mas infelizmente não estamos. Nós não podemos chorar pelo leite derramado. Não podemos chorar pelo facto de não estarmos lá em cima e temos que aceitar, acima de tudo, a situação onde nós estamos e lutar por ela. Nós não podemos olhar para cima sem olhar para baixo neste momento. E, portanto, o nosso foco está aí. Temos a Taça de França, vamos jogar nesta quarta-feira, que vai ser muito importante para nós também, mas claramente que a nossa prioridade é a Liga Francesa, porque naturalmente temos que lutar pela manutenção e isso vai ser uma luta muito difícil até ao fim.

Alcançar a permanência e uma vitória na Taça, seria o ideal?

Claramente que sim. Mas entre descer de divisão e ganhar a Taça, eu se calhar prefiro não descer de divisão, porque seria muito mau. Ainda por cima agora com a questão dos direitos televisivos em França, que desceu tudo, acho que seria um desastre, tanto a nível de imagem para o clube como a nível de mérito, porque o clube não merece isso. Um clube tão bom como o Nice, uma cidade linda, um clube com uma grande organização, não merece isso de todo e, por isso, tanto eu como todos estamos focados em conseguir dar essa grande vitória ao clube, que se mantenha. Mas, claramente, no início da época não era esse o nosso objectivo. Mas, infelizmente, temos que o aceitar e temos que fazer de tudo para conseguir a manutenção, porque os jogadores vão e vêm, mas o clube fica e os adeptos ficam. Tanto por nós como por eles, nós temos que dar muitas alegrias e é para isso que nós estamos cá.

Falou dos direitos televisivos, isso preocupa mesmo assim os jogadores?

Não preocupam os jogadores, mas eu sou uma pessoa informada. No geral, eu sou uma pessoa que se informa de tudo e sei que isso é importante. Sei que isso é importante para a sobrevivência de um clube. Não é isso que nos vai guiar. Nós não estamos no campo a pensar nos direitos televisivos, mas é sempre importante. Nós temos um conhecimento geral para onde nós vamos. Eu, quando vim para aqui, olhei para o plantel, vi os jogadores, vi de onde é que vinham, para ter um conhecimento um bocado geral de todos, para perceber de onde é que vinham. Pronto, isso sou eu que faço. Os treinadores, também, onde é que andaram. Eu também sou uma pessoa curiosa.

Tiago Gouveia, extremo português do OGC Nice 02-03-2026

Tiago Gouveia, extremo português.
Tiago Gouveia, extremo português. © AFP – VALERY HACHE



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *