Sessões de “house” usando o deserto do Namibe e a Serra da Leba como palco são o foco de um documentário que vai contar histórias africanas ao som de DJs angolanos, numa parceria ligada ao ator Idris Elba.
O projeto, intitulado “Angola in Motion”, resulta de uma parceria entre o Akuna Group e a editora de “house music” Sound International, ambos fundados pelo ator, produtor e DJ britânico Idris Elba, e é apoiado pela operadora de telecomunicações Africell.
Ao longo de oito dias, uma equipa percorreu Angola para filmar os DJs angolanos em cenários naturais, transformando as paisagens em palcos.
“Estamos aqui para contar histórias, estamos aqui porque o país está pronto para acolher pessoas de todo o mundo para viverem Angola”, declarou Katra Sambili, responsável de Relações Públicas do Akuna Group, deixando um convite para conhecer um país de pessoas “acolhedoras e calorosas”.
“Sinto-me em casa. Eu própria podia ser angolana”, realçou à Lusa.
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O documentário, apresentado esta semana em Luanda, centra-se na cena de “house music” angolana e nos seus protagonistas. “Este projeto é sobre contar as histórias da cena de house em Angola, o talento que existe”, explicou a responsável, adiantando que o filme seguirá as “histórias de origem” dos DJs e a forma como cruzaram as raízes do semba, do kuduro e da kizomba com as batidas do house.
O diretor criativo da Sound International, Joy Williams, que assina a realização, adiantou que cada DJ foi filmado num local diferente para contar uma história: a torre da Africell, em Luanda, a Serra da Leba e o deserto do Namibe.
“Levámos a Ana (Qomsoul) ao Namibe. Dissemos-lhe: mostra-nos o que é a música angolana com este monumento, com esta parte de Angola. E criámos um belíssimo set de uma hora, com ela a misturar Michael Jackson com electro house. Foi de cortar a respiração”, contou o realizador.
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Joy Williams sublinhou que o foco do projeto é trazer a house — género nascido na Europa — e misturá-la com as sonoridades angolanas, destacando a dificuldade de casar o kuduro, que é rápido, com os ritmos do house.
O realizador mostrou-se convicto de que o filme vai aproximar o público europeu da música angolana.
“Assim que este filme sair, a Europa vai perceber o que é a música angolana, a “house” angolana, e que precisam de vir viver isto. Podes ouvi-la no telemóvel, mas é preciso estar aqui para sentir a energia”, defendeu.
Para lá do documentário, a Sound International, que Joy Williams descreve como especialista em descobrir talento, pretende pegar num tema de cada DJ e projetá-lo internacionalmente, levando as músicas aos principais canais e plataformas do setor.
Uma das DJs escolhidas é a angolana Ana Qomsoul, que se mostrou satisfeita por representar uma sonoridade distinta do afro house dominante em Angola, para “mostrar a diversidade que há dentro do house music em Angola”, afirmou à Lusa.
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Filmada nas colinas do Curoca, no Namibe, a DJ considerou que o projeto reúne “os ingredientes essenciais para atrair pessoas a conhecer Angola”, pela música e pelos cenários.
O filme, disse, transmite duas mensagens – a da música e a das imagens — e “mostra um pouco do quão bonita é Angola”.
Ana Qomsoul acredita que a estreia do documentário em Nova Iorque despertará a curiosidade de europeus e norte-americanos para visitar o país “pela música e pelo cenário”, reforçou.
A Africell, parceira do projeto, opera em quatro países africanos — Angola, República Democrática do Congo, Serra Leoa e Gâmbia —, e a ideia inicial era ir a esses mercados contar as suas histórias. “Angola ganhou a corrida”, afirmou Katra Sambili, atribuindo a escolha à estratégia angolana de promoção turística, designada “Visit Angola – Rhythm of Life”.
A responsável descreveu o Akuna Group como uma empresa de criatividade, entretenimento e media apostada em ligar África, o Médio Oriente e a diáspora e em alavancar a economia criativa do continente.
O documentário deverá estar concluído até outubro ou novembro e será exibido em várias cidades onde os promotores têm presença, incluindo Nova Iorque, Nairobi, Acra, Serra Leoa, Ruanda, Londres e Luanda.
O Akuna Group e a Sound International foram fundados por Idris Elba, ator e produtor britânico que é também DJ e que poderá deslocar-se a Angola ainda este ano.









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