Apesar de o Senado americano ter aprovado nesta sexta-feira (7) o político republicano Daniel Perez para o posto de embaixador no Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não aposta em uma escalada da crise com os Estados Unidos nem no aumento da pressão pela concessão do consentimento oficial (agrément) ao indicado de Donald Trump.
A avaliação no Palácio do Planalto, neste momento, é que a inédita tensão entre os dois países deverá seguir inalterada até o fim das eleições presidenciais. Ou seja, sem sinais de melhora, mas também sem um agravamento da crise.
Com isso, a aposta é que a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, que teve o visto revogado no início desta semana, não receberá novas sanções, mesmo com a decisão do governo Lula de não conceder o agrément a Perez, deputado estadual da Flórida, antes do fim do período eleitoral.
O Departamento de Estado americano, chefiado pelo secretário Marco Rubio, condicionou a devolução do documento da diplomata ao consentimento oficial (agrément) do governo brasileiro para o indicado do presidente Donald Trump à Embaixada americana em Brasília.
O entendimento da chancelaria brasileira é que o cancelamento do visto da embaixadora foi parcial e, portanto, ela pode permanecer nos Estados Unidos e exercer suas funções. Todavia, caso deixe o território americano, a diplomata terá de solicitar uma nova autorização para retornar ao país. Por isso, não há previsão de Viotti retornar ao Brasil.
De todo modo, integrantes da diplomacia veem com apreensão a possibilidade de o Departamento de Estado escalar a tensão com a declaração de “persona non grata” da embaixadora, o que configuraria, de fato, a expulsão da diplomata.
O governo Lula afirmou, em nota na terça-feira (4), que a revogação do visto da embaixadora “faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas”.
No comunicado, a Presidência também disse que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a revogação do documento “são falsas” e que “fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”.
O governo Lula ainda contestou a condução do processo de indicação de Daniel Perez. “O processo de concessão de agrément é confidencial e o nome designado só deveria vir a público depois de concedida a anuência, conforme estipula o artigo 4º da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas”, diz a nota.
Os Estados Unidos estão sem embaixador em Brasília desde o fim do governo Joe Biden. Um ano e meio depois, Donald Trump tornou pública a indicação de Perez para o posto, em 1º de junho.
O pedido de agrément ao governo Lula só foi enviado a Brasília duas semanas após o anúncio oficial da indicação pela Casa Branca, o que é considerado incomum na prática diplomática.










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