Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz a concessões dos EUA; veja quais


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O Irã afirmou nesta segunda-feira, 10, estar próximo de um acordo final com Omã para definir novas rotas de navegação e reabrir o Estreito de Ormuz, mas reiterou que os Estados Unidos precisam antes realizar concessões significativas — incluindo o pagamento de indenizações pelos danos causados na guerra, a suspensão de sanções econômicas e o fim das ameaças militares.

A estratégica rota marítima, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás consumidos pelo planeta antes do conflito, está efetivamente bloqueada desde os bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel à república islâmica que deram início ao conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, elevando os preços de combustíveis globalmente.

De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, as tratativas com Omã avançam “de forma tranquila e construtiva”. Os países já teriam alcançado um acordo sobre o mapa das rotas de navegação e discutido questões envolvendo a gestão do estreito, como proteção ambiental e “serviços marítimos” (dois motivos pelos quais Teerã já afirmou que pretende cobrar pedágios das embarcações que fazem uso da hidrovia, uma medida a que Washington se opõe com veemência).

As condições

No domingo, o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, já havia declarado que o pacto com Omã está nos “estágios finais”, mas ressaltou que Ormuz não será reaberto a menos que os Estados Unidos atendam a certas demandas do regime dos aiatolás. Segundo ele, porém, não há negociações diretas entre Washington e Teerã e mensagens são trocadas via mediadores.

Em entrevista recente ao portal de notícias Axios, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que adotaria uma postura “mais discreta” em relação à nação persa. “Estamos apenas seminegociando com eles. Estamos apenas observando o Irã, com sua enorme inflação e o fato de não terem dinheiro”, disse ele.

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Entre as condições estabelecidas aos Estados Unidos pelo Irã para desbloquear o estreito, segundo Araqchi, estão o pagamento de indenizações por danos causados pelos bombardeios. Rascunhos de negociações e de acordos anteriores mencionaram cifras de até US$ 300 bilhões (aproximadamente R$ 1,5 trilhão) para planos de reconstrução e desenvolvimento econômico.

Mohammad Baqer Zolqadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, também listou exigências: o fim de novas ameaças americanas contra o Irã; a interrupção de agressões ao país e aos grupos armados que apoia no Líbano, em Gaza, no Iêmen e no Iraque; a remoção completa do bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos; e a suspensão de sanções e liberação de fundos do Irã congelados em bancos no exterior.

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Reação dos mercados

Os preços do petróleo subiram ligeiramente nesta segunda em reação às exigências iranianas. O barril de Brent, referência internacional, foi a US$ 84,22, após ser negociado abaixo de US$ 80 pela primeira vez em semanas.

Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em junho, mas a Marinha americana restabeleceu, em julho, um bloqueio a portos e navios iranianos — uma medida que, segundo Teerã, violou a trégua que já era praticamente nula naquela altura.

Uma fonte do governo americano afirmou à agência de notícias Reuters que o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos está condicionado à retomada do fluxo de navegação “sem impedimentos” no Estreito de Ormuz, e que quaisquer ações de Washington só virão após o cumprimento dos compromissos por parte de Teerã.

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Nova frente de batalha

Em paralelo aos ataques iranianos a embarcações no Estreito de Ormuz, aumentaram as ofensivas de seus aliados iemenitas, os rebeldes hutis, que têm visado navios em outro ponto estratégico para o transporte de petróleo, do outro lado da Península Arábica, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden.

No mês passado, os hutis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho, em resposta ao que descreveram como um cerco saudita contra eles no Iêmen — uma alegação negada por Riad, que apoia o governo iemenita oficial e é aliada dos Estados Unidos.

Combates entre os rebeldes e o Exército formal no Iêmen se intensificaram nesta segunda: militares iemenitas informaram que sete pessoas — incluindo civis — morreram em um ataque huti à cidade portuária de Mocha, no Mar Vermelho. Sistemas de defesa aérea interceptaram e derrubaram 11 drones que participaram do ataque, segundo os soldados.



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