Uma fome que há muito não se via
Ainda em busca da estabilidade ansiada nas mais diversas dimensões, o Benfica somou mais uma goleada europeia e colocou-se com um pé e meio no play-off de acesso à Liga Europa.
Amplamente superior ao adversário que ainda tenta assentar as novas ideias após uma temporada na qual pôs em causa o status quo do futebol escocês, a equipa de Marco Silva oscilou entre momentos de brilhantismo (na primeira parte e nos minutos finais) e a inevitabilidade (a espaços na segunda parte) de que ainda há trabalho a fazer até que este Benfica seja aquilo que o seu treinador pretende.
Com três alterações no onze – Samuel Soares, Tomás Araújo e Prestianni por Trubin, o transferido António Silva e Kaminski – as águias entraram no jogo praticamente a ganhar. Aos 3 minutos, e já depois de uma primeira ameaça de Prestianni, Rafa Silva fez o 1-0.
Na primeira parte, a equipa de Marco Silva foi tudo aquilo que uma equipa grande deve ser: agressiva com bola e impiedosa sem ela. Mais: foram raras as vezes em que tirou o pé do acelerador, mesmo quando o enorme ascendente sobre a presa e a construção de uma vantagem confortável poderia conduzir a facilitismos tantas vezes testemunhados num passado recente.
Para isso contribuiu o dinamismo ofensivo e as permutas constantes entre Prestianni, Rafa e Sudakov, quase sempre sem lugares fixos na linha de apoio a Pavlidis, e o efeito-surpresa tantas vezes proporcionado por Leandro Barreiro, muito mais um quinto homem do ataque do que um segundo médio.
Ao intervalo, os golos de Rafa, Tomás Araújo e de Pavlidis (de penálti) davam corpo à superioridade encarnada, que poderia ter sido espelhada por uma vantagem ainda mais expressiva do que o 3-0 refletido pelos ecrãs gigantes da Luz.
Na etapa complementar, o 4-0, de Prestianni, chegou com naturalidade pouco antes da hora de jogo.
Depois disso, abrandou a equipa de Marco Silva, sobretudo nos minutos que se sucederam às primeiras substituições dos encarnados. O Hearts reduziu aos 72 minutos e depois disso viu-se o pior Benfica da noite, com momentos de desconcentração que permitiram ao Hearts morder, num escasso período, mais do que em todo o resto do jogo.
Embalada por Andreas Schjelderup – lançado pouco depois da hora de jogo – a águia reencontrou-se nos minutos finais e sentenciou uma eliminatória sobre a qual já se residiam poucas dúvidas.
O extremo norueguês serviu Durán para o primeiro golo do colombiano na Luz, lançou Rafa para uma tentativa devolvida pelo ferro e colocou um ponto final numa grande noite com a conversão de um penálti (arrancado pelo próprio) a fechar a noite em que a equipa de Marco Silva revelou uma nova identidade já muito vincada e mais se terá aproximado daquilo que o seu treinador quer que ela volte a ser.











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