Fortsy: plataforma criada por especialistas em cibersegurança traz para Portugal apps contra bullying com apoio psicológico a alunos e docentes


Para os professores, o aplicativo tem a mesma interface, com botão para comunicar um incidente, outro que faz marcações com a direção ou psicólogos da escola.

“Os docentes podem registrar o clima emocional todos os dias, que aparecerá em forma de dados estruturados e agregados para a gestão. Assim evita-se represália e retaliação por parte da gestão contra o docente baseado no mood escolhido. Uma vez que o docente entra pela primeira vez na app, ele recebe um popup que pede que indique o grau de satisfação na escola em termos de respeito por parte da gestão, acolhimento, motivação e como se sente no trabalho. Isso também vira dado para a gestão, e esse popup volta a cada 3 meses para uma análise continua”, destaca Beatriz Freire.

Toda a construção dos apps, desde as formas de se receber as denúncias, até o acolhimento das vítimas, foi estruturada junto com uma equipe de psicólogas. Nos dois há a possibilidade de registros anônimos.

As duas fundadoras atuam em grandes empresas multinacionais a partir de Portugal e resolveram colocar a tecnologia ao serviço da Educação depois do contato com o contexto e a realidade escolar aqui. “Nos chocou muito ver o bullying acompanhado da xenofobia. Aquele caso do menino José chocou muito”, diz Victória Comerlato. José, de nove anos, teve as pontas dos dedos decepadas ao ter a mão prensada na porta de um banheiro na escola. O caso gerou muito repercussão e mobilizou, inclusive, o lançamento de um concurso, pelo Consulado-geral do Brasil em Lisboa, de combate à xenofobia nas escolas.

A Fortsy iniciou as operações pelo Brasil, onde cerca de 30 escolas já utilizam a tecnologia, principalmente nos estados da região Nordeste e no Rio Grande do Sul. “Especialmente pelo lançamento do projeto piloto da Fortsy Docentes. O timing com a crise atual que diz respeito à violência contra os professores no Brasil acabou por dar muita visibilidade”, relata Beatriz Freire.

Em Portugal, a dupla avança com os contatos com as escolas. A plataforma e os aplicativos já têm versões no português europeu e as criadoras ressaltam que os dados recolhidos podem se tornar essenciais para uma ampla visão do que acontece dentro das instituições e enfrentamento ao bullying.

Na parte de análise de dados dos psicólogos, é possível ver “quantos incidentes ainda estão em aberto, incidentes por dados demográficos, gênero, isso tudo de forma agregada, sem expor os alunos. E depois tem o dashboard web da escola, com acesso a todos esses dados demográficos”, explica Victória Comerlato.

“A escola pode tirar daí, por exemplo, que os casos estão acontecendo contra meninas, ou contra alunos estrangeiros, ou que esses casos, na verdade, estão mais voltados para a agressão física. Consegue fazer um PDF, e inclusive, compartilhar com os pais, ou seja, é uma forma de auditoria, de rastreabilidade e transparência com os pais”, completa a brasileira.



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