Última atualização em 30 de junho de 2026 às 18:37 Nascimento: 22 de Outubro de 1949, em Estrasburgo, França. Equipes que treinou: Nancy-FRA (1984-1987), Monaco-MO (1987-1994), Nagoya Grampus Eight-JAP (1995-1996) e Arsenal-ING (1996-2018). Principais títulos por clubes: 1 Campeonato Francês (1987-1988) e 1 Copa da França (1990-1991) pelo Monaco. 1 Copa do Imperador (1995) e 1 Supercopa do Japão (1996) pelo Nagoya Grampus. 3 Campeonatos Ingleses (1997-1998, 2001-2002 e 2003-2004-Invicto), 7 Copas da Inglaterra (1997–1998, 2001–2002, 2002–2003, 2004–2005, 2013–2014, 2014–2015 e 2016–2017) e 7 Supercopas da Inglaterra (1998, 1999, 2002, 2004, 2014, 2015 e 2017) pelo Arsenal. Principais títulos individuais: Técnico do Ano Onze d’Or: 2000, 2002, 2003 e 2004 Técnico do Ano do Campeonato Inglês: 1997-1998, 2001-2002 e 2003-2004 Técnico do Ano da LMA: 2001-2002 e 2003-2004 Personalidade do Ano da BBC – Melhor Técnico: 2002 e 2004 Técnico do Ano pela World Soccer: 1998 Técnico do Ano do Campeonato Japonês: 1995 FWA Tribute Award: 2005 Eleito para o Hall da Fama do Futebol Inglês: 2006 Eleito para o Hall da Fama do Campeonato Inglês: 2023 Técnico do Ano pela France Football: 2008 Técnico da Década pela IFFHS: 2001-2010 32º Melhor Técnico de todos os tempos pela France Football: 2019 36º Melhor Técnico de todos os tempos pela World Soccer: 2013 Prêmio Laureus do Esporte Mundial pela carreira: 2019 “Le Professeur” Por Guilherme Diniz Depois de alguns anos marcantes, títulos históricos e uma inédita Recopa da UEFA em 1993-1994, o Arsenal precisava de um novo rumo após a saída conturbada do treinador George Graham. Por isso, em 1996, trouxe um então desconhecido técnico francês que teria a missão de ser o “operador de milagres” de Highbury. Bem, ele fez muito mais do que isso. Fez uma revolução. Transformou um time que antes jogava um futebol chato por uma equipe que sabia o que fazer com a bola e tinha não só força física, mas também técnica. Mudou a mentalidade dos atletas, a dieta, a preparação antes dos jogos. Desenvolveu jovens e valorizou promessas. Em menos de dois anos, levantou os primeiros títulos. E, ano após ano, fez do Arsenal um dos maiores esquadrões do planeta e o primeiro a levantar a Premier League de maneira invicta. Highbury ficou pequeno demais para um time tão grande. E um novo estádio começou a ser construído. Isso custou muito ao Arsenal, que viu o dinheiro minguar e os reforços desaparecerem. Pois aquele técnico continuou ali, operando milagres e classificando o time ano após ano à Liga dos Campeões da UEFA, fonte de renda essencial para o pagamento dos “boletos” do Emirates Stadium. Além das vagas europeias, ele também conquistou alguns títulos e se tornou o técnico que mais tempo permaneceu em um só clube na história do torneio inglês. Se Herbert Chapman foi o homem que colocou o Arsenal no mapa, Arsène Charles Ernest Wenger, ou simplesmente Arsène Wenger, foi o técnico que recolocou o clube no mais alto patamar do futebol inglês e, por um tempo, da Europa. Wenger criou conceitos, deu ideias e foi o exemplo a ser seguido por vários outros clubes ao longo dos anos. Foi uma extensão do Arsenal, dentro e fora de campo, quase com o clube no próprio nome. E deixou um legado único no esporte. É hora de relembrar a carreira do Le Professeur. Do meio de campo às pranchetas Mais novo dos três filhos de Alphonse e Louise Wenger, Arsène nasceu em Estrasburgo, no leste da França e na fronteira com a Alemanha. O jovem acabou passando boa parte da infância em Duttlenheim, a 20 km do sudoeste de sua cidade natal. Enquanto seu pai tinha uma loja de autopeças, sua mãe comandava um bistrô chamado La Croix d’Or, onde Arsène cresceu vendo as mais diversas pessoas bebendo, comendo e causando confusões, o que despertou no jovem o desejo de entender melhor a psicologia humana, algo que sempre o fascinou. Por trabalharem demais, os pais de Wenger não conseguiam cuidar de maneira adequada dos seus filhos, mas Duttlenheim era uma vila onde todos cuidavam de todos e Wenger teve o aporte necessário para não se perder. E foi no esporte que o garoto começou a se encontrar. Com apenas seis anos, passou a ver futebol tanto em Estrasburgo quanto na Alemanha, onde acompanhava jogos do Borussia Mönchengladbach, primeiro clube que despertou sua admiração. Wenger, nos tempos de jogador. Já na adolescência, tentou a sorte no FC Duttlenheim, mas não teve oportunidades antes dos 12 anos. Aos 16, conseguiu espaço e, com a “esticada” que deu em altura, começou a se notabilizar pela liderança e por ter controle de bola no meio de campo. Mesmo sem ser o capitão do time, era ele quem dava os comandos e conselhos para os companheiros. Em 1969, se transferiu para o Mutzig-FRA, também da região de Alsace, pelo qual venceu a Copa de Alsace de 1971 e onde conheceu Max Hild, técnico que seria seu mentor anos depois. Em 1973, Wenger foi jogar no Mulhouse, da segunda divisão francesa, e viveu sua melhor fase até ser contratado pelo Vauban de Estrasburgo, onde jogou por três temporadas. Em seguida, vestiu a camisa do tradicional Estrasburgo, pelo qual foi campeão do Campeonato Francês de 1978-1979, o maior título de sua carreira como jogador, embora não tenha disputado muitos jogos pelo fato de já focar mais no treinamento das equipes juvenis e do time reserva do próprio Estrasburgo. Enquanto jogava profissionalmente, Wenger ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da Universidade de Estrasburgo para estudar Política e Economia, após uma breve passagem pela Medicina. Wenger concluiu a graduação em Economia, além de visitar vários países pela seleção francesa de estudantes, pela qual acabou não jogando por estar lesionado, mas assumiu o papel de auxiliar técnico do time e de humorista da equipe, já demonstrando seu lado brincalhão e amigo que sempre o acompanhou. Nos anos 1980, Wenger queria se aposentar e começou a pensar na carreira de treinador. Se aperfeiçoando cada vez mais, aprendeu inglês em…