“Para o futuro, prevê-se o aprofundamento da cooperação com as instituições de ensino superior no sentido de cultivar quadros qualificados médicos ‘mistos’ de integração entre a Medicina e a Engenharia, os quais combinem a prática clínica com capacidades em tecnologia de IA”, disse esta tarde na Assembleia Legislativa (AL; parlamento de Macau) a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura.
O Lam, que respondia a uma interpelação de Lei Wun Kong e Kou Kam Fai – do grupo de deputados nomeados pelo chefe do Executivo – destacou que, como parte desta estratégia de formação de “quadros qualificados ‘mistos’ interdisciplinares”, planeia-se a criação, no ano letivo 2027/2028, dos mestrados de Inteligência Artificial para Biologia e Engenharia Médica Inteligente.
Estes programas, notou, vão juntar-se a formações já existentes em áreas como a da “MTC [Medicina Tradicional Chinesa], de administração medicinal, de técnicas farmacêuticas, ciências biomédicas, bem como de descoberta de drogas impulsionada por IA”.
Lei Wun Kong e Kou Kam Fai interpelaram as autoridades na AL sobre a necessidade de definir uma “estratégia de desenvolvimento saudável” da IA aplicada à saúde, questionando, por exemplo, se existe a intenção de investir em equipamento médico avançado ou exportar soluções digitais para os países de língua portuguesa.
Referindo que os Serviços de Saúde “têm promovido continuamente” a aplicação da tecnologia de IA na área médica, O Lam notou ainda que as autoridades trabalham no sentido de apoiar a internacionalização tecnológica para o universo dos países de língua portuguesa.
“Com recurso ao papel de Macau como plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os Países de língua portuguesa, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia envida ainda esforços para apoiar a internacionalização das tecnologias e serviços no âmbito de ‘inteligência artificial + big health de medicina tradicional chinesa’ desenvolvidos localmente, promovendo a sua entrada no mercado lusófono”, completou.
O Lam lembrou a inauguração, no ano passado, do Laboratório Conjunto China-Portugal para Inteligência Artificial e Tecnologias da Saúde Pública.
O laboratório resultou de uma parceria entre o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Investigação e Desenvolvimento (Lisboa), a Universidade de Medicina de Guangzhou, o Laboratório Nacional de Guangzhou e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, operando em regime de cogestão, com equipas em Lisboa, Porto, Coimbra, Macau, Cantão e Chengdu.
“O laboratório ajuda a promover a cooperação internacional no domínio das tecnologias transfronteiriças da saúde, recorrendo à análise de megadados e a modelos de IA para a previsão de epidemias”, completou a secretária.
Em maio, uma investigadora deste laboratório disse à Lusa que o projeto está a ter “impacto direto na saúde pública global”, com várias inovações de combate a epidemias.
“Este laboratório é a prova de que a ciência pode ser um elo de ligação entre culturas e sistemas de saúde distintos,” afirmou à Lusa Lara Lopes.
De acordo com a investigadora, o objetivo é desenvolver “soluções práticas, acessíveis e eficazes para responder às necessidades reais das comunidades lusófonas”, através de “tecnologias simples, de baixo custo e com capacidade de resposta rápida, desenhadas para contextos onde os recursos são limitados, mas a urgência é elevada”.
A missão é integrar dados multimodais, desenvolver tecnologias de previsão epidemiológica e diagnóstico de precisão, além de construir uma plataforma inteligente para a prevenção e controlo de epidemias relevantes para os países de língua portuguesa.











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