O AI Act: o verdadeiro desafio não está na tecnologia


Por Filomena Moreira, especialista em Gestão de Sistemas de Qualidade e IA


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A Inteligência Artificial entrou definitivamente nas organizações. Está presente nos processos, nas análises, na produção de conteúdos e, cada vez mais, no apoio à decisão. Em muitos casos, a sua utilização tornou-se tão natural que deixou de ser encarada como uma inovação para passar a fazer parte do funcionamento quotidiano.

É precisamente por isso que a entrada em vigor de novas obrigações do AI Act, em agosto de 2026, merece atenção.

Muito se tem falado sobre os requisitos do regulamento, as categorias de risco ou as exigências de conformidade. No entanto, reduzir o AI Act a uma questão regulatória é ignorar aquilo que verdadeiramente está em causa.

O maior desafio não está na tecnologia. Está na governação.

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Durante anos, as organizações habituaram-se a avaliar os riscos associados a processos, sistemas, operações e pessoas. Agora, passam a ter de refletir sobre uma nova realidade: como garantir que a Inteligência Artificial é utilizada de forma responsável, transparente e alinhada com os objetivos da organização?

A questão ganha particular relevância porque a adoção da Inteligência Artificial tem sido, frequentemente, mais rápida do que a definição das regras para a sua utilização. Muitas empresas já utilizam estas ferramentas, mas nem sempre existe clareza sobre os critérios que orientam a sua utilização, os riscos envolvidos ou as responsabilidades associadas às decisões apoiadas por estes sistemas.

É precisamente aqui que o AI Act introduz uma mudança importante.

Pela primeira vez, a discussão deixa de estar centrada apenas nas capacidades da tecnologia e passa a incluir temas como supervisão, responsabilidade, gestão do risco e prestação de contas. Em suma, temas que fazem parte da gestão das organizações e não apenas das equipas tecnológicas.

Esta mudança obriga a um exercício de maturidade organizacional. Não basta implementar ferramentas. É necessário compreender os seus impactos, definir responsabilidades e criar mecanismos que permitam acompanhar a sua utilização de forma consistente.

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Tal como aconteceu noutras áreas da gestão, a confiança não resulta apenas da inovação. Resulta da capacidade de demonstrar controlo, transparência e responsabilidade.

Por isso, o AI Act não deve ser encarado apenas como mais uma obrigação regulamentar. Pode ser uma oportunidade para as organizações repensarem a forma como integram a Inteligência Artificial nos seus processos e na sua tomada de decisão.

No final, a questão não é se a Inteligência Artificial fará parte do futuro das organizações. Essa já é uma realidade.

A verdadeira questão é se as organizações estão preparadas para governar a Inteligência Artificial com o mesmo rigor com que governam os restantes riscos do seu negócio.



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