Setor tecnológico defende modelos de inteligência artificial abertos para assegurar a inovação


Inspirando-se no movimento do código aberto que, no início da década de 1980, iniciou uma tendência determinante para a evolução da tecnologia atual (e, mais concretamente, para cimentar grande parte do que a Internet é hoje), uma extensa lista das principais empresas e organizações do mundo tecnológico subscreveu um manifesto dirigido ao governo norte-americano, alertando que o futuro da inteligência artificial se encontra numa encruzilhada idêntica.

Entre os signatários encontram-se empresas de grande dimensão e forte influência, tais como a Google, Microsoft, NVIDIA, Meta, IBM, OpenAI, AMD, Perplexity, SpaceX, Mistral ou Palantir, bem como entidades como a Fundação Linux ou a Mozilla.

Segundo estas organizações, a consolidação da liderança tecnológica norte-americana dependerá da construção de um ecossistema aberto que permita a difusão da inteligência artificial em todos os setores produtivos. Para tal, o manifesto defende o uso de modelos de pesos abertos, definidos como aqueles que qualquer utilizador pode descarregar, inspecionar, modificar e executar na sua própria infraestrutura.

Quando as organizações signatárias se referem à liderança tecnológica norte-americana em matéria de inteligência artificial, fica claro que, embora tal não seja mencionado em qualquer parte do documento, essa liderança visa sobrepor-se à China, que persegue o mesmo objetivo. Por essa razão, todos os signatários são norte-americanos ou pertencem à sua área de influência ocidental.

Esta acessibilidade, prosseguem as empresas signatárias, é fundamental para que empresas e instituições possam implementar modelos avançados sem a necessidade de os treinar do zero nem de assumir os elevados custos associados aos modelos de fronteira para cada tarefa específica. A disponibilização de modelos de pesos abertos permite aos responsáveis tecnológicos ajustar os recursos às necessidades reais do seu negócio, o que se afigura imprescindível para tornar economicamente sustentável a utilização destas ferramentas em grande escala.

Os impulsionadores desta iniciativa argumentam que a abertura dos pesos fomenta a concorrência não só entre os programadores de modelos, mas também no âmbito do hardware, da cloud e dos serviços, o que acelera a inovação e reduz os custos. Além disso, as organizações que investem em inteligência artificial evitam ficar vinculadas a um único fornecedor, assegurando o controlo sobre os seus próprios dados e garantindo que o conhecimento e o valor económico gerados permanecem dentro da própria organização.

Quanto aos riscos inerentes à publicação de modelos que escapam ao controlo do seu criador, o manifesto assinala que depender exclusivamente de sistemas fechados apresenta perigos semelhantes ou superiores, uma vez que as suas falhas e vulnerabilidades ficam ocultas da vista externa e criam pontos únicos de falha. A transparência dos modelos abertos permite a uma ampla comunidade de investigadores auditar os sistemas e desenvolver defesas eficazes contra ameaças de cibersegurança, à semelhança do funcionamento histórico da segurança no ecossistema do software livre.

Por fim, o setor faz um apelo aos legisladores norte-americanos (visto que este manifesto se destina à Casa Branca) para que evitem impor restrições prematuras sobre os modelos abertos que possam travar a concorrência ou desviar a inovação para outros mercados.

As recomendações para a administração incluem alargar o acesso a recursos de computação e investir em conjuntos de dados e ferramentas de avaliação partilhadas. Neste sentido, os signatários pedem aos reguladores que distingam a utilização de técnicas legítimas de otimização, como a destilação de modelos, da apropriação indevida de tecnologia, sugerindo que as infrações comerciais sejam perseguidas através de quadros legais específicos, sem recorrer à proibição de métodos fundamentais de desenvolvimento.

O manifesto pode ser consultado [aqui].



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