A “Memória Reflexiva” que elimina falhas e corta custos em 85%
Um dos grandes receios da banca na utilização de IA generativa é a imprevisibilidade – as conhecidas “alucinações”, onde os modelos inventam respostas ou tomam decisões erradas. A Opnova resolveu este problema através de uma arquitetura proprietária e patenteada a que chamou Reflexive Memory (Memória Reflexiva).
A lógica é inspirada no cérebro humano. Por exemplo, quando conduzimos diariamente no mesmo trajeto para casa, não precisamos de analisar conscientemente cada detalhe da estrada; funcionamos em piloto automático procedimental. Mas se um animal se atravessar na via, o cérebro reage imediatamente. A IA da Opnova faz o mesmo. Ao analisar o ecrã, o sistema esconde as informações dinâmicas (como os nomes das pessoas) e memoriza a estrutura estática da página (menus e botões).
“Quando o agente reconhece que já esteve naquele ecrã, ele não consulta o modelo de IA. Vai diretamente à base de dados de ações anteriores e clica no botão certo. Isto garante um comportamento 100% determinístico e reduz os custos de processamento computacional em 85%”, revela Pedro Saleiro. “Mas se surgir um pop-up inesperado ou uma falha de sistema, o agente recorre de imediato ao modelo de IA para se recalibrar e resolver o problema.”
Toda esta operação decorre dentro do próprio sistema informático do banco, o que garante que os dados sensíveis nunca saem do controlo da instituição. Outro dos fatores que ajuda a tornar o sistema único a nível de segurança.
Do Porto para Silicon Valley
Apesar de ter a operação comercial sediada nos Estados Unidos (em São Francisco e Boston), o centro nevrálgico de engenharia, IA e investigação da Opnova está localizado no Porto. Três dos quatro fundadores são portugueses — incluindo Pedro Saleiro, ex-responsável de investigação em IA na Feedzai e uma referência internacional em IA responsável, criador da ferramenta open-source Aequitas. O CEO e cofundador é o norte-americano Sinan Eren, veterano de cibersegurança em Silicon Valley. Os outros dois cofundadores são José Luís Pereira e Tiago Melo, dois veteranos da engenharia informática. Ambos são veteranos da engenharia informática, Inteligência Artificial e cibersegurança.
Neste momento, cerca de 80% dos clientes da startup são bancos regulados nos EUA, incluindo um dos 40 maiores bancos americanos – onde a tecnologia da startup vai permitir poupar mais de 11.500 horas anuais em trabalho manual de IT, garante a empresa.
Com 5 milhões de dólares angariados na fase inicial (pre-seed) e uma equipa de 20 pessoas, a Opnova está atualmente a recrutar no Porto nas áreas de engenharia de sistemas, IA, frontend e cloud. Para atrair os melhores talentos num mercado hipercompetitivo, a empresa aplica a cultura de Silicon Valley: todos os trabalhadores recebem pacotes de ações (equity) da empresa, diz Pedro Saleiro.
Para os próximos 18 meses, a fasquia está elevada. “Vejo a Opnova com pelo menos um cliente no top 10 dos bancos americanos, uma equipa expandida no Porto, clientes na lista Fortune 500 fora do setor bancário, e a ser olhada como a solução de referência para a gestão de identidades em grandes empresas”, afirma Pedro Saleiro. Pelo menos.











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