Há seis treinadores espanhóis nas quatro finais europeias. A que se deve o sucesso?


Estão definidas as quatro finais europeias por disputar e há uma particularidade: das oito equipas finalistas, seis têm treinadores espanhóis.

Só na final da Women’s Europa Cup, já disputada, não houve nenhum treinador oriundo do país vizinho.

Neste artigo, abordamos os seis treinadores espanhóis finalistas e tentamos explicar este sucesos.

Final da UEFA Champions League: PSG x Arsenal

PSG – Luis Enrique


Recorda o histórico PSG 5×4 Bayern


O estilo de posse de bola e pressão implementado pelo técnico espanhol já rendeu uma Champions League há um ano e pode agora render outra.

Nos 16 jogos que o PSG já fez nesta Champions, só perdeu duas vezes: uma em casa com o Bayern (1-2), a outra fora com o Sporting (2-1).

Na fase a eliminar, afastou Monaco, Chelsea, Liverpool e Bayern. Com Luis Enrique ao leme, o PSG encontrou, finalmente, o sucesso que craques como Messi, Neymar ou Mbappé nunca conseguiram dar ao clube.

Arsenal – Mikel Arteta


Recorda o Inter x Arsenal, um dos melhores jogos dos gunners nesta Champions


Foi adjunto de Pep Guardiola no Man City, arrumou a casa do Arsenal e está a um passo da glória que, noutras épocas, já deixou escapar por entre os dedos.

O Arsenal de Arteta tem um estilo que nem todos apreciam: muito físico e calculista, sustenta-se numa defesa sólida e no perigo criado através das bolas paradas.

A verdade é que Arteta pegou num Arsenal enfraquecido, em 2019, e está à beira de conquistar a Premier League 22 anos depois e de ganhar a primeira Champions da história do clube.

Final da UEFA Europa League: Freiburg x Aston Villa

Aston Villa – Unai Emery


Vê o Aston Villa 4×0 Nottingham Forest, que valeu o apuramento para a final da Europa League


É o rei da Europa League: já ganhou a prova por quatro vezes (três no Sevilla, uma no Villarreal) e prepara-se para vencer a quinta.

Tal como Arteta, Emery também não corresponde ao estereótipo do treinador espanhol popularizado por Guardiola: é um técnico pragmático, que sabe adaptar-se ao adversário e é forte nas transições.

Especialista em jogos a eliminar, Unai Emery pode coroar uma excelente campanha europeia com o primeiro troféu do Villa desde a Taça da Liga de 1996.

Final da UEFA Conference League: Crystal Palace x Rayo Vallecano

Rayo Vallecano – Iñigo Pérez


O jogo contra o Strasbourg, que valeu o apuramento histórico do Rayo para a final da Conference League


Levar o modesto Rayo Vallecano a uma final europeia é um feito assinalável e pôs o jovem treinador basco nas bocas do mundo.

Iñigo Pérez, de 38 anos, teve uma carreira discreta como futebolista, jogando como médio no Athletic Bilbao, Numancia e Osasuna.

Como treinador, tem-de destacado pela intensidade, pressão agressivapragmatismo e solidariedade colectiva, que compensa a ausência de estrelas.

Final da Women’s Champions League: Barcelona x Lyon

Barcelona – Pere Romeu

Pere Romeu, Barça, Liga FFC Barcelona

O catalão de 32 anos é mais um produto da escola do Barcelona.

Mantém o ADN do clube – futebol apoiado, de posse, domínio terriorial -, mas é menos “purista” do que Guardiola.

Lyon – Jonatan Giráldez

jonatan giraldez

Embora seja galego, fez a formação de treinador na Catalunha, esteve vários anos na equipa feminina do Barcleona e isso nota-se.

Giráldez, de 34 anos, tenta controlar os jogos através da posse de bola, com uma circulação paciente e uma forte reacçâo à perda.

Também aqui, as influências de Guardiola e Johan Cruyff estão presentes.

Como se explica o sucesso recente dos treinadores espanhóis?

Lamine Yamal, Luis de la Fuente, España, Selección Española@SEFutbol

Além dos seis treinadores finalistas de competições europeias, muitos técnicos espanhóis têm feito trabalhos notáveis. Falamos de:

  • Luis de la Fuente (era um “desconhecido”, mas venceu e convenceu no Euro 2024);
  • Xabi Alonso (deu ao Leverkusen o primeiro título de sempre na Bundesliga);
  • Andoni Iraola (está em vias de levar o modesto Bournemouth à Europa);
  • Cesc Fàbregas (é a cara do “novo” Como, que já garantiu a Europa);
  • Marcelino Toral (bons trabalhos no Valencia e Villarreal);
  • e do inevitável Pep Guardiola (que dispensa apresentações)

Então, como se explica o sucesso?

Aposta na formação

Desde os anos 90 que a federação espanhola e os clubes apostam muito na vertente táctica.

Muitos treinadores espanhóis passam anos nas camadas jovens antes de chegarem ao topo, o que ajudou a criar uma cultura muito analítica.

Escola de Cruyff

Johan Cruyff

O holandês Johan Cruyff lançou a semente do futebol de posse, que hoje associamos ao Barcelona.

Trata-se de uma ideia que procura uma fórmula quase “científica” de criar superioridades numéricas para superar os adversários.

Guardiola bebeu muito dessa ideia e, por sua vez, o seu sucesso levou a que outros treinadores – espanhóis e não só – também aproveitassem muitas dessas ideias.

Triunfo da táctica e da profissionalização

Pep Guardiola FC Barcelona 05052012Getty Images

A escola espanhola é vista como moderna, organizada, forte tacticamente e boa no desenvolvimento de jogadores.

Ao centrar-se na vertente táctica, veio dar alguma “lógica” ao futebol: uma equipa mediana que seja disciplinada tacticamente pode tornar-se boa, uma equipa boa torna-se excelente, etc.

Com as melhorias tácticas, deixou de ser tão comum que ex-jogadores se tornem treinadores pelo simples facto de serem “homens do futebol”; da mesma forma, deixou de haver menos desconfiança em jovens treinadores sem percurso assinalável como jogadores.

Ou seja, o método substitui o caos. É o triunfo da profissionalização, e a metodologia espanhola/catalã teve um papel importante nesse processo.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *